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Tendências

Cloud Computing

Fernanda Miranda

Publicado em 10/03/2011 às 12:20

A nuvem que veio para ficar


 Atualmente é comum ouvirmos falar em uma nuvem que ronda a tecnologia da informação. Porém, é mais comum ainda surgirem muitas dúvidas e indagações sobre ela. Será que reduz mesmo os custos e mão de obra? Quanta informação podemos guardar nela? Como é seu funcionamento? E quanto à segurança? Por essas e outras tantas conversamos com diversas empresas para saber um pouco mais e tentar sanar as dúvidas sobre o assunto do momento: Cloud Computing.



 Ao falar na nuvem mais famosa da área de TI, o Cloud Computing, é comum certo receio por parte das empresas. Não é à toa que a tecnologia da informação passa por momentos de transformação provocados pelo Cloud. Hoje em dia, qualquer pessoa pode contratar aplicativos e serviços baseados na nuvem apenas com alguns cliques no mouse.



De acordo com o Gartner, foi realizada uma pesquisa que revela um ranking de dez prioridades nos segmentos de negócios e estratégias de TI elencadas por mais de dois mil executivos no mundo. Entre as maiores prioridades nos negócios, estão: crescimento da empresa, atrair e reter novos clientes, redução de custos, criação de novos produtos e serviços (inovação), melhoria nos  processos, implementação e atualização de aplicativos, melhoria da infraestrutura técnica, eficiência da empresa, operações e continuidade do negócio de risco e segurança. Já as dez prioridades tecnológicas são: Cloud Computing, Virtualização, Tecnologias Móveis, Gerenciamento de TI, Business Inteligence, Rede de Voz e Comunicação de Dados, Aplicações Corporativas, Tecnologias Colaborativas, Infraestrutura e Web 2.0. Neste panorama, os CIOs esperam adotar os serviços na nuvem de dados de forma mais rápida que o esperado. Atualmente, 3% das corporações possuem a maioria da sua TI no Cloud Computing. Porém, ao longo de quatro anos, os CIOs acreditam que este número aumente para 43%.



Para o IDC, a virtualização é vista como a terceira prioridade de investimento dos executivos na América Latina. O uso da computação em nuvem é muito útil às empresas grandes ou em crescimento, pois podem inovar tecnologicamente, assim como ter acesso a um conjunto de recursos configuráveis (rede, servidores, armazenamento, aplicativos e serviços). Com isso, as empresas se beneficiam da facilidade na execução e no rápido fornecimento de aplicativos com mínima administração e manutenção de TI.



A Oracle, por exemplo, já lançou uma infraestrutura para Cloud visando a adequação dos padrões de mercado via upgrades de software e uma robustez de arquitetura que permite segurança, disponibilidade, performance e elasticidade de recursos, o Oracle Exalogic Elastic Cloud. Para a empresa, o Cloud Computing é uma das tecnologias que mais está chamando a atenção dos CIOs em todo mundo, mas a adoção está sendo bastante conservadora especialmente porque os padrões de interligação e compartilhamento de informações entre os Clouds (sejam de fornecedores distintos ou privada do cliente que precisa se comunicar com o Cloud contratado) ainda estão sendo definidas.



De acordo com o diretor de Consultoria de Vendas de Sistemas da Oracle do Brasil, Boris Kuszka, as vantagens que a empresa vê nas implementações atuais assemelham-se às vantagens do outsourcing apenas com maiores flexibilidades. “Veremos aumentar as vantagens quando tivermos uma automatização maior para disponibilizar a infraestrutura para o cliente final”, explica o executivo. A empresa está ciente também de que os riscos envolvidos dependem do fornecedor da nuvem e das tecnologias utilizadas. “A Oracle tem tecnologias de criptografia nas soluções de HW (co-processadores de criptografia nos servidores, criptografia nativa nos tape-drives) e SW que asseguram que os dados só podem ser acessados por quem tem autorização”, comenta Boris.



Entre outros benefícios, o uso da nuvem permite que as empresas possam utilizá-la para o abastecimento de novos serviços em um prazo de apenas uma semana ou, em certos casos, em menos de 24 horas. Além de reduzir significativamente os custos e propiciar inovação empresarial com maior facilidade e menores riscos. A CA Technologies está presente neste cenário como uma das empresas com um sistema que funciona em camada superior à camada de virtualização e permite a geração e controle de ambientes de nuvens públicas e privadas, colocando em Grid (modelo que alcança uma alta taxa de processamento dividindo as tarefas entre diversas máquinas, podendo ser em rede local ou rede de longa distância), não só servidores, mas também redes e storage. Para o vice-presidente da unidade de Negócios de Virtualização, Gerência de Serviços e Automação da CA Technologies para a América Latina, Rosano Moraes, a empresa está trabalhando desta forma no Brasil e no mundo. “Obtivemos sucesso devido à inovação e aos benefícios como facilidade de entrega de novos ambientes por provedores (time to market), melhor utilização dos recursos e a facilidade de controle desses ambientes, pois com o Grid essa estrutura permite aos provedores uma oferta de Cloud sem nenhuma intervenção manual para geração de ambientes”, explica. As empresas precisam ter a revenda certa, aquela que entende os princípios e entrega a melhor solução de Cloud, a começar por ambientes menos complexos para aumento de confiança e depois para a migração de elementos mais críticos. “O primeiro cliente para o mercado de Cloud é o segmento SMB, que pode transferir suas operações de TI ou parte delas para uma estrutura especializada, flexível e com um conjunto de profissionais gabaritados a um custo muito menor”, comenta Rosano.



Para a diretora Comercial da CNT Brasil, Fany Lupion, adotar a nuvem é financeiramente melhor para as empresas que realmente conhecem seus custos de TI. No Brasil, somente as grandes empresas acompanham bem seus custos; as médias e pequenas têm dificuldade de acompanhá-los por falta de parâmetro comparativo. “O modelo Cloud permite que as empresas mantenham foco nos negócios. A tecnologia da informação tornou-se uma ferramenta essencial para qualquer mercado, no entanto, muitas vezes ela é mais complexa e onerosa do que o próprio negócio da empresa”, comenta Fany, que acrescenta que o sucesso de uma empresa está sempre atrelado ao foco e ao conhecimento do negócio e à produtividade. “Ao usar soluções cloud, sobra energia para a essência do negócio. Com TI, por exemplo, os data centers e provedores produzem tecnologia em escala, portanto, oferecem melhor relação custo beneficio”, diz a executiva.



As grandes empresas preferem adotar o conceito da nuvem privada como primeira opção para atender e melhor controlar a substituição de sistemas legados, reduzir custos de manutenção de TI e atender requerimentos para lançar novos produtos e serviços mais rápidos, o que lhes garante maior competitividade. Por outro lado, as empresas em crescimento percebem que sua vantagem está na adoção de soluções que lhes permitam agilizar o time to market de novos serviços. Ou seja, quase todas as organizações podem enfrentar e aliviar as pressões do negócio por meio do aplicativo de serviços em nuvem. O country manager da Proofpoint, Leonardo Bon, comenta que no exterior existem vários casos bem sucedidos na implementação do Cloud em especial o modelo SaaS Security. “Os benefícios são bastante significativos para tanto as empresas precisam vencer a inércia do modelo anterior e os fornecedores já devem estar capacitados para bem apresentar e suportar este novo modelo”, afirma Leonardo.



O Cloud Computing é uma realidade que há muito se fala, mas nos últimos dois anos, devido ao avanço da tecnologia, os limitadores técnicos praticamente não existem mais. Estamos em um momento de grandes mudanças, com muitas quebras de paradigmas. A tecnologia chega ao Brasil tão rápido quanto no exterior, mas nós estamos sempre presos às questões de infraestrutura. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, antes que a tecnologia estivesse 100% pronta, já existiam legislação, regras e modelos para vender e contratar TI como serviço. O Brasil ainda persiste em se limitar ao utilizar a nuvem. Devido a diversos fatores, o quesito segurança é a origem de todas as indagações. Para o analista do Gartner, Cassio Dreyfuss, o Cloud Computing ainda assusta pelo fato de não se saber o que está por trás do serviço que está sendo prestado. “Não se sabe de quem é o computador, o software, se as licenças foram compradas... A nuvem traz uma transformação muito grande para as empresas porque mudará a maneira de entregar soluções de TI para as organizações”, conta o executivo, que acrescenta: “Os CIOs brasileiros devem ser os porta-vozes desta bandeira e alavancar esta causa”. De acordo com o diretor de Marketing da Afina, Paulo Cardoso, tanto os fornecedores como os provedores devem promover o entendimento dos benefícios de contratação da modalidade na nuvem. “A revenda deve reinventar seu negócio, que de certa forma traz de volta a responsabilidade dos contratos de manutenção e gestão de redes como fatores críticos para a fidelização dos clientes e principalmente a visão de que esses fornecedores estão prontos para as novas tendências de contratação de serviços de tecnologia da informação”, comenta. De uma forma geral, as vantagens para a revenda estão na modalidade de contratação de serviços personalizados - onde as margens não virão mais da diferença entre compra e venda, mas sim dos termos e condições da contração de serviços onde o maior benefício pode ser a extensão -, e na perpetuação dos contratos de serviços com os clientes. 



Os dispositivos móveis como notebooks, netbooks, smartphones e tablets devem atrair novos investimentos na nuvem e, de acordo com estudos realizados pela Hostlocation, quinto maior webhosting do país, isso já reflete no modelo de negócios dos principais data centers brasileiros, principalmente de pequeno e médio porte. Paralelamente, uma pesquisa realizada pela IBM revelou que profissionais brasileiros de TI preveem que a computação móvel emergirá como a área de maior demanda para o desenvolvimento de aplicativos de software empresarial até 2015. Pelo estudo, até 2013 o setor deverá movimentar cerca de US$ 30 bilhões. A revenda que trabalha com softwares pode trabalhar com a computação em nuvem no formato SaaS. Contudo, o modelo não muda, pois não se vende mais a licença por uso, e sim por transações, por terabytes, ou qualquer outro modo.



A McAfee oferece treinamento, tanto online quanto presencial aos seus parceiros, qualificando seu time de vendas e técnico a oferecer o mais completo portfólio de cloud do mercado. “Se o fornecedor oferece toda a estrutura e o serviço, o revendedor precisa adicionar pouco valor na cadeia. Por um lado, ele facilita a entrada neste segmento, porém perde-se a oportunidade de aumentar a margem do negócio, o que é comum quando se oferece serviço agregado. O ideal é que o revendedor se prepare com profissionais capacitados e uma infraestrutura condizente a um prestador de serviço e não apenas uma revenda”, afirmam Felipe Canalle, diretor de Canais e José Roberto de Oliveira Antunes, gerente de Engenharia de Sistemas da McAfee. Atualmente percebemos que as empresas se não estão comprando este tipo de solução na nuvem em um primeiro momento, ao menos estão solicitando propostas para comparar com a aquisição de produto e, assim, avaliam a questão de redução de custos com uma solução SaaS. Pelo lado da revenda, como toda prestação de serviço, as margens são maiores em oferta na nuvem (chega a ser o dobro em muitos casos) em relação à venda de um produto, pois há muito mais possibilidades do revendedor adicionar valor na proposta. O parceiro, assim, deixa de ser revendedor para tornar-se um provedor de serviços. Para o diretor de Marketing da Winco/AVG Brasil, Mariano Sumrell, o conceito Cloud não é novidade, o que mudou foi a intensidade do uso e a variedade de aplicações disponíveis na nuvem. “Os fornecedores e provedores devem oferecer cada vez mais produtos nas nuvens. Cada cliente tem as suas necessidades e o tempo certo de fazer essa mudança”, diz Mariano. Já Marcos Prado, gerente de Desenvolvimento de Canais da Websense para a América Latina, acrescenta que ainda existem itens a se trabalhar como, por exemplo, a questão da infraestrutura no acesso a essas tecnologias no que se refere a velocidade e custo dos links de acesso, bastante acessíveis em mercados maduros como Estados Unidos e Europa, mas ainda caros no Brasil e principalmente no restante da América Latina.



No Brasil encontramos diversos fornecedores com ofertas de serviços de Cloud com grande sucesso, e essa tendência não para de crescer. De forma geral, as tecnologias novas evoluem no seguinte ciclo: no início cria-se uma expectativa muito grande sobre as promessas e possibilidades dessa tecnologia. Em seguida vêm as implementações e surgem as limitações e dificuldades. E no momento seguinte, vem o crescimento sustentado, fruto de um amadurecimento da tecnologia e do melhor conhecimento de suas aplicações. De acordo com o diretor de Canais da Citrix Brasil, Luis Picinini, o  fornecedor deve demonstrar ao cliente não apenas os benefícios que a migração traz para a nuvem, mas também apresentar as soluções que reduzem os riscos que podem estar na mente do CIO. “Segurança, mobilidade, desempenho e disponibilidade, por exemplo, são temas que precisam ser abordados para esclarecer as incertezas geradas por uma mudança”, explica o executivo. Já o gerente de Canais da F5 Networks, Daniel Kanaoka, ressalta um ponto importante que é orientar e esclarecer sobre os reais benefícios do Cloud Computing, o que não é uma tarefa fácil, dependendo do nível de maturidade do mercado. “No caso do Brasil, notamos um aumento bastante consistente no nível de investimento, no entanto ainda muito direcionado a infraestrutura básica, com algum direcionamento à inteligência e Cloud. Em outros mercados esta relação é inversa (mais investimento em inteligência, menos em infraestrutura)”, diz. Segurança está diretamente ligada à confiança. Se os sistemas de segurança não forem adequados, remodelados para esse novo momento de mercado, tudo cai por água abaixo. Isso quando se fala amplamente em segurança, não apenas pensando em segurança de dados, mas também de disponibilidade e de acessibilidade.



Humberto Vieites, diretor de Ecossistemas e Parceiros da SAP Brasil, acredita que o Cloud Computing será muito mais do que uma tendência. “Hoje a maior preocupação está na segurança da informação que a empresa coloca na nuvem. Quando temos uma instalação própria nós definimos a segurança. Na nuvem, essa segurança depende do fornecedor e não está em nossas mãos. Poderíamos então pensar que a segurança deveria estar na aplicação, mas de fato muitas aplicações não estão preparadas”, explica. Para ele, a nuvem vai ser uma tecnologia de vasto uso no mercado de TI para grandes, médias e pequenas empresas.  Para Tatiana Carvalhinha, gerente de Marketing e Negócios da D-SaaS, qualquer empresa hoje pode migrar o uso das tecnologias utilizadas para nuvem. Basta identificar exatamente quais suas reais necessidades em relação a usabilidade das aplicações e buscar uma fabricante que atenda. Segundo a executiva, a atenção é apenas para qual fabricante escolher e quais as reais necessidades que a aplicação deve ter. “Um revendedor ou canal de venda pode buscar distribuidoras que tenham em seu portfólio soluções baseadas em Cloud. Os canais que já as oferecem perceberam o quanto esta oferta é lucrativa, abrindo assim novos mercados e fidelizando clientes já existentes”, comenta.



Para a revenda há uma oportunidade de venda de soluções e execução de serviços neste novo ambiente, onde as necessidades de segurança, performance e alta disponibilidade são prioritárias. Liu Peng, diretor Sênior da Huawei Symantec do Brasil, conta que o benefício para uma empresa que migra para o Cloud Computing é um menor TCO (Custo Total de Propriedade). Além disso, pode-se dizer também que a simplificação do gerenciamento, a alavancagem da utilização de recursos e a melhoria da padronização do sistema de TI são contribuições fundamentais da nuvem. “Os três passos básicos são: centralização (onde as aplicações e os dados devem ficar no mesmo local físico); virtualização para uma otimização dos recursos e Cloud, levando-se em conta os requisitos de segurança e acesso às aplicações”, explica.



As SMB’s estão aptas a utilizar o Cloud Computing. O compartilhamento dos recursos oferecidos no Cloud viabiliza financeiramente esta operação, proporcionando o acesso a serviços seguros, sem interrupção e com performance. Maior agilidade, menor custo, flexibilidade para atender a demanda de negócio e melhor utilização de recursos. Os provedores e fornecedores precisam estar unidos para exercer pressão sobre os órgãos competentes para a criação de uma legislação própria, ter velocidade no julgamento dos processos e das penas e viabilizar Internet segura e menor custo. Deve-se instigar os clientes a analisar as vantagens financeiras do novo modelo. E, claro, instruir e preparar o canal para esse novo modelo de negócio e momento da tecnologia. As empresas devem acelerar as definições dos padrões de interligação e compartilhamento da informação, e garantir a segurança e confidencialidade das mesmas. A partir daí entendemos a importância de se adotar uma nova infraestrutura e operações tecnológicas, principalmente baseadas em serviços de Cloud Computing e virtualização, pois ambas foram destacadas como meios viáveis em prol da redução de custos em TI. Os revendedores devem se preparar para oferecer softwares que disponibilizem modelos de Cloud de forma rápida e flexível. Criar nuvens privadas e portais de acesso para consumo de CPU, memória, rede, etc, que podem ser faturados sob demanda é uma crescente necessidade dos usuários das diversas indústrias assim como dos provedores de serviços que as servem. Atender a ambos e integrá-los é muito importante. A revenda assume o papel do especialista na geração de ambientes Cloud para clientes e provedores, disponibilizando novos negócios, flexibilidade e maior disponibilidade ao cliente final. As margens das revendas com as melhores tecnologias tendem a crescer diante de uma forte demanda de mercado por soluções que viabilizem o ambiente. Para as empresas que já adotaram essa modalidade de contratação de tecnologia, os benefícios têm sido percebidos principalmente nas questões relativas à atualização de versões de aplicativos e dispositivos, economia na capacitação e formação de profissionais para operação e gestão das soluções instaladas e, principalmente, na constante evolução das funcionalidades e atualizações das soluções terceirizadas. Os parceiros comerciais, no caso as revendas, têm muito a ganhar. Obviamente, terão de se aprimorar e se preparar para o novo momento do mercado, o que não é novidade. A nuvem está passando com jeito de que veio para ficar. Cabe a todos estarem preparados para algo que não é novidade, mas que já poderá mudar para sempre o futuro da Tecnologia.