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Tendências

Computação em nuvem

Marcello Almeida

Publicado em 05/10/2012 às 09:54

Solução que caminha a passos largos


A cloud (nuvem) está entre nós, sem ao menos darmos conta. Agora, cabem às empresas decidirem por qual modelo adotar. A única certeza é que em um futuro próximo, a nuvem passará a ser ainda mais comum e fará parte do nosso dia a dia, assim como é a mobilidade.



 



“Sua empresa está na nuvem”? Com esta pergunta, muito comum hoje em dia entre os profissionais de TI, percebe-se que muitos ainda não chegaram a uma resposta definitiva. Alguns ainda esperam para ver o que acontecerá nos próximos meses. Outros, pelo contrário, adotaram e aos poucos vão colhendo os frutos desta inovação. Os profissionais da área concordam que este é um caminho sem volta e que não como parar essa evolução.



Naedição do Cloud Computing Evolution 2012, realizada em São Paulo, especialistas no assunto abordaram a experiência dentro de suas respectivas empresas e o que ainda falta, na visão deles, para tornar a nuvem em algo rentável e seguro para PMEs e até mesmo às grandes corporações. “Como o tema ainda é muito novo no mercado brasileiro, existe alguma desconfiança e incertezas em relação não a segurança, mas também à confiabilidade da nuvem”, destaca Daniel Aviz, especialista em Segurança da Informação das Pernambucanas.



No passado, o ativo de uma empresa era considerado como um bem tangível mas hoje uma informação pode valer até mais do que um produto, sendo, muitas vezes, de alta volatilidade. Tal fato se explica à necessidade de estudar, ver, rever, e reconsiderar uma vez mais as cláusulas jurídicas na hora de se fechar um contrato de nuvem. Saber buscar o parceiro correto que ofereça segurança, compatibilidade entre ambos e que mantenha os dados da sua empresa, acima de tudo, seguros.



“As fabricantes terão que oferecer produtos confiáveis e os provedores, por sua vez, garantirem a segurança dessas nuvens. E para que isso aconteça, estão se adaptando cada vez mais às questões tanto físicas como legais. Eu diria que é um processo de curto a médio prazo para que se resolvam essas dúvidas, até um certo ponto pertinentes, quanto a segurança das informações colocadas na nuvem”, pondera Fernando Nakamura, gerente de Vendas da Citrix.



Para Frank Meylan, da KPMG, a cloud é uma excelente oportunidade de negócios que deve ser investigada e explorada. “São benefícios que vão desde a especialização em um serviço mais abrangente, inteligente e eficaz e com um custo operacional menor com o que se atualmente, como compras de licenças de softwares, manutenção de determinadas infraestruturas e custo com pessoal qualificado para administração dessas tarefas”, analisa Meylan. “As empresas estão muito receptivas ao conceito cloud, pois entendem que vão ganhar muito em flexibilidade e escala de negócios, que ficam muito mais competitivas com este novo tipo de tecnologia”, complementa Nakamura, da Citrix.



Em uma pesquisa realizada pela Wakefield Research, encomendada pela Citrix, apontou-se que 95% dos americanos afirmaram nunca terem usado a nuvem. Neste contexto entra um fato curioso: as pessoas estão usando a nuvem, em um número cada vez maior, sem ao menos se darem conta. Muitos utilizam os serviços em nuvem através de compras online, serviços bancários online, redes sociais e compartilhamento de arquivos. Ou seja, é algo contraditório.



Recentemente, a Cisco e a EMC anunciaram uma colaboração para ajudar a acelerar a transformação da área de TI oferecendo aos clientes a escolha e flexibilidade por meio de três caminhos para a nuveminfraestrutura de design customizado, arquiteturas de referência validadas e infraestrutura convergida pré-integrada. As empresas apresentaram novas arquiteturas conjuntas de referência, incentivos alinhados de parceiros de canal e suporte integrado ao cliente para acelerar o caminho dos clientes para a nuvem.



“A Cisco está apostando que o mercado como um todo está caminhando bem rápido para soluções de cloud nas diferentes camadas que existem. A velocidade da adoção vai depender muito do segmento e também da capacidade dos clientes de enxergarem os seus benefícios. A Cisco, como empresa, está voltando todos os esforços para a montagem não apenas de pacotes e soluções de negócios que se tornem atrativos para os clientes, mas fazendo com que nossos parceiros fiquem cada vez mais capacitados a comercializarem as soluções em nuvem”, afirma Leonardo da Cunha Pinheiro, diretor de Serviços Gerenciados e Cloud da Cisco.



 Entre os subconjuntos da computação em nuvem, encontra-se o SaaS (software como serviço),  o IaaS (infraestrutura como serviço), servidor acessível remotamente e o PaaS (plataforma como serviço), que permite aos desenvolvedores construirem e implementarem aplicativos da web em uma infraestrutura hospedada. Para o diretor Comercial da Central Server, Rui Suzuki, as PMEs estão entre as que mais podem se beneficiar com a nova adequação de serviços oferecidos. Ele acredita que os investimentos passam a ser dimensionados de maneira correta com a utilização da nuvem, sem desperdícios financeiros. “A cloud trouxe, entre outros benefícios, a disponibilidade e a flexibilidade, além, obviamente do grande diferencial que é a redução de custos de acordo com a necessidade do que será implementado”, diz Suzuki. Para o executivo, o maior custo de uma cloud, de uso exclusivo de uma única empresa, é o storage (armazenagem), mas hoje existem soluções em que é possível colocar uma área de disco num storage e definir qual será a sua performance, ou seja, define-se previamente a capacidade e o quanto será usado, pagando-se de acordo com o que for utilizado.



Para Claudio Tancredi, diretor de Computação em Nuvem para América Latina da SAP, a rapidez de implementação é umas das grandes vantagens. “Atualmente, empreendedores e investidores não podem esperar doze meses para ter um sistema de gestão implementado. As soluções de computação em nuvem chegam ao mercado para solucionar essa questão. Após 24 horas da assinatura do termo de adesão, as empresas podem utilizar as ferramentas e, caso haja necessidade de alguma integração ou ‘carga de dados’, o prazo para utilização é de apenas quatro semanas”, analisa o executivo.



Percebe-se entre as PMEs, que anteriormente levavam em média seis meses, até enfim utilizar efetivamente um software, hoje, levam em torno de duas a três semanas, com a possibilidade de fazer o uso de um software comprado como serviço. “Essa é a tendência de mercado: que as PMEs sejam as grandes beneficiárias da utilização da nuvem, assim como as grandes corporações o fazem. O mercado, como um todo, tende a ganhar com essa nova tecnologia”, acredita Tancredi, da SAP. Uma das características da computação em nuvem é essa: a possibilidade de oferecer elasticidade, permitindo com que empresas usem os recursos na quantidade que forem necessários, aumentando ou diminuindo a capacidade computacional de forma dinâmica. 



Soluções que o mercado oferece



A Locaweb lançou seus primeiros serviços de computação em nuvem em 2008 e desde então vem investindo constantemente no aprimoramento do produto. Porém, de dois anos para , a adoção desta tecnologia vem se acelerando em todos os portes e segmentos dentro da empresa. De acordo com Camila Kamimura, gerente de Marketing de produtos IaaS & PaaS da Locaweb, a computação em nuvem permitiu o nascimento de um novo modelo. “Passou-se a oferecer IaaS e eliminou-se a necessidade de investir na compra de equipamentos próprios, gastos com manutenção e atualização de hardware e software, sem falar dos riscos envolvidos nestas operações, que eram as preocupações de empreendedores e gestores de TI no momento da escolha das soluções e fornecedores”, analisa a executiva. “As empresas estão confiando mais na nuvem, passando a gestão de sua infraestrutura e cuidados com a segurança e integridade dos dados para provedores como a Locaweb”, conclui Camila.



A Oracle decidiu, sete anos, reconstruir todos os seus aplicativos para operar na nuvem. Recentemente, a empresa lançou o Oracle Public Cloud, entregue nos modelos Saas e PaaS. No primeiro caso, como o uso de um software em regime de utilização web e, no segundo, como uma plataforma de banco de dados, componentes de infraestrutura que permitem implementação e gerenciamento de aplicações sob medida. “Temos percebido que as áreas de negócios têm influenciado bastante as de TI para adoção da tecnologia na nuvem, o que tem sido uma surpresa bem interessante e que até bem pouco tempo atrás se pensava que era exatamente o contrário. É um movimento que não tem mais volta“, diz Jorge Toledo, diretor de Produtos de CRM da Oracle.



“Existem tendências como pagar apenas por aquilo que os clientes utilizam, como SaaS, para redução de custos, e ser capaz de tirar vantagem das funcionalidades mais atuais (tempo de velocidade e de valor) e, ainda, melhorar o sistema de confiabilidade e disponibilidade que dominam as conversas sobre serviços na nuvem”, analisa Manuel Meléndez, diretor de Serviços para América Latina da Kronos. Atualmente, a empresa conta com mais de 400 clientes utilizando seus serviços de nuvem. Números que se refletem em mais de dois milhões de pessoas que utilizam as plataformas de serviços Kronos Cloud diariamente.



Em uma pesquisa realizada pela IBM em conjunto com o Economist Intelligence Unit (EIU), com quase 600 executivos da área de TI e de linhas de negócios, mostrou-se que hoje 72% das empresas pesquisadas usam em certa escala a computação em nuvem e que, em três anos, este número subirá para 90%. Porém, o mais importante é que o nível de uso passará de 13% para 41%. Percebe-se que a nuvem pode ser uma arma poderosa e eficaz para prover uma transformação na área de TI e tem se disseminado de forma rápida.



Para Cezar Taurion, diretor de Novas Tecnologias Aplicadas da IBM Brasil, se chegou ao ponto de não ter mais sentido a pergunta se uma empresa irá ou não para a nuvem. ”O que cabe agora é saber quando e com qual velocidade irá. Na opinião de Taurion, a pergunta que deve ser feita pelos próprios executivos dentro das empresas é a seguinte: “Aonde queremos estar dentro de três ou cinco anos? E quem responder a esta pergunta e agir o mais rápido para que as inovações aconteçam, estará um passo à frente dos concorrentes”.



Cabe às empresas agora decidirem por qual modelo adotar, se pública, privada ou híbrida (parte das aplicações em nuvens privadas e o restante em nuvens públicas). A estratégia de uma empresa é que definirá qual será a melhor solução. “Essa etapa de discutir se a adoção da nuvem é um bom caminho, ficou para trás. Se pensarmos como o público de cloud está se consolidando, daqui a um ano ou dois, existam poucos negócios que não estejam de certa forma relacionados à nuvem”, afirma Toledo, da Oracle.



A VMware lançou no mercado o vCloud Suite, que se trata de uma solução de infraestrutura em nuvem abrangente e integrada que simplifica as operações de TI. Auxilia a atingir o gerenciamento de operações inteligentes, agilidade e eficiência. A solução está disponível em três versões: Standard, que permite acesso rápido e gerenciado a recursos virtuais; Advanced, que faz um gerenciamento proativo e automatizado do desempenho e da capacidade e Enterprise, que possibilita o controle e a responsabilidade, com gerenciamento de configuração.



A certificação aos canais faz parte de um processo essencial para o crescimento e proliferação da nuvem. “Nossos canais estão sendo treinados para que possam ajudar nossos clientes a se beneficiarem desse novo tipo de tecnologia. Percebemos que há uma demanda muito grande e a aceitação do mercado ao vCloud Suite, que permite a montagem de uma nuvem privada dentro de um datacenter, é compatível ao que os clientes necessitam nos dias de hoje”, explica André Andriolli, engenheiro de sistemas da VMware do Brasil.



Para André Ruiz, gerente de Estratégia e Programa de Canais da Microsoft, o mercado já está mais que preparado para receber a computação em nuvem. “O mercado está aquecido e receptivo, em pequenas, médias e grandes empresas. O ritmo de vendas e ativação de canais segue o padrão de mercados maduros sendo que temos triplicado o volume de canais ativos em serviços na nuvem a cada doze meses. As expectativas são muito promissoras e esperamos ter mais de três mil membros em nossos programas de serviços na nuvem até meados de 2013”, analisa Ruiz.



“Há riscos que devem ser observados e corretamente avaliados, entre os quais, a segurança da informação e o não cumprimento de legislações locais. Os riscos relacionados a impostos é algo extremamente importante e deve ser levado em consideração, pois dependendo do país onde for hospedado, terá uma determinada legislação tributária e no Brasil, isso não foge a regra”, comenta Meylan, da KPMG.



Uma pesquisa realizada pela Trend Micro com 200 grandes empresas do Brasil, mostrou que o mercado sinaliza um aumento na adoção da computação em nuvem, porém, mostra que a segurança continua sendo a principal questão. O percentual de empresas que reportaram falhas de segurança de dados ou problemas com seu serviço de nuvem aumentou de 43%, em 2011, para 46%, em 2012. O Brasil, ainda de acordo com a pesquisa, ficou em 2º lugar, atrás da Índia, apresentando a maior incidência de falhas ou questões de segurança e perda de dados. Para Miguel Macedo, diretor da Trend Micro no Brasil, esse é um mercado em crescimento no país. “As empresas brasileiras continuam investindo em segurança tradicional, mas já entenderam que os dados são móveis e precisam de uma proteção robusta que os acompanhe, independentemente de onde estejam. Há tempos as companhias nacionais olham com atenção e interesse para a computação em nuvem e temos visto avanços localmente. Nesse momento percebemos um processo acelerado de migração para a nuvem”, constata Macedo.



Entretanto, percebe-se bastante otimismo no mercado. “Não apenas em termos de armazenamento de dados, mas em todos os aspectos relacionados à infraestrutura, a computação em nuvem é um sucesso. As empresas precisam adquirir um sistema de armazenamento de dados para migrá-los sem a necessidade de adquirir servidores, banco de dados, sistemas operacionais, entre outros. Além disso, o local de armazenamento possui sistema de back-up, testes e desenvolvimento”, agrega Tancredi, da SAP.



Em um ponto, porém, a maioria dos especialistas em tecnologia concorda: o ambiente em nuvem é muito dinâmico e é recomendável avaliar a gestão das chaves de criptografia constantemente. Outro aspecto primordial é a garantia pelo provedor de reestabelecer o serviço no tempo desejado pelo cliente. Empresas que alteram entre picos de acesso em seus websites podem estar sujeitas a ficar “fora do ar” caso não se adequem e providenciem as ferramentas necessárias para evitar tal situação. É vital ter o controle de todo o processo para que nada fuja do alcance, tanto de quem fornece o serviço, como para quem o recebe. Transparência deve ser a chave do negócio. Pesar os prós e os contras antes de tomar a decisão final é altamente recomendável e a migração total ou parcial dos dados de uma empresa requer bastante critério. Na maioria dos casos, porém, o mais prudente é que a informação seja levada aos poucos, dizem os mais experientes.



 



O que é a computação em nuvem?



Computação em nuvem é uma categoria de soluções de computação na qual uma tecnologia e/ou serviço permite aos usuários acessarem recursos de computação sob demanda, sejam os recursos físicos ou virtuais, dedicados ou compartilhados, independentemente de como eles são acessados (por meio de uma conexão direta, LAN, WAN ou Internet). Normalmente, a nuvem é caracterizada por interfaces de autoatendimento que permitem aos clientes adquirirem recursos quando e pelo tempo que for necessário. A nuvem também é o conceito que está por trás da construção de serviços de TI que agregam a vantagem do poder cada vez maior de servidores e tecnologias de virtualização. A importância da computação em nuvem reside no potencial de poupar custos de investimento em infraestrutura, tempo no desenvolvimento e implementação de aplicativos e gastos adicionais com alocação de recursos.



 



Quais são as diferenças básicas entre uma nuvem pública, privada e híbrida?



Em geral, uma nuvem pública (externa) é um ambiente que existe fora do firewall de uma empresa. Ela pode ser um serviço oferecido por um fornecedor terceirizado. Ela também pode ser referida como uma infraestrutura virtualizada compartilhada ou multi-tenant, gerenciada por meio de um portal de autoatendimento.



Uma nuvem privada (interna) reproduz os modelos de entrega de uma nuvem pública e faz isso atrás de um firewall para o benefício exclusivo de uma organização e seus clientes. A interface de gerenciamento de autoatendimento ainda existe enquanto os recursos de infraestrutura de TI que estão sendo coletados são internos.



Em um ambiente de nuvem híbrida, os serviços externos são aproveitados para estender ou complementar uma nuvem interna.