Especial
A Copa do Mundo aquece o mercado
Daniela Fonseca
Publicado em 06/05/2010 às 14:18Modelos mais leves e LEDs são os grandes atrativos da nova geração
O mercado de projetores no Brasil é marcado pela sua sazonalidade. Sempre cresce em ano de Copa do Mundo, já que grande parte dos estabelecimentos com grande concentração de pessoas como bares, restaurantes e clubes, saem em busca desses equipamentos para receber seus clientes e amigos. Em 2010, a tendência é que esse mercado alcance um crescimento que deve variar de acordo com a opinião de cada fabricante. Mas o que acontece com esses produtos nos outros anos? Quem se interessa por projetores? Com o aquecimento da economia brasileira, muitos segmentos voltaram a investir em tecnologia e os principais interessados na aquisição de projetores são os segmentos Corporativo, Educacional (as escolas estão cada vez mais informatizadas e alinhadas às novas tecnologias) e Governo (que também tem investido muito em tecnologia). Além disso, os investimentos realizados pelos fabricantes nos últimos anos fizeram com que a qualidade e as características técnicas dos equipamentos melhorassem muito, sem contar que os preços tem se tornado cada vez mais convidativos. Atualmente os grandes concorrentes dos projetores são os aparelhos de televisão, que estão com suas telas cada vez maiores e com mais recursos. Ainda assim, os aparelhos de projeção têm a seu favor algumas questões, como por exemplo a qualidade de definição das imagens e a mobilidade, já que é bem mais fácil transportar um projetor do que uma TV de 50”. Poucos fabricantes trabalham com projetores atualmente no Brasil e todos eles importam as peças, já que não há demanda suficiente para a fabricação nacional. Conversamos com boa parte desses fabricantes para saber como andam suas projeções a respeito desse mercado, quais são os modelos disponíveis, o que tem sido feito para alavancar as vendas e, o mais importante, de que maneira seus canais podem lucrar com esse produto.Segundo Ronaldo Miranda, vice-presidente de TI da Samsung, os maiores diferenciais dos aparelhos de projeção são, indiscutivelmente, a capacidade de mobilidade e a melhor definição de imagens. “As TVs entraram nesse mercado como uma alternativa aos projetores, já que o grande inibidor do mercado de projetores foi, durante muitos anos, a necessidade de troca da lâmpada. O custo de reposição era muito alto. Atualmente já dispomos de projetores com lâmpadas de LED, que duram muito mais. Elas chegam a ter uma vida útil de até 30 mil horas. Isso é um grande atrativo. A procura por projetores não vai acabar. Existem algumas aplicações específicas onde não é possível substituí-los. Os projetores têm algumas facilidades que as TVs não têm, como por exemplo, a facilidade de transporte. Além disso, a qualidade de imagem é, muitas vezes, bem superior às de alguns modelos de televisores”, explica o executivo. A empresa foca as escolas, o governo e as empresas de médio e grande porte como principais consumidoras de projetores no Brasil. A Benq aposta no mercado de projetores em 2010. Além da procura em virtude dos jogos da Copa, a empresa acredita na demanda impulsionada pelas instituições de ensino. Marcelo Café, diretor de vendas e marketing da empresa, afirma que a Educação é uma das melhores compradoras. “O segmento educacional representa 35% do mercado de projetores. É um segmento criterioso e requer produtos com maior valor agregado”, justifica. Além disso, há a modernização dos equipamentos. “Nossos projetores tiveram uma melhora significativa no tamanho da tela gerada, na redução de ruídos, no aumento do brilho e na taxa de contraste, o que permite criar um ambiente bem diferente do que um com televisão de tela grande”, explica Café. Já a Epson credita o crescimento desse mercado ao aquecimento da economia brasileira. Para o especialista de produtos da empresa, Gabriel Gonçalves, foi isso que possibilitou maiores investimentos em tecnologia por parte de todos os setores, principalmente Educação, Governo e Corporativo. A Nec, representada no Brasil pela Videocorp, também marca presença no mercado de projetores. A empresa acredita no crescimento da demanda por esses equipamentos e aponta a melhoria na qualidade dos produtos e a acessibilidade dos preços como os principais responsáveis pelo crescimento da procura. De acordo com Walter Falleiros, gerente comercial da Videocorp Brasil, os segmentos corporativos e educacional são os maiores consumidores de projetores. “As escolas estão usando os equipamentos para educação à distância e as empresas já incorporaram os projetores em suas capacitações e na difusão da sua imagem corporativa”, completa Falleiros. No que diz respeito às expectativas de crescimento da demanda por projetores, todos os executivos concordam que haverá aumento. Apenas sobre os números, as opiniões divergem um pouco. A Benq acredita que o mercado irá crescer 5%, mesmo com o aumento das vendas em razão da Copa. Já o vice-presidente de TI da Samsung aposta que a procura deverá crescer de 8 a 10% este ano. A Nec tem previsões parecidas. “Se os projetos do governo se concretizarem e os projetores forem incorporados ao ensino médio como ferramenta de educação, baseados em incrementos nas áreas de TI e educação à distância, o mercado deve crescer aproximadamente 10% em 2010”, afirma o gerente comercial da empresa. Enquanto isso, a Epson é uma das mais otimistas. O crescimento esperado pela empresa gira em torno de 30%. “Grandes projetos, principalmente na área educacional, são esperados. Após o investimento em computadores e internet nas escolas, o projetor aparece como o próximo item de necessidade na infraestrutura da sala de aula. Estimamos vender mais de 150 mil unidades”, afirma o especialista em produtos da empresa. Todos os fabricantes oferecem suporte às revendas que trabalham com projetores. A Benq oferece treinamento técnico, benefícios e tem um programa de subsídio para produtos de showroom. Segundo Marcelo Café, as revendas precisam entender a necessidade específica de cada cliente para ter condições de oferecer o produto adequado. “Nos colocamos à inteira disposição das revendas para auxiliar em qualquer negociação, basta entrar em contato com algum distribuidor autorizado e pedir um suporte direto”, afirma ele. A Epson conta com um canal de vantagens para estimular cada vez mais a fidelização da revenda nesta linha de produto. Além disso, a fabricante promove treinamentos constantes sobre os produtos. A fabricante acredita que toda revenda que trabalha com produtos e acessórios de informática pode ganhar dinheiro com projetores, basta oferecer os produtos aos clientes com quem já mantém relacionamento. A estratégia da Nec consiste em apoiar a comunicação dos seus distribuidores e oferecer treinamento técnico e comercial, mas não oferece subsídios para evitar interferências nas estratégias da distribuição. “Se as revendas oferecerem o produto apropriado à necessidade do cliente, agregando valor ao produto ofertando acessórios como telões, montagens, cabos e instalações, certamente pode aumentar seu faturamento com a venda de projetores”, explica Falleiros. Já a Samsung considera que os projetores compõem uma linha complementar. É mais uma alternativa para o público que compra monitores e aparelhos de televisão. “Mantemos essa linha de projetores como uma solução complementar para atender às solicitações das revendas parceiras, que não queriam mais ficar nas mãos de apenas dois ou três fabricantes”, explica Ronaldo Miranda. A fabricante reforça que o treinamento técnico para vender projetores é fundamental, já que os modelos disponíveis no mercado são bem diferentes uns dos outros. “Cada tipo de projetor serve para uma atividade diferente. É um produto sofisticado do ponto de vista do entendimento de como usa, para que usa e onde usa e qual escolher”, reforça Miranda. O executivo explica ainda que, por ser um mercado muito específico, quem se dispõe a aprender sobre o assunto, acaba se tornando especialista. A partir daí, é possível oferecer produtos complementares. “A lucratividade é maior porque é um produto especial e que nem todo mundo tem. Sendo assim, a revenda foge um pouco da briga puramente por preços e tem condições de agregar valor, oferecendo complementos de vídeo, áudio e instalações”, conclui. Produtos A Samsung trabalha atualmente com duas linhas de projetores. A série M, com modelos que contam com a tecnologia LCD, que por um sistema de separação de cores e reprodução em diversos espelhos dão mais vivacidade e realidade às cores. Os equipamentos são leves, pesam apenas 2,5 kg e possuem sistema de energia inteligente, que assegura cerca de 5.000 horas de vida útil da lâmpada. Já os modelos da Série L são capazes de projetar vídeos, áudio, fotos e documentos com 2.500 lumens XGA de resolução. Através da sua conectividade é possível gerenciar o projetor pelo sistema de rede. O destaque fica por conta do modelo HO3, conhecido também como Projetor Pico, que pesa menos de 200 gramas e tem bateria capaz de funcionar por até duas horas com uma única carga. Todos os modelos da marca possuem entradas de vídeo e áudio, conexão com laptops, tocador de DVD e vídeo digital, além de conexão via USB, serviço de armazenamento interno e permitem extensão com cartão microSD. Está prevista a chegada de novidades nos próximos meses. A Benq disponibiliza produtos com alguns diferenciais. A linha ST (short throw, que em português significa ‘curta distância’) promete a projeção de uma tela do mesmo tamanho que as da concorrência utilizando metade da distância, graças à utilização de lentes especiais. A linha Point Blank vem com uma caneta que se conecta a tela ou parede de projeção, simulando uma lousa inteligente. Há ainda o mini projetor GP1, que cabe na palma da mão, tem iluminação LED e alto falante de 2W. Os equipamentos da linha 3D são capazes de transmitir conteúdos com essa tecnologia sem a necessidade de alinhar dois projetores. “A tecnologia 3D é uma realidade que se concretizou através do filme Avatar. Aqueles óculos com lentes azuis e vermelhas foram substituídos por óculos mais modernos e sofisticados. Nos antecipamos a essa tendência e lançamos dois modelos: o MP772ST com 2500 Ansi Lumens e o MP776ST com 3500 Ansi Lumens, que são capazes de projetar imagens fantásticas se instalados corretamente com uma placa de vídeo adequada e utilizados com os óculos e conteúdo 3D”, diz o diretor da Benq. A Epson pretende manter, este ano, sua linha de entrada e, entre as principais novidades, apresenta equipamentos mais leves (passaram a pesar 2,3 quilos) e o aumento da vida útil da lâmpada. Além disso, será disponibilizado no mercado o Powerlite 824+, que foi desenvolvido para ter mais brilho e é indicado para as salas de aula e reunião de médio e grande porte. Já a Nec aposta em modelos cada vez mais luminosos, com mais resolução e contraste, além da capacidade de conectividade. A grande novidade ficará por conta dos modelos com tecnologia 3D. “Isso incentivará a indústria de software e de conteúdo a desenvolverem mais e melhores conteúdos para a educação, capacitação, treinamento e entretenimento”, afirma o gerente comercial da Videocorp. Todos os fabricantes consideram os projetores um bom negócio para os canais, desde que a equipe que trabalhe com eles esteja bem treinada, tanto técnica quanto comercialmente. É um produto um pouco diferente e que tem muitas peculiaridades. É preciso conhecer bem cada equipamento e, principalmente, quem está comprando. Como já foi explicado anteriormente, cada projetor se destina a uma finalidade distinta, logo é preciso conhecer seu cliente para indicar o produto mais adequado e as soluções que agregam valor a ele. Estamos em ano de Copa do Mundo, esse é o momento de investir nesse mercado, que traz boas oportunidades e margens de lucro significativas ao revendedor.

