Entrevista
Aruba aposta na adoção e implantação NaaS (rede como serviço)
Por Virgínia Santos
Publicado em 06/05/2022 às 12:58Entrevista Especial com Antenor Nogara, country manager da Aruba
Aruba aposta na adoção e implantação NaaS (rede como serviço) para incrementar as transações comerciais do ecossistema de canais na jornada digital
No comando da Aruba, uma empresa da Hewlett Packard Enterprise – líder global em soluções de rede seguras da borda à nuvem, Antenor Nogara, country manager da companhia, tem o desafio de auxiliar os clientes e canais a tomarem as melhores decisões no mundo digital.
Em nosso bate-papo, Nogara, abordou assuntos importantes da companhia como os desdobramentos do Atmosphere’22, principal conferência da empresa que ocorreu entre os dias 27 de março e 1 de abril de 2022, lançamentos e as vantagens do NaaS (rede como serviço) para o setor corporativo, confira a nossa entrevista
PartnerSales: Qual o balanço que você faz sobre o Atmosphere 2022 – na sua opinião quais foram os principais debates, tópicos e insights que o público conferiu?
Antenor Nogara: O Atmosphere’22 foi um sucesso, havia muita expectativa e ansiedade, as pessoas estavam felizes de estar ali após dois anos sem esse encontro presencial que é tão importante. O evento foi de uma dimensão muito grande, milhares de pessoas estiveram presentes, sendo que um número maior ainda se registrou para acompanhar o evento online de várias partes do mundo.
A tônica do Atmosphere’22 pode ser dividida em três pontos principais. O primeiro, a capacidade que a Aruba tem de alcançar todo o espectro de aplicações do mercado corporativo – tivemos vários casos de sucesso com depoimentos muito relevantes de empresas como Goldman Sachs e The Home Depot, grandes organizações que estão usando diferentes tecnologias da Aruba com várias aplicações.
O segundo ponto é o quanto a segurança e gerenciamento se fundem na infraestrutura. O anúncio do Aruba Central NetConductor, que enriqueceu o Aruba Central, é um exemplo disso. Não se falava de infraestrutura de forma separada de segurança e gerenciamento em nenhum lugar do evento.
E, o terceiro, a tendência no consumo de tecnologia como serviço foi enfatizada. Os cases da Goldman Sachs e The Home Depot foram feitos via HPE GreenLake for Aruba, o que demonstra que as nossas soluções têm aderência nessa proposição, inclusive em instituições financeiras.
Também vale a pena comentar rapidamente sobre o nosso novo posicionamento em data center, o Aruba CX 10000, recém-criada categoria de switch que torna a implementação de serviços distribuídos mais simples e econômica para as empresas, que podem oferecer 100 vezes a escala e 10 vezes o desempenho com 1/3 do TCO - Total Cost of Ownership das abordagens tradicionais. E em relação à SD-WAN, o assunto foi discutido em todos os momentos no evento. Sempre, em alguma parte do saguão, nos corredores, nos diferentes andares, haviam discussões sobre a otimização de WAN e entrega de aplicações com máxima qualidade pelo Aruba Edge Connect.
A participação de parceiros e usuários finais brasileiros foi muito boa nesta edição. Tive uma série de reuniões com eles e a impressão é que a confiança deles na aliança tecnológica com a Aruba foi revigorada. Alguns estavam lá pela primeira vez e parecem ter percebido o que realmente é a dimensão e força da Aruba para apoiar a transformação digital de diversos segmentos.
PS: Nessa edição, a Aruba apresentou soluções inovadoras como Aruba Central NetConductor, mostrou avanços significativos no Aruba ESP (Edge Services Platform) e os primeiros access points (APs) sem fio autolocalizáveis do mercado. Como essas tecnologias disruptivas podem incrementar as vendas dos canais?
AN: Esses avanços tecnológicos trazem, cada um a seu modo, novas oportunidades de negócios para os canais que estiverem atentos ao potencial do mercado para cada aplicação. O Aruba Central NetConductor e os APs sem fio autolocalizáveis são soluções disruptivas que modernizam a rede. As organizações estão embarcando ou acelerando a transformação digital impulsionada por tendências como trabalho remoto/híbrido, novos modelos de negócios e experiências do usuário, além da busca por maior eficiência de TI. Tudo isso exige a rede mais moderna e atualizada para lidar com os desafios de arquitetura, operações e segurança. Os canais precisam identificar os clientes nos seus mercados que buscam essa modernização para irem além. Uma vez capacitados nas soluções, podem aumentar as vendas direcionando a oferta certa ao cliente certo.
PS: Gostaria que expusesse sobre o HPE GreenLake, como ter sucesso nas transações comerciais baseadas no consumo, essa é uma tendência que se firmará nos próximos anos? De que modo os empresários e líderes brasileiros podem se beneficiar na venda de produtos e soluções como serviço?
AN: No Atmosphere’22, o HPE GreenLake for Aruba apresentou novos serviços que simplificam o processo de aquisição e implantação de NaaS (rede como serviço) e permitem que os clientes alinhem os gastos da rede às necessidades de uso, garantindo que a rede esteja sempre pronta para dar suporte aos objetivos de negócios. Os novos serviços são otimizados para os canais que procuram satisfazer a crescente demanda dos clientes por NaaS para operar em um modelo de revenda ou provedor de serviços gerenciados. Cobrindo uma gama completa de casos de uso de clientes – incluindo com fio, sem fio e SD-Branch –, os novos serviços oferecem níveis sem precedentes de velocidade e flexibilidade, acelerando o tempo de obtenção de receita.
Faz todo sentido que o pagamento apenas pelo que efetivamente se usa em NaaS seja mais atraente do que investir em infraestrutura pensando no pico de uso para depois passar parte do ano sem usar todo o potencial do parque de TI, que foi caro para implementar. David Hughes, CPO e CTO da Aruba, já tinha apontado a demanda por serviços baseados em consumo, tais quais o NaaS, como uma das cinco principais tendências para 2022. O maior valor dos “serviços” leva a um aumento na demanda por modelos de consumo de infraestrutura, pois há uma mudança de cultura acontecendo - o maior valor que os consumidores estão colocando em “experiências” em vez de “coisas” e o declínio na necessidade de “possuir algo”. Essa mesma mudança começa a se manifestar na empresa, com as organizações menos focadas em dispositivos e Capex e mais focadas nos resultados de negócios de seus investimentos em tecnologia. As organizações desejam maior flexibilidade financeira e previsibilidade de custos, ao mesmo tempo em que podem aumentar a eficiência de TI e acompanhar a inovação.
PS: Nesse novo mercado que se reinventa a cada momento, como oferecer suporte ao trabalho de casa dentro de um modelo híbrido, o que as empresas devem fazer para estenderem suas redes SD-WAN para as residências, unindo serviços de banda larga e 5G?
AN: Está tão claro para a Aruba que o trabalho híbrido continuará em alta após a pandemia que a empresa lançou a solução Aruba EdgeConnect Microbranch, voltada a home office e pequenos escritórios, que fornece aos trabalhadores remotos todos os serviços tradicionais oferecidos dentro de um escritório por meio de um único ponto de acesso (AP) Wi-fi com segurança e sem necessidade de gateway, agente ou hardware adicional no local remoto.
Dessa forma, os departamentos de TI podem garantir que a experiência dos funcionários seja consistente, independente de onde eles estejam. O EdgeConnect Microbranch entrega uma gama completa de serviços de conectividade do campus para trabalhadores remotos, acelerando a solução de problemas e mantendo as proteções corporativas ao estender os frameworks de proteção Zero-Trust e SASE (Secure Access Services Edge) do campus para o home office ou pequeno escritório.
Fazem parte desta solução os RAPs (access points remotos) da Aruba, que vêm automaticamente configurados para que os funcionários possam simplesmente conectá-los a qualquer conexão com a Internet existente e já utilizá-los. Assim como o Aruba ClearPass, que analisa cada conexão e usa o contexto do dispositivo e do usuário para simplificar o processo de autenticação, ao mesmo tempo em que permite certificados em vez de senhas, regras que se baseiam nos dispositivos que estão sendo usados e até mesmo a localização do usuário. E o Aruba Central, que permite que os administradores de TI analisem e monitorem APs da Aruba para obter uma experiência aprimorada de suporte técnico dentro da rede corporativa estendida para dentro da casa do colaborador.
Os parceiros precisam estar bem familiarizados com opções do tipo para oferecerem aos clientes exatamente o que procuram, mas que talvez não saibam que existe nem onde procurar.
PS: Agora com a implementação do 5G prevista para este ano no país, quais serão os desafios e novas oportunidades de negócios que devem surgir para o ecossistema de canais?
AN: Temos clientes com projetos em fase de maturação de edge computing dentro das redes metropolitanas, e o 5G será um dos drivers que impulsionarão esses projetos específicos e a adoção de edge computing em larga escala. O 5G vai permitir a utilização de novos serviços e a conexão de um número muito maior de dispositivos, como os dispositivos IoT – a massificação da conectividade.
O 5G deve melhorar a experiência de aplicações sensíveis à latência, como voz e vídeo, proporcionando o avanço da cirurgia robótica, veículos autônomos e realidade aumentada, por exemplo. E atenderá a determinados casos de uso industriais e grandes ambientes abertos. É importante ressaltar a característica complementar que o Wi-fi 6 e o Wi-fi 6 E, método preferencial de acesso às redes, têm em relação ao 5G.
PS: Em relação aos ISPs, quais são as novas oportunidades de negócios? Como entregar mais aos clientes e gerar novas receitas com infraestrutura?
AN: Os ISPs precisam oferecer serviços diferenciados com Wi-fi e SD-WAN através de serviços gerenciados para crescer e expandir sua base de clientes no espaço B2B, mercado corporativo e no segmento público. Há oportunidades principalmente nas redes municipais, educação, hospitais e Wi-fi público de uma forma geral.
PS: Como anda a demanda por serviços gerenciados no mercado brasileiro?
AN: Há menos de um ano, lançamos o programa Managed Service Provider (MSP) da Aruba e o crescimento da demanda tem sido exponencial. Como esse modelo de NaaS permite que os clientes não se preocupem mais com hardware, software, serviços e suporte, deixando tudo isso como responsabilidade do canal e da Aruba, era inegável que logo atrairia empresas de diferentes segmentos.
PS: De modo geral, qual a avaliação da companhia sobre o conceito Anywhere Office (trabalho de qualquer lugar), principalmente em relação a segurança da rede. Quais produtos e soluções da Aruba são indicados para auxiliar a nova modalidade de trabalho?
AN: O mote do Atmosphere’22 foi, exatamente, “Fazendo conexões em qualquer lugar” e as principais apresentações abordaram o contexto de “trabalho de qualquer lugar” e as necessidades de implementações das empresas ao redor do mundo nesse sentido. Temos várias soluções que atendem essa demanda.
Um item essencial para trabalhar de qualquer lugar nas diferentes soluções oferecidas pela Aruba é o RAP (ponto de acesso remoto), que reúne as formas de trabalho distribuídas com segurança e facilidade. Com o RAP, os aplicativos corporativos trabalham remotamente, sem interrupção, com descoberta automática, transferência em caso de falha e redundância integrada. A segurança abrange redes com e sem fio com políticas de acesso baseadas em função para usuários, dispositivos e aplicativos. É gerenciado pelo Aruba Central e conta com um portfólio completo de ofertas Wi-Fi 6 e 802.11 ac.
PS: O que tem a dizer sobre o reconhecimento da Aruba como Líder por 16 anos seguidos no Quadrante Mágico de 2021 para o Relatório de Infraestrutura de Acesso LAN com e sem fio do Gartner? Como atingir excelência em um mercado cada vez mais competitivo?
AN: É uma honra sermos reconhecidos pela tecnologia que desenvolvemos e oferecemos ao mercado. Nossa missão é fornecer soluções seguras da borda para a nuvem, que usam IA e aprendizado de máquina para simplificar, agilizar e automatizar os recursos de TI, e também queremos que a rede gere resultados comerciais eficazes para os clientes. O Gartner nos ajuda a mostrar ao mercado o quão a sério nós levamos nossos investimentos em inovação e o impacto disso nos negócios dos clientes.
PS: Qual a avaliação da Aruba sobre o potencial do Brasil para expandir as redes conectadas e tornar cada vez mais inteligentes as cidades?
AN: A Aruba tem um case na Cidade do México, que entrou no Guinness Book como a cidade mais conectada do mundo com 21.500 pontos de conexão Wi-fi gratuitos para a população. Cada ponto tem 100 megas de capacidade, com garantia de cada conexão contar com, pelo menos, três megas. Não há restrições de tempo nem se captura dados pessoais de quem conectar. Esse sucesso em uma capital com quase 9 milhões de habitantes mostra como algo similar pode ser implementado também em grandes cidades brasileiras como um primeiro passo de massificação da conectividade. Também demonstra o potencial dos governos conectarem cidades inteiras, oferecendo serviços inteligentes aos cidadãos e gerenciando os recursos, como iluminação, resíduos, segurança etc. No Brasil, temos alguns cases como Cariacica (ES), com Wi-fi público para a população que chegou a registrar um recorde de acessos à rede em um único mês: 40 milhões. Hoje o município já tem milhares de usuários da rede em lugares como escolas, postos de saúde e sede administrativa da cidade, além de 170 pontos com cobertura pública de Wi-fi.
PS: Como tornar o parceiro mais ativo diante da aceleração digital, qual o perfil de canal a Aruba procura, há planos para ampliar a capilaridade. No quesito treinamentos, como a empresa tem preparado o canal para atender os desafios digitais?
AN: A Aruba não busca aumentar a quantidade de parceiros, necessariamente, mas apostar naqueles que vêm se capacitando conosco e obtendo maior capilaridade regional ou por vertical em novas soluções e segmentos. Temos sempre espaço para novos canais que possam agregar em verticais com potencial de mercado.
A Aruba procura sempre fortalecer o relacionamento com os canais, seja por meio de treinamento, capacitação ou organização de eventos setoriais para geração de demanda. Também contamos com o CEC (Customer Experience Center), na grande São Paulo, e alocamos orçamento de marketing para execução de atividades cooperadas.
PS: Para finalizar, qual a sua mensagem para o canal?
AN: O canal é parte central de nossa estratégia e o pilar fundamental de nosso acesso ao mercado. Quanto mais eles se desenvolverem, mais negócios poderão ser gerados para as soluções Aruba. Estamos sempre buscando investir naqueles parceiros que mais se destacam em sua região ou especialidade, que podem subir nas categorias do programa de canais ou estreitar a parceria conosco. Para isso, o que faz toda a diferença é a capacitação para uma leitura de mercado mais assertiva, de forma a entender o melhor momento de ofertar as soluções, atendendo efetivamente a demanda e gerando maior retorno.

