Mercado
As preferências do "consumidor" e a análise do custo X benefício
Por César Bergo, coordenador da Pós-Graduação em Mercado Financeiro da Mackenzie
Publicado em 12/03/2021 às 10:00Um ponto importante da teoria econômica é a questão relacionada às preferências do consumidor por bens e serviços. Muitas situações viáveis existem, mas umas são claramente preferíveis às outras, considerado o fato de que necessitam de menos recursos para que sejam obtidos os mesmos resultados. A economia se ocupa, precisamente, de buscar essas situações mais eficientes, que permitam maior satisfação das necessidades humanas com o menor esforço possível o que, inquestionavelmente, integra a forma de atuar racional do homem em todos os tempos.
A racionalidade econômica está igualmente presente na avaliação do custo-benefício de determinada ação ou empreendimento econômico, cuja base teórica é conhecida como o "custo de oportunidade"(1) e é fator determinante na concretização de negócios em uma sociedade. Além disso, muitas ações na vida envolvem a efetivação de pequenos ajustes adicionais a um plano de ação existente. Os economistas os denominam de "alterações marginais". Assim, a tomada de decisão depende de fatores subjetivos influenciados por uma dinâmica de incentivos ou vantagens.
Tomemos o seguinte exemplo: Como a Lei do cinto de segurança afeta a segurança do trânsito? O efeito direto é óbvio. Com o cinto em todos os carros, mais pessoas o utilizam e a probabilidade de sobreviver a um acidente aumenta. Neste sentido, os cintos salvam as vidas. O impacto direto na segurança foi o que levou à edição de uma Lei obrigando o seu uso. Mas, para se entender o alcance da mesma, deve-se reconhecer que as pessoas alteram seu comportamento em resposta aos incentivos oferecidos. Neste caso, o comportamento relevante é a velocidade e a prudência com as quais as pessoas dirigem. Ao decidirem com que nível de segurança devem dirigir, as pessoas racionais comparam o benefício marginal de uma direção segura com o seu custo marginal. Elas dirigem mais lentamente e com cautela, quando o benefício da maior segurança é alto. Isso explica por que as pessoas dirigem mais atentamente quando está chovendo.
Veja agora como isso afeta o cálculo de custo-benefício de um motorista racional. Os cintos tornam os acidentes menos custosos para o motorista porque reduzem a probabilidade de ferimentos ou morte. Logo, a Lei do cinto de segurança reduz o benefício de se dirigir lenta e cautelosamente. As pessoas respondem aos cintos de segurança como o fariam a uma melhoria das estradas: dirigindo com mais velocidade e menos cautela. Portanto, o resultado final da Lei do cinto de segurança é um número maior de acidentes.
Tudo isso serve para mostrar que ao analisar qualquer ação no campo econômico é preciso considerar não só os impactos diretos, mas também as consequências indiretas que decorrem da aplicação de vantagens ou incentivos, pois sempre irá provocar uma alteração no comportamento das pessoas.
César Bergo é coordenador da Pós-Graduação em Mercado Financeiro e Capitais da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília (FPMB) e presidente do Conselho Regional de Economia da 11ª Região. Especialista em governança corporativa, sociólogo e economista, com atuação no mercado financeiro há mais de 30 anos.

