Antena
A digitalização aumenta as transações comerciais das revendas
Virginia Santos
Publicado em 03/11/2020 às 19:00A 9ª edição do Censo das Revendas da Abradisti em
parceria com a IT Data realizada no primeiro semestre aponta que as revendas de
valor agregado (VARs) conseguiram crescimento médio de 7,6%, e as lojas
virtuais de 9% no ano passado
O que
muda com o novo normal para o setor de distribuição de tecnologia? Para
responder a esta pergunta, temos que fazer uma análise profunda sobre o impacto
da pandemia de Covid-19 no mercado que pegou a todos de surpresa fazendo com
que as revendas e distribuidoras de uma hora para outra tivessem que se adaptar
as mudanças para manterem sua operação.
Saiu na
frente quem já investia na digitalização dos processos, afinal o papel da
distribuidora mudou radicalmente. Só mover caixa ficou no passado, é preciso
agregar valor na hora de montar o portfólio e investir constantemente em
tecnologia.
Esta é
uma crise sem precedentes que transformou o mundo dos negócios trazendo novos
modelos e formatos para as transações comerciais do ecossistema que precisaram
ser rápidas e dinâmicas, afinal tudo passou a ser instantâneo para o consumidor
moderno. “Nossa avaliação é que o setor de Distribuição de TI vem conseguindo
um desempenho muito bom, mesmo no contexto desafiante que vivemos. Muitas
empresas associadas têm obtido performances significativamente superiores às de
2019, não raro acima de dois dígitos. Destaque para os segmentos que oferecem
produtos e serviços voltados para soluções de mobilidade, infraestrutura, para
trabalho remoto ou a área de segurança”, avalia Mariano Gordinho,
presidente-executivo da Abradisti, completando que é necessário fazer a leitura
correta dos desafios e oportunidades desse novo momento,
além disso, as distribuidoras e seus canais devem se planejar e se organizar
para entregar os melhores produtos, serviços e soluções.
Novo
modelo de distribuição em um mundo cada vez mais digital
Para a
Abradisti, o setor de Distribuição já vem trabalhando em um novo modelo de
negócio há alguns anos, isso se deve pelo aumento do uso da internet, mídias
sociais, marketplaces, além dos novos hábitos do consumidor omnichannel e o
crescimento exponencial do comércio eletrônico.
“As mudanças estão acontecendo em tempo real. A Distribuição tem que se
manter sintonizada com as novas tecnologias. Se formos apontar tendências do
segmento, por exemplo, as principais são: Soluções de Cloud Computing, Mobilidade, Trabalho Remoto, Networking, Automação Residencial e Comercial (IoT),
Cibersegurança, Outsourcing, Ofertas estruturadas de Crédito, Logística e
Faturamento”, pontua Gordinho, da Abradisti.
Para
José Bublitz, presidente da SND, o mercado passa pela adequação do trabalho
remoto sendo fundamental proporcionar a infraestrutura necessária para a nova
normalidade com o emprego do trabalho home office e educação a distância. “No
segmento corporativo notamos que nos últimos anos, a quantidade de funcionários
das revendas vem diminuindo, com isto, as distribuidoras tendem apoiar boa
parte das necessidades dos canais e dos clientes finais que eles atendem,
agregando alguns serviços básicos, desta forma, auxiliando o parceiro no
atendimento ao seu cliente final. O SAC é uma das ferramentas que vem nos
auxiliando neste processo”, agrega o executivo, completando que a empresa teve
crescimento este ano, com destaque para o segmento de Telas, Games,
Computadores e Cloud, principalmente com o fechamento da parceria com a Google
Education, que veio para potencializar as ofertas da SND para a vertical de
Educação.
O setor
de distribuição tem que disponibilizar ferramentas como portais de acesso aos
canais, marketplace com soluções que possam ser usadas para montar uma solução
completa na avaliação da Tech Data. “Devemos
olhar para receitas recorrentes e novos modelos de negócios, como locação,
subscrição e tecnologia como serviço. A Tech Data está no mercado de
distribuição de valor, com soluções completas para ambientes de nuvem, dados,
segurança e modernização de datacenters, tecnologias extremamente importantes
quando se fala em transformação digital que acelerou nos últimos meses. A
companhia vislumbrou esta transformação há alguns anos, quando entrou forte no
setor de valor, entendendo que a distribuição teria um papel fundamental na conexão
de soluções e produtos, sendo o link entre fabricantes, mercado e parceiros”,
pontua Carla Carvalho, General Manager da Tech Data para o Brasil.
Durante
a pandemia, a ATW Media Corp
realizou ajustes em sua operação
para manter seu plano de continuidade e oferecer soluções e serviços adequados
aos canais. “Para este último trimestre de 2020 e no próximo ano, mantemos
nosso plano de crescimento e expansão do portfólio de produtos. Vemos que
continua alta a demanda em nosso setor e o potencial de expansão no mercado, já
que a tecnologia tem papel fundamental na colocação
em prática desse novo modo de vida pós-pandêmico. Estamos confiantes de que
continuaremos a crescer e nos ajustar para melhor atender às novas necessidades
dos consumidores”, conta Humberto Gomez, gerente geral da ATW
Media Corp, reforçando que a distribuição deve priorizar o crescimento das
infraestruturas digitais para fornecer consultoria, suporte pós-venda, serviço
técnico e valor aos diferentes canais.
A SYNNEX
Westcon-Comstor tem como projeto principal – a arquitetura hybrid multicloud –
desse modo, a distribuidora disponibiliza produtos das mais diversas
fabricantes para nuvens privadas e públicas, trazendo assim valor para o canal, através dos serviços
técnicos ofertados. “Em um mundo cada vez mais digital, o ecossistema de
distribuição de soluções de TI será, certamente, também cada vez mais digital.
Estamos diante de novos rumos para as fabricantes e para as revendas, que já
começam a atuar de uma outra maneira. Nós temos nosso marketplace na nuvem, o
CloudSolv, e por meio dele diversas fabricantes oferecem seus produtos. Em
razão da pandemia, nós vimos que as empresas passaram a depender mais da nuvem,
e, dessa forma, as soluções voltadas para nuvem e data center têm crescido este
ano como também os segmentos de
colaboração, como os sistemas de conferência, por exemplo, e de segurança da
informação”, destaca Humberto Menezes, diretor geral da SYNNEX Westcon-Comstor
no Brasil.
A PARS é
uma distribuidora de valor agregado que visa manter as relações comerciais com
fabricantes, canais e clientes de longo prazo.
“Entre os nossos desafios está o fortalecimento destas relações,
incluindo outras formas de contatos empresariais e interpessoais. Além disso,
observamos que o mercado brasileiro cada vez mais se equipara a outros de maior
maturidade. Claramente deveremos seguir modelos de ofertas de acessos e não
mais licenças nesta nova era digital. O nosso core-business consiste em poucas
marcas, que possuem estruturas independentes de atuação
no mercado. Nosso portfólio é composto das soluções Autodesk, Adobe,
Redhat e Unity. Atuamos de modo
diferenciado, em apoio às revendas”, ressalta Celso
Azanha, presidente da PARS.
Para Junior Carrara, diretor
comercial da WDC Networks, nos últimos meses, o segmento de distribuição tem
tido muita resilência para ser manter ativo. “No caso da WDC Networks, seguimos
batendo recordes de faturamento durante a pandemia e acumulamos um crescimento
superior a 30% comparado ao mesmo período de 2019. Para 2021, devemos ter um
ano ainda melhor visto que algumas áreas da empresa estão amadurecendo e devem
se consolidar ao longo do próximo ano, como é o caso das nossas Unidades de
Negócio de Energia Solar, ProAV e automação. Hoje em dia ter estoque,
logística, preço competitivo, apoio de pré-vendas e portfólio amplo não são
mais diferenciais de mercado para uma distribuidora de valor agregado. É
preciso pensar fora da caixa para agregar valor para a toda a cadeia”, observa
o executivo.
Na visão
da Mazer, a distribuição vem se adaptando ao mundo digital. “Cada vez mais o
modo de fazer negócio, de entregar qualquer informação e valor vai ficar mais
digital e o canal deve atender as demandas dos clientes. O parceiro deve
observar que toda solução e produto relacionado com a melhora da estrutura e
equipamento home estão em alta, seja para trabalhar ou se divertir. Tanto as
famílias quanto as empresas estão investindo em infraestruturas de redes, PCs mais potentes e
fazendo upgrades das máquinas”, afirma
Rogério Fluzer, diretor presidente da Mazer.
Por sua
vez, a Agis projeta um crescimento de 20% até o final de 2020, a companhia
considera este um ano cheio de adversidades, porém de oportunidades. “Em 2021
buscamos a consolidação no segmento corporativo, através da venda de soluções e
nas verticais de educação, saúde, governo, áudio visual e infraestrutura. No
nosso segmento, um dos grandes desafios é a velocidade de inovação e
transformação para atender as novas demandas do mercado. A migração das
empresas para o mundo digital abriu novas oportunidades para o setor como um
todo, porém a captação das mesmas depende de eficiência e oferta de serviços
diferenciados. Nos últimos anos o mercado de distribuição passou por várias
reestruturações. Cada vez mais as necessidades que surgem, devem ser supridas
com processos mais ágeis, ofertas diferenciadas que auxiliem os tomadores de
decisão a reduzirem custos e serem mais eficientes com tecnologia de ponta”,
avalia Sandra Fantoni, diretora de Produtos e Marketing.
Para
Marcel Lirio, gerente de Marketing da Handytech, é perceptível a procura por
soluções tecnológicas de ponta para viabilizar o “novo normal”. “É fato que a
base instalada de TI cresceu nos últimos meses, o desafio é entender como será
esse comportamento nos próximos meses e até que ponto esse aumento da demanda
criou novas necessidades permanentes ou se haverá uma tendência de
arrefecimento nessas necessidades. A pandemia antecipou muitas tendências,
acreditamos que o digital continuará em crescimento, porém, entendemos que a
atuação em frentes diversificadas na relação com o cliente ainda é o caminho
mais eficiente para o parceiro”, avalia o executivo.
Soluções
e Produtos que alavancam as transações comerciais dos canais no novo normal
É
preciso, conhecer os desafios e oportunidades no novo normal, de acordo com a
Abradisti, os canais devem identificar
qual o portfólio adequado na jornada digital do segmento.
Com 27
anos de atuação no mercado de distribuição de soluções e produtos de
Telecomunicações, a Agora Telecom acredita que o modelo ideal de distribuição
seria o de uma única fornecedora com capacidade de atender às necessidades dos
canais de venda em operação de logística, apoio financeiro, capacidade técnica
e apoio comercial. “Acredito que preenchemos esses quesitos, com a nossa
capacidade de atender a grande parte das demandas do parceiro. Entre as
principais prioridades deste ano, podemos citar o fornecimento de equipamentos
e soluções de conectividade para provedores de acesso à internet (ISPs); soluções
de infraestrutura, automatização e comunicação, de segurança eletrônica (rádio
comunicação, câmeras e câmeras termográficas) voltadas aos diversos segmentos
como Varejo, Mobilidade Urbana, Educação, etc,
devido o aumento da necessidade de monitoramento. Além disso,
recentemente, nos tornamos distribuidora da Huawei com acesso aos portfólios de
produtos destinados à IP e TI. Temos como meta ampliar nossa base de canais
para até 100 revendas até o final deste ano e certificá-los para que fiquem
aptas a comercializar nosso portfólio”, diz Severino Sanches, CEO da AGORA
Telecom.
Já a
Rcell visa se consolidar como referência em distribuição dos smartphones,
notebooks e videogames. “A companhia começa a expandir as áreas de atuação,
passa a ter em seu portfólio a linha de eletroportáteis, eletroeletrônicos,
além de lançar a sua marca própria, a RSMART com produtos certificados pela
Anatel. Em setembro de 2020 conquistamos a distribuição oficial da Nintendo no
Brasil, a empresa tinha saído do país em 2015. Esta conquista significa muito para a Rcell e para o Brasil, uma vez que a Nintendo é uma das
marcas mais desejadas e admiradas do mundo, ao lado da Disney e Apple”, diz
Alexandre Della Volpe Elias, diretor de Marketing da empresa.
Fabio
Gaia, vice-presidente de TI da Golden Distribuidora aponta que a companhia está
em um ótimo momento no mercado e aposta no planejamento flexível, organização
operacional e resiliência para ter êxito no segmento que deve cada vez mais ser
a junção do físico com o digital. “Isso se deve por conta do nosso portfólio,
extremamente favorecido pela questão do Home Office durante a pandemia. Como
temos foco no SOHO e no varejo de eletro, houve e continuará havendo uma
corrida por esses produtos. Ao passar mais tempo em casa, as pessoas têm se
preocupado em melhorar a sua estrutura de trabalho ou de lazer”, diz o
executivo, completando que a empresa ampliou as ofertas de crédito estruturado
com companhias financeiras para auxiliar os parceiros.
Já a
Life Shining observa que o mercado de provedores teve considerável aumento em
sua busca por novos produtos e soluções no novo normal e a companhia está
priorizando o atendimento neste segmento. “Estamos muito focados em atender a
demanda, pois surgiu oportunidades durante a pandemia em função do aumento da
necessidade de roteadores o que nos fez focar e aproveitar o momento. Estamos
buscando para o ano que vem aumentar nosso portfólio de produtos e fabricantes
desde que tenham sinergia com nossa área de atuação. Hoje somos uma empresa
focada 100% na linha TP-Link”, conta Fabrício Marques, gerente de Operações da
Life Shining.
Crédito
esta é a palavra da vez para o ecossistema de canais
Na nova
normalidade, o setor de distribuição observou que as mudanças acontecem de forma rápida, mesmo que
desestruturadas e foi vital para os canais a liberação de crédito. “No ano
passado lançamos o SNDPAY e atualmente a modalidade já representa 15% do nosso
faturamento, além disso, possuímos acordos com Santander, HP e no mês de
Setembro firmamos a parceria com a GRENKE. Especificamente em Microsoft OPEN
retomamos o financiamento em 10x sem juros em um programa exclusivo da SND e
Santander”, afirma Bublitz, da SND.
Gomes,
da ATW Media, agrega que a companhia procura oferecer as melhores condições e
prazos aos parceiros comerciais. “Queremos estabelecer uma relação de confiança e agilizar o
processo de venda e distribuição, tendo em conta a situação atual de cada
região e país, por isso disponibilizamos
crédito a nossos parceiros de negócios qualificados e para facilitar a logística temos centros de
entrega na Ásia e Miami para a maioria de nossos produtos e entrega direta para
quase todos os países da região”, diz o executivo.
Para a
Agis, o mais importante quando se refere ao crédito é conhecer o canal. “É necessário
estar próximo do parceiro e manter sempre atualizadas as informações
financeiras das revendas para apoiar suas vendas aos seus clientes finais.
Outro fator importante é que nossa empresa oferece diferentes modalidades de
ferramentas financeiras para que os parceiros possam viabilizar suas
vendas. Cada vez mais a distribuição
precisa ofertar soluções completas para seus canais de forma a permitir que os
mesmos possam atender as necessidades de seus clientes”, pontua Paulo
Fernandes, diretor Comercial da Agis.
Daniel
Torres Gomez, diretor Comercial e Marketing da SigmaOne, conta que a companhia tem conseguido manter o ritmo de
crescimento dos últimos três anos. “No terceiro trimestre do ano, já
conseguimos superar em 15% o faturamento se comparado com o mesmo período do
ano anterior. A projeção para o último trimestre é crescer ainda mais, e
superar em 30% o resultado de 2019. Para 2021 pretendemos manter o ritmo de
crescimento e aumentar o Cross Selling com nossos canais. Além disso, a
flexibilização do crédito sempre foi um dos nossos diferenciais no mercado e
neste ano não está sendo diferente. Lançamos uma nova estratégia para facilitar
a negociação de nossos canais com clientes finais e, em parceria com alguns
fabricantes, estamos disponibilizando a modalidade de locação de hardware com
valores diferenciados. Podemos fazer a locação para os canais ou diretamente
para o cliente final comissionando o canal”, agrega o executivo.
A
experiência do cliente é e continuará sendo outra grande preocupação do novo
normal na opinião de Carla, da Tech Data, por isso é fundamental apostar nas
soluções necessárias para atender as demandas, para isso a revenda precisa ter
crédito. “Temos linhas de crédito e financiamento/parcelamento próprias ou
através de bancos parceiros. Na metade do ano, lançamos um programa para ajudar
os canais a seguirem com seus projetos e começarem a ter benefícios já,
iniciando o pagamento somente em Janeiro/2021 e, depois, finalizando o débito
em mais cinco parcelas”, compartilha a executiva.
Em
síntese, o ano de 2020 ficará marcado pelos aprendizados que todo o ecossistema
teve, afinal para se sobressair é preciso estar preparado para o inesperado,
saber reagir e entender as mudanças de comportamento do cliente final diante
das novas tecnologias, pois só assim distribuidoras e revendas terão sucesso em
suas vendas. O pós-Covid-19 terá como destaque o atendimento multicanais, essa
é a nova realidade na jornada digital.

