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Estratégia

Advent compra controle da distribuidora Allied

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Publicado em 19/12/2014 às 15:00


A gestora americana Advent International fechou a compra do controle da distribuidora Allied. Os detalhes da negociação não foram revelados, mas especula-se que o fundo deve deter uma participação de 75% na empresa, que teria sido avaliada como um todo em cerca de R$ 1 bilhão, segundo fontes de mercado. A transação é uma das maiores do ano no país envolvendo fundos de 'private equity', que investem na compra de participações em empresas.



Com faturamento de R$ 3,5 bilhões, a Allied é  uma das maiores distribuidoras do país que tem em seu portfólio equipamentos de tecnologia como telefones celulares, tablets, notebooks, câmeras, jogos e de videogames para mais de 15 mil pontos de venda em todos os Estados. A participação na companhia foi adquirida da One Equity Partners (OEP), gestora ligada ao banco J.P. Morgan, e de outros acionistas minoritários.



Fundada em 2001 pela família Radomysler, que permanece à frente do negócio, a Allied triplicou de tamanho nos últimos quatro anos e tem potencial para mais que dobrar o faturamento nos próximos dois, segundo Patrice Etlin, principal executivo da Advent no Brasil.



A expansão da Allied deve ser puxada pelo aumento nas vendas de smartphones no país e a saída das operadoras de telefonia celular desse mercado. Em uma base de 260 milhões de linhas, os celulares mais modernos representam apenas 30% do total, de acordo com o executivo. "Com aparelhos de R$ 300 a R$ 2 mil, os produtos atingem todas as faixas de renda da população", afirma Etlin.



A empresa também tem espaço de crescimento com a aquisição de concorrentes menores e com atuação complementar, segundo o executivo. A internacionalização também está nos planos da Allied. "O mercado colombiano passa por um processo semelhante ao brasileiro, com o aumento das restrições para as operadoras oferecerem planos com aparelhos subsidiados", diz Etlin.



O investimento na Allied é o primeiro da Advent que conta com recursos do fundo mais recente da gestora, captado em novembro. Com US$ 2,1 bilhões (pouco mais de R$ 5,5 bilhões ao câmbio de ontem), o fundo é o maior da história dedicado a negócios na América Latina.



Etlin, que no auge da euforia com a economia brasileira, em 2011, declarou que o país estava "caro", reviu a posição e agora diz que é hora é comprar. Apesar do fraco desempenho da economia, o executivo vê oportunidades de investimento no país. A tendência de desvalorização cambial, que prejudica o retorno em dólar dos fundos, deve ser compensada pelos preços mais atrativos dos ativos locais, segundo Etlin.



O investimento na Allied foi o terceiro da Advent no Brasil neste ano. Com um total de US$ 34 bilhões sob gestão, a gestora anunciou a compra de participações nas Cataratas do Iguaçu, operadora de serviços em parques nacionais, e na farmacêutica United Medical, esta última por meio Biotoscana, empresa do portfólio do fundo. A  empresa também atuou neste ano na fusão entre a camisaria Dudalina, investida do fundo desde o fim do ano passado, e a rede de varejo de moda Restoque.