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Especial

Dados: quem guarda tem

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Publicado em 09/10/2008 às 19:28

Tecnologia de armazenamento cresce com maior circulação de informações digitais

Com o crescimento da quantidade de informações virtuais em circulação hoje, nas empresas e nos lares, clientes corporativos e domésticos passam a atentar bem mais para a necessidade de armazenamento organizado de seus dados digitais. Só para se ter uma idéia, a IDC prevê que em 2011 a quantidade de informações geradas atingirá a grandeza de 1.800 hexabytes, praticamente o dobro da capacidade de armazenamento criada até lá. “A projeção de 2006 a 2010 era de 600% de crescimento mundial, mas o comportamento pode ser replicado para o Brasil”, diz Ricardo Miyaki, gerente de produtos storage da Dell.

 

O mercado mundial de storage, conforme dados divulgados pelo Gartner, chegou a 10,6 bilhões de dólares no ano passado, 12% maior do que em 2006, turbinado pelo crescimento em sistemas de backup e recovery, bem como de cópia de dados. E o crescimento deve se acelerar, chegando à média de 53% anuais até 2012, quando, segundo a IDC, as soluções de storage movimentarão 34 bilhões de dólares ao redor do globo. No Brasil, segundo André Bonacossa, gerente de storage da IBM Brasil, o mercado alcança este ano faturamento entre 700 e 750 milhões de dólares, de acordo com estimativas da IDC referentes ao segmento de discos externos, sem incluir fitas. “A previsão era de crescimento este ano entre 5% e 6%”, diz o executivo.

 

Nesta seara, o Brasil tem desempenho bem diferente de acordo com o perfil do usuário. De um lado, as grandes corporações adotam soluções de ponta, muitas vezes de forma pioneira. “Equipamentos recém-lançados muitas vezes têm suas maiores negociações no país”, atesta Samuel Xavier, gerente da Brocade para a América Latina. Já a camada das pequenas e médias empresas demorou um pouco, mas começa a despertar para os benefícios do storage. O mesmo ocorre com os usuários domésticos. Os responsáveis são o desenvolvimento tecnológico, que coloca à disposição de organizações de menor porte as vantagens antes restritas a grandes corporações, e a queda dos preços.

 

“A mesma tecnologia que disponibilizamos para as maiores empresas vamos disponibilizar para os pequenos, só que com outro tamanho”, diz Xavier. “Há dois anos, adquirir um HD externo para um notebook custava por aqui quase quatro vezes mais do que nos Estados Unidos”, registra Ronaldo Miranda, diretor de TI da Samsung. “Agora está praticamente equiparado.”

 

Gerenciamento e economia

A gestão otimizada dos dados e a economia – de espaço, energia e recursos – estão marcando as ofertas para o setor. A IBM, que recentemente adquiriu a Diligent Technologies, a israelense XIV e a FilesX para completar seu portfólio, trabalha com a visão New Enterprise Datacenter incitando as empresas a trocarem ilhas de computação fragmentadas por um conceito mais eficiente, dinâmico e responsivo sustentado por compliance, disponibilidade, retenção e segurança da informação e pela preocupação com TI verde. “A hierarquização das informações permite melhor gerenciamento e otimização do consumo. O uso de fita consome metade da energia”, diz Bonacossa.

 

A virtualização e otimização dos dados por deduplicação também está na pauta da IBM e de outros fornecedores. A NetApp, segundo Matt Gharegozlou, diretor geral da NetApp para a América Latina e Caribe, além de “jogar bem” com empresas que virtualizam servidores, oferece soluções de armazenamento, inclusive da concorrência. “O custo baixa bastante em ambiente virtualizado”, diz o executivo. “No mínimo 50%, considerando a redução de discos, servidores, espaço e pessoas.” Para a Sun, que apresenta nos próximos dias suas ofertas de tecnologia em estado sólido (SSD), segundo seu gerente senior da área de storage Fabio Conti, a virtualização deriva do conceito de servidor de storage e segue a tendência de criação de novas tecnologias de armazenamento para “sair de disco e fita”, diz ele. “Pode ser servidor, área ou sistema de armazenamento com capacidade de processamento”, descreve. Os novos produtos SSD já são resultantes da unificação entre as áreas de Servidores e Storage da companhia, promovida desde o ano passado. “A disponibilidade das informações depende destas áreas e tende a crescer com a sinergia”, explica Conti.

 

Na Dell, que aposta em simplificação técnica, modularidade para suportar a necessidade de crescimento e um portfólio com mais de 30 modelos diferentes de soluções de armazenamento, Miyaki também observa a identificação, pelo mercado, da relação servidor-storage quando o tema é disponibilidade, armazenamento e recuperação dos dados. Segundo ele, a proporção de vendas de storage em relação a servidores mais que duplicou em três anos. Além do CX4, solução de alto desempenho que ganha nova série até o fim do ano e suporta o uso de discos em estado sólido, com arquitetura otimizada para ambientes virtualizados e capacidade de até 960 discos resultante da parceria com a EMC, Miyaki destaca o Power Vault RD 1000, com disco ejetável, e a solução EqualLogic, empresa adquirida este ano, cuja instalação e configuração consome pouco mais de meia hora.

 

Facilitar é uma das palavras de ordem do segmento. A HP, que tem portfólio completo, mira os pequenos negócios com o All in One, produto de pequeno porte voltado à simplificação do ambiente e do gerenciamento. “A instalação e a gestão não exigem conhecimentos específicos de storage”, diz a gerente de marketing Andréa Corrêa. No fim da linha, a facilidade vai se traduzir por storage como serviço como o armazenamento online, segmento que segundo a IDC pode alcançar 715 milhões de dólares ao redor do mundo até 2011. A HP entrou no mercado este ano com o HP Upline e a Microsoft, com o Sky Drive. No Brasil, entretanto, as iniciativas são incipientes. A IBM, que adquiriu a empresa de serviços de storage Novus CG, está se estruturando para capturar parte do mercado que quer não apenas comprar storage completo como serviço, mas serviços relacionados a storage. “Ainda este ano devemos ter estrutura montada junto à organização de serviço da companhia e ofertas disponíveis”, diz Bonacossa.

 

Na Hitachi, segundo o diretor de canais e alianças Airton Pinto, a iniciativa de destaque foi o lançamento do PBM (sigla em inglês para gerência baseada em políticas), um software criado para simplificar, automatizar e alinhar as aplicações às necessidades de negócios das empresas. A idéia da fornecedora é lançar mão da tecnologia de virtualização para permitir a transformação de um ambiente heterogêneo em um pool de armazenamento que pode ser classificado em camadas de acordo com o tempo de resposta necessário para cada aplicativo. “O PBM permite criar e automatizar políticas”, define Airton. “Só é possível adquirir storage como serviço se alinhar a necessidade da aplicação com o storage correto.”

 

 

Produção local

A inclusão de equipamentos de storage na Lei de Informática permitiu que o Brasil fosse eleito este ano pela EMC como local para produção terceirizada para a Celestica, que produz equipamentos para a marca em outros países. A perspectiva anunciada pela empresa, além de dobrar suas vendas em um ano, era de queda de preços dos equipamentos no país em torno de 10% e maior velocidade na chegada dos produtos ao mercado, facilitando o acesso de pequenas e médias empresas às soluções EMC.

A Samsung fabrica há cinco anos HDs no Brasil com foco em O&M – para desktop, de 80 GB a 1 TB, e para notes, de 120 GB até 320 GB. Em maio deste ano, teve de dobrar a capacidade de produção para algo entre 6 e 7 milhões de unidades para atender a demanda – e já se aproxima mais uma vez de seu limite.

 

Explosão na demanda por discos externos

O diretor de tecnologia da Samsung, Ronaldo Miranda, observa que novas variáveis estão impactando o mercado brasileiro, como necessidade de storage externo para note, PC e redes. “Pequenas empresas começam a usar storages de um ou dois terabytes”, registra. O crescimento da demanda também é registrado por Alex Surin, gerente de vendas América do Sul da Western Digital, que oferece a linha MyBook com dois discos em um case, com capacidade de 320 GB a 2 TB – a empresa já elabora uma solução com capacidade para até 4 discos de 1 TB cada. A Seagate, que recentemente lançou o primeiro disco rígido do mundo com 1 TB, também investiu nesta seara. Este ano, apresentou no país produtos e soluções externas como a linha Maxtor OneTouch 4, com conexão USB e FireWire e software de backup automático, e o disco externo FreeAgent Pro de 1 TB. “Uma das preocupações da empresa é a redução de consumo de energia e ruídos”, diz Carlos Valero, gerente de produto e tecnologia para o Brasil e Mercosul.