Mercado
A corrida pelo 5G: o futuro do Brasil e da América Latina é agora
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Publicado em 14/06/2019 às 18:28Por Fernando Garcia VP Vertiv Latam
Em abril, no Uruguai, começou
a operar a primeira rede 5G da América Latina. Nesta corrida planetária pela
pole position do mercado – determinar que operadora de Telecom, de que país,
começará a comercializar a rede 5G primeiro – a operadora Antel ganha espaço.
Com isso, usuários do Uruguai conseguirão acesso a smartphones e Apps com
velocidades entre 10 e 100 vezes maior do que o alcançado hoje com a rede 4G. A
pequena população do Uruguai – 3,5 milhões de pessoas – será, portanto, a
primeira a usufruir das benesses da rede 5G na nossa região.
Com essa conquista, a Antel
faz o Uruguai entrar para o time das poucas nações que já estão oferecendo
redes 5G: Coreia do Sul (consórcio SK Telecom, LG UPlus e KT) e EUA (uma oferta
Verizon lançada de forma reduzida em Chicago e em Minneapolis). Esses serviços
entraram em operação também em abril. Em todas as latitudes, operadoras de
Telecom estão correndo para aproveitar as oportunidades de negócios que só
existirão com as redes 5G e recuperar o espaço perdido para uma nova geração de
empresas nativas digitais.
Os principais
serviços das empresas de Telecom, como chamadas de voz, mensagens de texto e
chamadas de vídeo, enfrentam a competição de empresas inovadoras e disruptivas
como Facebook, Apple e Google. No setor de Telecom, são conhecidas como OTT
(empresas “over the top”). Facebook, Amazon, Netflix e Google criaram serviços
inovadores usando a infraestrutura de Telecom existente. Esses novos players
são os donos do relacionamento com o cliente, reduzindo as empresas de Telecom
a um canal de baixo lucro (comoditização).
As empresas disruptivas, por outro lado, já
estão na era da monetização de dados.
Até 2023,
estima-se que o mercado de monetização de dados atinja a marca de US$ 3,12
bilhões (dados do instituto de Pesquisa MarketandMarket).
Monetização de dados em ação é algo que pode
ser visto, por exemplo, na Netflix. O
diferencial competitivo da Netflix vem da base de dados comportamentais sobre
seus usuários. Na monetização de dados aplicada à Netflix, os eventos
rastreados são infinitos: quando o usuário dá pausa num filme, quando ele
abandona de vez uma série, de que dispositivo digital ele acessa a Netflix, em
que horário, etc. Desse mar de dados extrai-se, com a ajuda de Analytics, o
dado refinado, que alia informações concretas sobre o perfil do usuário Netflix
com a lógica de negócios para aumentar a rentabilidade da empresa.
Para que as empresas de
Telecom também saltem para a era da monetização de dados, as operações da rede
5G serão fundamentais para o sucesso. Toda uma nova infraestrutura de rede e de
suporte a essa rede – sistemas de energia, de refrigeração, de gerenciamento
desse universo – tem de estar em ação. Uma rede de dados nativa, o padrão 5G
tem como core de suas operações data centers que vão existir numa configuração
muito diferente da criada para o 4G. Se examinarmos, por exemplo, o mapa do
Brasil, vamos ver uma concentração muito grande de data centers em alguns
pontos – grandes cidades. À medida em que o desenvolvimento do 5G for
acontecendo, essa infraestrutura vai ficar muito mais distribuída.
O fator crítico é que o
ponto de transmissão da rede 5G tem de estar próximo, fisicamente, do ponto de
consumo de serviços de Telecom. Isso está obrigando as operadoras a
equacionarem seus investimentos de modo a levar a rede para muito além das
grandes cidades da América Latina. Faz parte deste quadro a questão do consumo
de energia das redes 5G (veja detalhes no link: O
5G é o Rei, mas a Energia é a Rainha e quem manda é ela!).
Edge Computing ganha
destaque com a disseminação da tecnologia 5G
Baseado em mini data
centers que podem ser instalados no espaço de um armário (smart cabinet) e
ampliados de forma modular e escalável, o Edge Computing atende às demandas
técnicas da rede 5G. O mercado local já conta com uma oferta completa de
soluções e serviços de Edge Computing. O grande diferencial desse modelo é que
leva para as pontas da rede o que há de mais avançado em tecnologia de data
centers. Trata-se de uma estrutura testada, certificada, padronizada e
plenamente gerenciável que efetivamente suporta a existência da rede 5G. A
consistência das ofertas de Edge Computing contribui para que as operadoras
possam criar projetos pilotos de redes 5G com aplicações inovadoras e, a partir
dessa infraestrutura, testar diferentes estratégias de monetização de dados.
Na América Latina,
vejo dois países movendo-se com rapidez para levar o binômio redes 5G/Edge
Computing a todo o território: o Brasil e o México. Muitos países da nossa
região têm a população concentrada em um número bem reduzido de grandes centros
urbanos – em muitos casos, a capital do país. O Brasil, no entanto, possui 15
cidades com mais de 1 milhão de habitantes espalhadas pelo interior de seu
território. O mesmo acontece com o México, que conta com 12 cidades com mais de
1 milhão de habitantes. Essa configuração propicia que o avanço da
infraestrutura 5G/Edge Computing comece por esses polos urbanos.
A corrida pelo 5G irá
definir quem será líder e quem desaparecerá do mercado nos próximos anos.
As operadoras de Telecom, em
especial, têm de 5 a 8 anos para se reinventarem e se colocarem à frente do
mercado, deixando para trás não só as OTT conhecidas como qualquer outro player
digital que venha a surgir. Para que nossa região cresça e use o 5G/Edge
Computing como uma oportunidade de novos negócios B2B e, por consequência, B2C,
as operadoras têm de ousar. Há, neste universo, um desafio a mais: em pesquisa
realizada pela Vertiv em conjunto com a 421 Research,
noventa por cento das 100 operadoras globais entrevistadas acreditam que a
mudança para 5G pode aumentar o consumo total de energia elétrica pelas redes
entre 150 e 170% até 2026. Os maiores aumentos podem ocorrer nas áreas de
macros, nós e redes de data centers.
Qualquer que seja o
contexto, as operadoras seguirão à frente nesta jornada de transformação.
A vitória virá para
quem pensar como Google, Netflix, Amazon e Facebook e concentrar esforços
na inovação pura/monetização de dados. E equacionar a nova infraestrutura
digital da rede 5G com ajuda de parceiros que conheçam em profundidade gestão
de energia, o mundo de Telecom, as exigências de continuidade dos data centers
e saibam como aliar essas pontas para o bem da nossa região.

