Tendências
Câmeras Fotográficas 2013
Por André Geniselli
Publicado em 05/08/2013 às 12:24Câmeras Digitais buscam inovações para fomentar negócios
Com público cada vez mais exigente, o setor de câmeras digitais se reinventa.
O objetivo é apresentar novos recursos e opções para o mercado.
Hoje em dia, registrar as imagens do dia a dia está cada vez mais fácil. Não à toa, o número de apaixonados pela arte de fotografar não para de crescer. Mas engana-se quem pensa que a busca por câmeras fotográficas deixou de existir e que só os smartphones e tablets, por exemplo, é que apresentam recursos para as fotografias daqueles momentos comuns ou das mais diversas ocasiões especiais. Ao contrário: este é um segmento que vem se reinventando, nos últimos tempos.
Segundo dados divulgados pela consultoria GfK Retail and Technology, o cenário das câmeras digitais, no Brasil, mostra que, apesar da concorrência com os celulares inteligentes, notebooks, tablets e cia., há uma importante demanda de consumo, principalmente para itens que agreguem novos recursos. A liderança na área segue com os aparelhos compactos, mais baratos e voltados para iniciantes em fotografia, mas a situação parece estar em transformação. Agora, a meta é também atrair quem deseja mais do que funções básicas na hora de eternizar os grandes momentos.
De acordo com os números divulgados pelo GfK, o nicho de aparelhos compactos ainda representa aproximadamente 90% do mercado. Entretanto, os últimos anos têm mostrado novos caminhos para o setor das câmeras fotográficas. Entre os principais destaques estão os modelos semiprofissionais, com soluções que incluem a possibilidade de lentes intercambiáveis e ferramentas que valorizem a experiência do usuário, que tiveram aumento de 1,8% nas vendas entre janeiro e maio, e os equipamentos profissionais, com ampla gama de funcionalidades, cujo crescimento atingiu a marca de 4,2% no mesmo período.
A CONCORRÊNCIA COMO FATOR DE SUCESSO
O motivo dessa renovação em busca de soluções mais sofisticadas e completas encontra explicação em um motivo básico: com tantas opções à disposição dos consumidores, o importante passou a ser oferecer maior qualidade a cada flash. Leonardo Botelho, gerente geral de Câmeras Digitais da Fujifilm do Brasil, por exemplo, analisa que, diferentemente do que se pode imaginar, o crescimento dos aparelhos móveis tem ajudado a impulsionar o segmento fotográfico. A tese é que quanto maior o número de pessoas com acesso à fotografia, maiores as chances de se formar um público que procure melhores opções dentro do tema.
Com essa ajuda, os entusiastas tendem a comprar câmeras mais avançadas, capazes de atender diretamente as necessidades que os dispositivos móveis não conseguem suprir. E é justamente neste mercado que a Fujifilm aposta suas fichas: em câmeras de fácil manuseio e que ofereçam qualidade profissional. “Essas câmeras mais avançadas são responsáveis pelo maior crescimento da indústria, uma média de 30% ao ano”, comenta o executivo.
Quem reforça este ponto é Caio Marques, coordenador de Lumix, da Panasonic, que observa a necessidade das fabricantes em buscarem novidades que impactem diretamente a ação dos usuários. “Com a rápida expansão dos smartphones, milhares de novos fotógrafos surgem a cada dia descobrindo como é fotografar, editar e compartilhar uma imagem. Depois, ele passa a ter a necessidade de aperfeiçoar a técnica e adquirir produtos com funções mais avançadas. Nesse ponto, é importante que a indústria entenda este movimento para desenvolver produtos que atendam este novo perfil de consumidor”, ressalta o executivo.
Verificar quais são os efeitos da concorrência com smartphones e tablets também é o principal objetivo abordado por Marcelo Café, diretor Comercial da BenQ. Para o executivo, o mercado precisa encontrar mecanismos de oferecer soluções com a qualidade exigida pelos consumidores. “O maior desafio é a competição com produtos substitutos, por causa da sua facilidade e rápido avanço da tecnologia. Por isso, acreditamos que um segmento a ser explorado é o de consumidores de câmeras semiprofissionais, que querem os recursos que essas câmeras possuem”, avalia.
A Samsung também aposta no desenvolvimento de modelos com novos recursos para atrair o público. “Os consumidores continuarão a usar seus smartphones para fotos do dia a dia. Entretanto, nossas pesquisas mostram que os mesmos consumidores preferem usar as câmeras digitais para momentos especiais, nos quais é preciso um equipamento com alta qualidade de imagem”, destaca Thiago Onorato, gerente sênior de Digital Imaging da companhia coreana.
MAIS MOBILIDADE, CONECTIVIDADE E QUALIDADE: AS ESTRATÉGIAS DAS FABRICANTES
Os efeitos da disseminação dos dispositivos móveis, contudo, não se restringem, apenas, à concorrência entre as câmeras fotográficas e os dispositivos substitutos. Mais do que isso, instigou tendências que tomam formas nos lançamentos do segmento. Apostas em mobilidade, conectividade e de qualidade visual, para tanto, tornaram-se chave para a conquista de novos consumidores.
A Samsung, por exemplo, investe em recursos como a facilidade para compartilhamento de imagens, conectividade com redes sociais em tempo real e Wi-Fi, sincronização com smartphones e tablets e armazenamento direto em nuvem de dados. Segundo Onorato, a empresa traz na linha de câmeras inteligentes modelos para todos os estilos e necessidades, sempre prezando pela qualidade visual e praticidade na operação. “Temos as câmeras conectadas da linha Smart Camera, com nove modelos, que incluem aparelhos compactos, ideais para registrar as experiências do cliente, e máquinas EasyPro, indicadas para quem busca qualidade profissional, com lentes intercambiáveis. Além disso, ressaltamos o design, as cores vivas e a conectividade com as redes sociais. O grande destaque da linha é a WB250F, com suas lentes que possibilitam uma visão ampla do ambiente e registram cada detalhe”, pontua o executivo.
Já a Fujifilm apoia-se no nicho de câmeras semiprofissionais e apresenta ferramentas focadas na experiência de uso, destacando a qualidade das imagens como ponto central. “Procuramos oferecer diferenciais como o acabamento em alumínio e o design diferenciado, mas é a tecnologia a nossa principal questão. Temos o sensor X-Trans, que possibilita uma qualidade de imagem comparável a de equipamentos sofisticados, e contamos com as lentes Fujinon”, expõe Botelho. Entre os produtos do portfólio da companhia estão os modelos X-M1, equipado com sensor APS-C X-Trans CMOS e matriz de filtro de cores exclusiva, a câmera X100S, que tem visor híbrido de maior definição, além de processador EXR II e sensor APS-C X-Trans CMOS II de 16,3Mp, e o aparelho X20, com o recém-desenvolvido Visor Ótico Avançado, que, entre outras informações, exibe velocidade do obturador, ISO e área de foco. Completam a lista as câmeras XF1, com monitor de LCD de 3” e ISO 12800, e X-E1, aparelho que inclui visor eletrônico OLED e capacidade de fotografar sob baixa luminosidade.
Para a Panasonic, o objetivo é entregar soluções com recursos focados na satisfação do usuário, como a edição de fotos na própria câmera e sistemas que alavanquem a qualidade de imagem e zoom além do oferecido pelos dispositivos móveis. “No segmento de compactas, a novidade é a XS1, modelo fino, com 5x de zoom e grande angular de 24mm. Em relação as câmeras bridges ou high zoom, temos a FZ60, com 24x de zoom óptico e 48x de zoom inteligente, além de viewfinder, sensor MOS de alta sensibilidade e filmagem em full HD, e a LZ30, que tem ampliação ótica de 35x e dez opções de controle criativo. Já para os consumidores que buscam qualidade de imagem e câmeras profissionais, continuamos com a série G mirrorless, com o sistema de lentes micro four thirds”, conta Marques, que reforça como diferencial da marca a presença das lentes Leica, em modelos para quem já possui conhecimento em fotografia.
A BenQ, por sua vez, pretende explorar os recursos não atendidos pelos dispositivos móveis, como alto zoom óptico, Wi-Fi, produtos full HD e serviços agregados como icloud, para se fixar no segmento. No Brasil, o grupo disponibiliza modelos mid-high end. Para o diretor Comercial da empresa, a expectativa é, no futuro, colocar os produtos entre os líderes do setor. Além disso, o executivo complementa destacando a qualidade em itens como lentes e sensores. “Apresentamos ao mercado nossas câmeras digitais semiprofissionais GH650 e GH800, com 36x de ganho ótico. E, também, uma câmera compacta LH500, que tem alto zoom de até 24x”, resume Café.
NOVOS RECURSOS, TAMBÉM PARA OS CANAIS
Novos recursos e desenvolvimento constante das tecnologias são as estratégias utilizadas pelas fabricantes para atrair o público, mas também podem ser importantes aliados dos canais. Esta é a opinião de Café, da BenQ, que aponta à apresentação do valor agregado de cada função e produto aos consumidores como chave para o sucesso das revendas no setor.
Já para a Samsung, o momento é de aposta em um mercado mais maduro, com clientes que desejam produtos mais sofisticados e que investirão, também, em acessórios e serviços complementares. De acordo com Onorato, as Smart Cameras possibilitam múltiplas oportunidades de negócio. “Câmeras conectadas inauguram um novo mercado, bastante amplo. Imagine a chance de armazenar suas fotos na nuvem para compartilhar com qualquer outro produto conectado, como uma Smart TV. Ou, ainda, o mercado de acessórios e lentes para câmeras CSC, que também deve crescer consideravelmente. Os canais devem se preparar para um mercado mais maduro e uma realidade completamente diferente”, prevê o executivo. De olho nessa possibilidade, a empresa pretende ampliar sua participação junto às revendas, ao longo do ano de 2013. “Pretendemos oferecer soluções customizadas para o canal especializado em fotografia”, completa o gerente.
Explorar as novidades em relação à experiência de uso. Essa é a dica de Marques, da Panasonic, que destaca a transformação do perfil de consumidores. “Hoje, o mercado está migrando para um novo perfil de consumidor e este tipo de experiência fortalece e facilita o processo de venda”, avalia. Para reforçar os produtos e tendências junto aos parceiros, a empresa japonesa oferece treinamentos online ou presenciais para aumentar o conhecimento dos recursos a serem explorados no ponto de venda.
A Fujifilm também disponibiliza atenção especial aos canais. A fabricante mantém uma equipe focada nos pontos de venda, com atendimento diferenciado, habilitada para ministrar treinamentos tanto em tecnologia, quanto em soluções para fomentar cada vez mais novas oportunidades de negócios.
O mercado das câmeras fotográficas está em constante transformação com, cada vez mais, ferramentas. Agora, além de fotografar, é possível escolher as configurações certas para cada instante. Além disso, pode-se editar e compartilhar os momentos importantes a qualquer hora. Por isso, os canais precisam ficar atentos às novidades, com atualizações constantes. Afinal de contas, é preciso entender as demandas para explorar as possibilidades de negócios.
CÂMERAS DE AÇÃO GANHAM ESPAÇO NO SETOR
Se a presença dos smartphones e tablets provocou intensas mudanças no consumo das câmeras digitais, o setor de câmeras de ação vive o aquecimento de seus negócios no país. Com novos modelos sendo lançados no Brasil, o segmento tem ganhado adeptos e atraído a atenção de canais em todo o território nacional.
É nesse conjunto que a DBTrends, importadora das câmeras XTrax, aposta. Para Amaury Carvalho, gerente de Marketing da companhia, este é um nicho em franca expansão e que abrange, além de fotógrafos, consumidores ligados a esportes, eletrônicos, pesca, produtoras, entre outros. “O Brasil possui muitas possibilidades a serem exploradas. Além de ser um país em que as condições climáticas propiciam a prática de muitos esportes, ainda sente falta deste tipo de tecnologia”, avalia.
Atualmente, a XTRAX é comercializada para canais que possuem retorno de esportistas de alta performance, atletas ocasionais, e profissionais. Entre os produtos, a empresa apresentou, recentemente, a câmera SD21, que possui tecnologia destinada à gravação em ambientes extremos, com recursos para filmagens em FullHD, função G-sensor, que aciona o equipamento por movimento, LCD, dez itens de fixação, case resistente à água, controle remoto e flip de 180°, para manter estável a gravação. Além disso, traz bateria adicional de longa duração e sensor de imagens CMOS 8Mp.
Para expandir a novidade, Carvalho destaca que a DBTrends oferece treinamentos especiais e também está captando novos parceiros. “A demanda vem aumentando significativamente e, por isso, estamos cadastrando novos representantes e canais em todo Brasil. Nossa ideia é traçar uma comunicação regionalizada dando foco e apoio comercial e de marketing de acordo com a necessidade e realidade de cada região”, ressalta o executivo.

