Entrevista
Aruba acredita que vivenciamos a era da borda à nuvem para a geração de novos negócios
Por Virgínia Santos
Publicado em 04/06/2021 às 18:21Entrevista com Antenor Nogara, country manager da Aruba
Em seu principal evento, o Atmosphere 21, a Aruba, uma empresa da Hewlett Packard Enterprise, anunciou inúmeras novidades em seu portfólio que vai da segurança da borda à nuvem para atender as demandas digitais dos clientes. Para conhecer a estratégia da Aruba no Brasil diante dos novos tempos, conversamos com Antenor Nogara, country manager da companhia:
PartnerSales: Em abril, a Aruba realizou o Atmosphere, como foi a adesão ao evento, fale-nos quais foram os tópicos mais importantes na edição 2021?
Antenor Nogara: A partir do tema “Your Journey, Your Edge”, tivemos valiosas conversas sobre a transformação da WAN e a segurança da rede. O presidente e fundador da Aruba, Keerti Melkote, discutiu o papel crescente da Aruba e da HPE na evolução da Borda Inteligente e como a abordagem “da borda à nuvem” se difere de outras arquiteturas. David Hughes (fundador da Silver Peak e vice-presidente sênior de negócios WAN da Aruba) destacou as facilidades de integração do SD-WAN, algo que já despertava o interesse de nossos clientes desde a aquisição da Silver-Peak pela HPE em 2020. Hughes comentou sobre os anúncios de incorporação de arquiteturas de segurança Zero Trust e SASE que permitem aos clientes escolherem e adotarem soluções especializadas e comprovadas a partir de parceiros de ecossistema da Aruba. Já o CTO da Aruba, Partha Narasimhan, trouxe uma mensagem importante: cada rede e organização está em um estágio diferente da jornada digital e o Aruba ESP (Edge Services Platform) é capaz de se encaixar e trazer benefícios a cada um deles.
O evento contou com mais de 41.600 inscritos. E a boa notícia é que as palestras ainda estão disponíveis sob demanda para quem não conseguiu acompanhar ao vivo.
PS: Na visão da Aruba, quais são as inovações na borda inteligente para a transformação digital que as empresas precisam conhecer?
AN: O Aruba ESP tem como objetivo tornar as operações de rede mais eficientes e produtivas e, com isso, permitir que as empresas acelerem sua jornada de transformação digital, da borda à nuvem. Os avanços anunciados no Atmosphere 21 incluíram a integração da plataforma de controle de acesso ClearPass Policy Manager e do Aruba Threat Defense ao Aruba EdgeConnect SD-WAN (antiga Silver Peak) e a expansão do ecossistema de parceiros do Aruba ESP.
PS: Quais são os principais pontos para o desenvolvimento de uma rede adequada para o teletrabalho e os desafios gerados pela pandemia de Covid-19?
AN: Com o desafio do novo trabalho “em qualquer lugar” a adoção de serviços hospedados em nuvem segue em aceleração. Essa mudança intensifica a urgência de transformar centros de dados convencionais e redes legadas em ambientes aderentes à arquitetura SASE em nuvem e de tratamento dinâmico e diferenciado baseado nas aplicações e serviços de rede, ao mesmo tempo em que protege os dados de ponta a ponta. Desse modo, para aproveitar todo o potencial da nuvem e da transformação digital, as organizações precisam de uma nova WAN que combine segurança local e em nuvem.
PS: Como está sendo a reação do mercado em relação à compra de soluções de TI mediante ao novo panorama econômico no Brasil?
AN: O mercado está reagindo e as organizações compreendem o papel crucial da infraestrutura de TI para a sustentação dos negócios e da inovação. A transformação digital passou de uma estratégia de negócios de médio-prazo para uma questão imediata de sobrevivência. O mercado está mais maduro inclusive para falar sobre Wi-Fi 6, internet das coisas e 5G, entendendo o que podem agregar de valor às suas operações.
PS: O que a Aruba tem feito para atender as necessidades dos clientes digitais e se tornar mais eficiente?
AN: Ao longo do caminho da transformação digital ultrapassamos a era da nuvem, onde tudo estava migrando para a nuvem, e chegamos à era da borda à nuvem, onde as organizações que incorporaram a Borda Inteligente e um modelo de nuvem híbrida mais rapidamente foram mais eficientes em superar suas dificuldades. Vimos que apostar apenas em nuvem não é realista e simplesmente não é suficiente. Volte para o início de 2020. Se alguém tivesse lhe dito que a telemedicina se tornaria popular naquele ano ou que o delivery de comida cresceria mais de 150%, você teria acreditado? E esses são apenas dois exemplos do ritmo exponencial de mudança em praticamente todos os setores. Embora tenha sido um ano de desafios sem precedentes em muitos níveis, as inovações que nós vimos na tecnologia de rede nos últimos 12 meses nos proporcionaram algum alívio e novas maneiras de lidar com a situação. Na Aruba, investimos em inovação e em busca de novas maneiras de alavancar os muitos recursos e benefícios de uma Borda Inteligente para enfrentar e superar qualquer novo desafio que possa estar a frente.
PS: Quais são os novos modelos de consumo mediante a nova normalidade?
AN: Os clientes estão adotando cada vez mais a rede como serviço (NaaS), pois esta modalidade oferece mais opções de entrega, seja local ou na nuvem, incluindo os mais recentes componentes de rede de hardware e software, além de serviços cognitivos baseados em IA para obter o máximo dos dados.
PS: Na sua opinião, quais são os desafios para a TI com a intensificação do uso dos dados para a geração dos negócios, como os empresários podem coletar os dados dos clientes sem colocar em risco a privacidade dos mesmos em tempos de LGPD?
AN: O grande volume de dados é o primeiro desafio. De acordo com a pesquisa At the Edge of Change: Navigating the New Data, encomendada pela Aruba, 67% dos tomadores de decisão em TI do Brasil usam dados coletados na borda da rede para extrair insights para o negócio. Quando questionados sobre o maior desafio para que possam criar valor a partir dos dados, 49% apontam que há mais dados do que são capazes de lidar. Armazenar, organizar e garantir a segurança dos dados tem um custo, então é preciso chegar a uma forma eficiente de fazer esse gerenciamento. As organizações precisam garantir a privacidade do usuário, gerenciar os dados de forma profissional, ética e competente, por questões de integridade e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Ao coletar dados pessoais, seja da forma que for, o primeiro passo é informar o usuário e solicitar seu consentimento de forma clara. O usuário precisa entender quais informações serão armazenadas, com qual finalidade e se serão compartilhadas com terceiros, por exemplo.
É essencial investir em ferramentas que ajudem a garantir a segurança, evitando que os dados sejam roubados ou vazados. E não é só no e-commerce: uma loja física que ofereça Wi-fi aos clientes, mesmo uma pequena empresa, precisa ter uma rede exclusiva para visitantes, com restrição de acesso aos dados confidenciais do seu negócio. Não é preciso ter um especialista em TI para isso. Na Aruba temos a linha Instant On, desenvolvida especialmente para pequenos e médios negócios e que oferece recursos avançados mas de configuração extremamente simples, gerenciamento remoto e segurança embutida
PS: A Aruba é uma empresa visionária que expande regularmente o seu portfólio, o que o parceiro pode esperar da companhia nos próximos meses, que novas tecnologias vêm por aí?
AN: Para a Aruba, esta década será “da borda à nuvem”, em que todo o ambiente da borda - com fio, sem fio, WAN - será unificado, tendo a IA embutida na solução e com a segurança como premissa. Nossas inovações partem dessa visão, considerando sempre a experiência dos nossos clientes.
PS: Fale-nos detalhadamente sobre o conceito Zero Trust Security onde há a segurança embarcada dentro da infraestrutura:
AN: A abordagem Zero Trust é fundamental para a garantia da segurança fim a fim, da borda à nuvem, protegendo a força de trabalho distribuída e objetos conectados. Ela se baseia na premissa de que não se deve confiar em ninguém, esteja este usuário ou dispositivo dentro ou fora do ambiente corporativo. Com a quebra do perímetro e sofisticação das ameaças cibernéticas, confiar em uma senha não é suficiente para proteger a rede.
O Zero Trust surgiu como um modelo eficaz para atender melhor às mudanças nos requisitos de segurança da empresa moderna, supondo que todos os usuários, dispositivos, servidores e segmentos de rede são inerentemente inseguros. Quando possível, todos os dispositivos e usuários devem ser previamente identificados e autenticados.
PS: Que desafios o ecossistema de canais enfrentará a partir de agora com a intensificação da vacinação no Brasil?
AN: Este momento é especial, uma vez que as inovações das redes móveis são fundamentais para trazer a flexibilidade de estar conectado de qualquer lugar e a qualquer hora, aumentando a produtividade das pessoas, a eficiência operacional e a segurança que os novos negócios e relações exigem. Os canais são extremamente importantes para colaborar com a jornada digital dos clientes, zelando para que a infraestrutura de rede seja segura, confiável, flexível e adequada às suas necessidades e também a um mundo em rápida transformação.
Nós da Aruba, desenvolvemos ações para estreitar e consolidar nosso relacionamento com o canal e buscamos incansavelmente novos espaços e oportunidades no mercado, seja por meio de ações de fortalecimento da marca e geração de demanda ou oferecendo novos modelos de negócio com a expansão do portfólio e oferta de novas soluções para auxiliar a revenda.
PS: Em síntese, qual a mensagem da companhia para os canais?
AN: Minha mensagem é para que sigam fortes e no caminho da inovação e que busquem sua diferenciação também através de modelos de negócio NaaS. Observem as tendências de mercado e as oportunidades incrementais como a segurança de rede. Reavaliem recorrentemente os impactos deste novo momento de mercado nos negócios de seus clientes para que possam ajudá-los a se fortalecer cada vez mais no mundo digital.

