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Estratégia

De lá para cá

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Publicado em 12/03/2010 às 10:41

A previsão de vender o mesmo número de computadores portáteis e de mesa no Brasil deve se concretizar este ano. Em 2009, os negócios com desktops ainda ficaram um tantinho acima daqueles com net e notebooks – segmento que cresceu 13% –, mas agora consumidores atraídos por preços baixos, financiamentos a perder de vista e um leque de ofertas sem tamanho não têm porque resistir à facilidade de levar seu computador realmente pessoal embaixo do braço para onde for.

 

Os estudos da IDC apontam que até o fim do ano terão sido vendidos na América Latina 43 milhões de PCs portáteis, que pela primeira vez devem superar os desktops. O mercado de PCs para a América Latina deve crescer quase 10% e o Brasil pode crescer em velocidade quatro vezes superior à da região. “Para 2010 acreditamos que o mercado chegue a ser entre 20% e 30% maior que em 2009 no setor de portáteis”, diz Marcelo Martins, diretor comercial da MSI no Brasil. Estima-se que em 2010 sejam produzidas 7 milhões de unidades de portáteis para o país.

 

O barateamento das máquinas impactou o mercado nos dois últimos anos e vai resultar em movimentação bacana também em 2010, favorecida pela extensão da MP do Bem até 2014. “A popularização dos portáteis é favorecida pela distribuição em grandes redes varejistas, como WalMart e Ponto Frio”, diz Marçal Araújo, gerente de Canais da Dell Brasil. Ainda pesa aqui a movimentação dos fabricantes, com destaque para novos entrantes. Hoje todas as marcas multinacionais de peso oferecem portáteis no país e crescem os investimentos na produção local. A Acer voltou agressiva ao mercado no fim do ano passado: tem produção local em São Paulo, onde já emprega cerca de mil pessoas, e planeja para este ano o lançamento de seu programa de canais e RMA local. A Samsung, por sua vez, que no ano passado passou a vender portáteis no Brasil, inicia em março produção em Campinas (SP) de cinco modelos de notes e netbooks.

 

Os nacionais também se mexeram, com a maior parte dos integradores passando a oferecer notes e nets – os que ainda não o fazem, planejam lançamentos para breve. Um deles é a Houter, que no final do ano passado lançou dois modelos de notes com a marca Oro, produzidos na fábrica da empresa em São José dos Campos (SP) com benefícios fiscais do PPB. Segundo a gerente de Marketing Ana Guimarães, a expectativa é de vender este ano 80 mil PCs, sendo 20 mil portáteis. “Além das configurações padrão, os equipamentos podem ser customizados colocando a marca do cliente”, detalha. Outra que entra este ano no segmento de netbooks é a Space BR, com produção inicial estimada em 4 mil máquinas. “Vamos trazer um modelo de entrada, resultante de boas negociações com nossos parceiros e fornecedores”, diz o gerente de Marketing Sergio Roberto.

 

Confusão

 

“O mercado brasileiro era dependente de desktops até 2007. Com a queda de preços dos portáteis, passa por uma etapa de amadurecimento que ainda dura um ou dois anos”, diz Luciano Crippa, analista da IDC. A marca desta fase é a confusão, principalmente entre conceitos como netbooks, segmento que trouxe números altos para o mercado, e notebooks.

 

Ainda hoje, segundo ele, netbooks são adquiridos tanto como primeiro equipamento – neste caso, por consumidores atraídos por preços e que podem ser frustrados pelas limitações do produto –, como por usuários de nichos, a exemplo de executivos – neste caso, geralmente como segunda máquina – e segmento educacional. “Mas ainda sem popularização”, diz Crippa, lembrando que na Europa, onde assume o papel de segundo PC para tarefas do dia a dia, os nets perfazem 25% do mercado.

 

Nesta etapa, a informação faz a diferença nos negócios, caso o objetivo não seja direcioná-los unicamente por preços. “O consumidor brasileiro ainda busca produtos por preço e não sabe comparar diferenciais tecnológicos. O próprio varejista ou revendedor limita as informações a memória e processador, sem dizer a velocidade do mesmo ou características como HD e interface gráfica”, aponta Marcelo Martins.

 

Tendências

 

Algumas novas tecnologias são bem legais, mas ficarão mais restritas a nichos, a exemplo de 3G, que este ano ainda deve atrair só early adopters. “As diferentes tecnologias vão atender a perfis variados de usuários, convivendo entre si”, diz Jorge Almeida, diretor comercial da Itautec.

 

Os e-books, como iPad, podem fazer mais sucesso, mesmo que em proporções menos arrasadoras do que no exterior. “Essas novidades são esforços da indústria para tentar desenvolver um produto que nos tire do teclado QWERTY, buscando interface com o usuário diferente e mais atraente”, avalia Ronaldo Miranda, diretor da divisão de TI da Samsung. “Mas os PCs portáteis não devem mudar muito do formato e características que conhecemos em 2010, com baterias mais duráveis, telas de LED mais finas e de melhor qualidade e crescente capacidade dos componentes de processamento dos dados, como CPU, memória, barramento e armazenamento.”

 

Uma tecnologia que pode ter mais presença é a touch screen. “Com o Windows 7, o uso de interfaces touch screen será mais comum, principalmente em portáteis. Estas interfaces passam a reconhecer número maior de gestos do usuário, eliminando botões e simplificando o uso”, aponta Luciano Baraldo, gerente de Produtos – Notebooks e Netbooks da Lenovo. A Dell, por exemplo, desenvolveu especificamente para uso educacional o Latitude 2100 com tela sensível ao toque e luz que indica se o aluno está conectado à internet para o uso em salas de aula digitais – no fechamento desta edição ainda estava pendente o edital do governo federal para aquisição de 1,2 milhões de portáteis para o segmento de Educação. A HP também traz um note com tela sensível no segundo semestre.

 

Outras tecnologias são mais pragmáticas, com resultados como incremento da autonomia da bateria e formatos ultrafinos. “A autonomia será fator decisivo na compra”, aposta Marcel Campos, gerente de Marketing da Asus. “Os portáteis estão cada vez menores e mais leves, devido a telas de LED e a novos processadores desenvolvidos para a categoria, que facilitaram a redução do tamanho dos equipamentos”, diz César Aymoré, diretor de Marketing da Positivo – ele aponta ainda o uso da tecnologia 3G, incluída em boa parte dos portáteis.

 

A Daten, que aponta crescimento de 60% em portáteis em 2009 e projeta mais 40% para este ano, vai apostar em touch e 3G, mas prioriza os ultrafinos. “Peso, tamanho e autonomia de bateria são algumas das principais demandas dos usuários”, diz o gerente de Marketing Frederico Andrade. Além do toque verde, o diretor de Marketing e Produtos da Dell, Henrique Sei, ressalta os discos em estado sólido para maior segurança dos dados e o surgimento de portáteis para usos cada vez mais específicos. “Os computadores portáteis têm uso mais intenso que os desktops”, compara.

 

Corporativo e varejo

 

A recuperação dos investimentos do segmento corporativo acena com boas perspectivas. “O mercado corporativo volta a investir na expansão da operação e na renovação de seus parques”, aponta Marcel Campus, da Asus. “Grande parte do segmento corporativo deixou para investir em TI em 2010”, diz Luciano Beraldo, da Lenovo. Ele lembra que os segmentos corporativo e consumidor estão em momentos diferentes de evolução – o corporativo já começa a amadurecer, enquanto o consumidor está adquirindo seu primeiro equipamento móvel. “Além disso, enquanto o usuário empresarial começa a se preocupar com o TCO (custo total de propriedade, que mede quanto custa manter o PC ao longo de sua vida útil), no varejo ainda pesa mais o custo de aquisição”, compara.

 

Além da inovação tecnológica, que atrai usuários em busca de diferentes melhorias, os canais varejistas têm a seu favor movimentos como a ascensão da classe C, que favorece principalmente o mercado de netbooks. “Com a ascensão da classe C e com diferença menor entre preços de equipamentos portáteis e de mesa, vemos que mesmo essa parcela da população tem procurado como primeiro PC um notebook ou um netbook”, diz Marisa Lumi-Park, gerente de Produtos da HP.

 

Mas o canal pode ajudar seu cliente a ter visão mais ampla e trocar o foco em preço pela compreensão da relação entre custo e benefício. “A primeira pergunta é para que esse equipamento será utilizado. São diversas opções envolvendo tamanhos de tela, peso, placas gráficas, processadores, memórias. Com isso o consumidor encontrará a melhor opção dentro de custo benefício adequado”, indica Ricardo Dominguez, gerente de Marketing de Produtos e Demanda – Varejo da Lenovo.

 

As dicas para os canais

 

Portfólio: Ter o máximo de opções – de marcas, configurações e modelos – para os clientes escolherem é o ideal.

 

Adequação: O segmento de portáteis é movido a inovações rápidas e surgem novos produtos para diferentes perfis de uso.

 

Atenção: Produtos específicos para necessidades específicas exigem dos canais atenção para entendê-las e oferecer a melhor relação custo-benefício para o cliente. É a tal da venda consultiva.

 

Informação: Opções de marca, desempenho e funções são muitas e confundem os meno saficionados em tecnologia.  O papel do canal é ter muita, mas muita informação mesmo, para orientar o comprador em relação a questões como qual a diferença entre um notebook e um netbook.

 

Treinamento: Marcas como HP e Dell têm programas intensos de treinamento para canais. A Positivo lança o seu em maio. Estar preparado para entender o cliente e ter informações e argumentos na ponta da língua é fundamental.

 

Especialização: A especialização em nichos de mercado tende a render bons negócios e atrair a atenção de fornecedores.

              

Parcerias: O mercado está em transição, com todos os principais fabricantes mundiais já estabelecidos no país. Os canais devem estar atentos a este momento para definir seus parceiros de longo prazo e garantir oferta de produtos com qualidade, desempenho e longevidade.

 

Fidelidade: O mercado está em expansão e é bom ter em mente que ninguém comprará um equipamento para  usar por toda a vida. Com o ciclo natural de renovação, cresce a importância de fidelizar o cliente – valem serviços e mais serviços.

 

Destaques - Preste atenção nestes produtos, eles podem render bons negócios.

 

Acer

Da família de netbooks Aspire One fabricada em São Paulo, destaca o AOD250, disponível em versões com Windows 7 ou XP Home e nas cores azul, vermelho ou preto, que chega ao consumidor na faixa de 1,2 mil reais. Na outra ponta, traz o note Ferrari One – a fabricante é uma das patrocinadoras da escuderia na Fórmula 1 –, com tela de 11,6”.

 

Asus

Tem foco nos notes em 2010. O produto principal de trabalho é a linha UL, com acabamento em alumínio, design superfino, processadores Intel CULV Core2Duo, que consomem menos energia, e dois modelos – UL80 (14”) e UL50 (15”). Segundo o fabricante, a linha entrega até 10 horas de autonomia de bateria.

 

Daten

Lança em março mais uma linha de notes para o mercado jovem e amplia o portfólio no segundo semestre. Destaque para a linha Nevo, lançada no ano passado, com três opções de processadores Intel, discos rígidos SATA de 160 GB a 320 GB e memória expansível até 4 GB DDR2 800 Mhz.

 

Dell

Entre as novidades deste ano, apresenta o Latitude 13 como o notebook corporativo mais fino do mundo, além de ter lançamentos programados nas famílias de workstations portáteis e netbooks. Mantém também neste segmento a oferta de soluções completas, incluindo serviços e software, para gerenciamento, segurança e mobilidade.

 

Itautec

A novidade é o W7410, note com tela LCD de 14” com tecnologia LED, que consome menos energia, e recursos como o software de criptografia CPA, que disponibiliza uma seção no disco rígido protegida com senha de acesso. A marca oferece ainda o N8635, com recursos gráficos avançados, o N8330, com biometria, o L9310, ultrafino e ultra low voltage (ULV), e o netbook W7010, com HD de 320 GB.

 

Lenovo

Vai ter novidades para o SMB que priorizam computação simplificada, robustez, desempenho e características de multimídia para as horas de lazer. Máquinas de entrada já chegam com multitouch, teclados resistentes a líquidos, HDs com sensores de queda, telas com LED, portas de comunicação e-SATA e HDMI. Para o consumidor, as novas famílias Idea Pad: U350, com processadores ULV; G550, com teclado numérico lateral; e netbooks S10-2.

 

Houter

A linha Oro oferece o Basic I e o Basic II. Ambos têm memória 2 GH DDR2, tela de 14,1” WXGA, disco rígido de 250 GB SATA, webcam de 1.3 megapixel e sistema operacional Windows ou Freedos. O primeiro vem com processador Pentium Dual Core T2060; o segundo, com Pentium Dual Core T4200.

 

HP

Está trazendo a linha de netbooks HP Minis, com modelos que vão de configurações mais simples, com XP e 1 GB, até avançadas, com 3G integrado. Lançou em novembro o note ultrafino e ULV Pavillion dm3-1035br, com 2,5 cm de espessura, 1,9 kg e tela LED e, em fevereiro, a linha Pavillion com processadores Intel Core i3 e i5. Em março chegam os Pavillion com tecnologias Vision da AMD e o Envy, superfininho, leve e acesso rápido a ferramentas e arquivos e, no segundo semestre, um modelo touch screen.

 

MSI

Os principais lançamentos da marca no ano passado foram a linha X340, notebook 13” ultrafino (1,98 cm de espessura e 1,3 kg com bateria), com processador Intel ULV para maior autonomia de bateria; e o notebook de 14” com interface gráfica Nvidia GeForce, com processamento de vídeo em alta resolução que permite ao usuário usar games que não seriam possíveis em outros notebooks.

 

Positivo

Lançou em fevereiro três notebooks com o novo processador Intel Core. Destaque para as linhas de portáteis Aureum, com oito configurações diferentes, tela de 13,3”, 1,6 kg e grafismo na tampa, e Platinum, com 1,5 kg, 2,2 cm de altura, tela de LED de 13,3” e tampa emborrachada. Na linha Mobo de netbooks, novidades com telas de 10”, como o Red 4050, primeiro ultrafino da marca, e o Black, com quatro configurações.

 

Samsung

Destaque para o notebook X420, com estrutura ultrafina, 1,76 kg e configurações para atender necessidades de executivos, e para o netbook N310, com acabamento emborrachado, tela de 10” retroiluminada com LED e três opções de cores. Ambos têm baterias que permitem até nove horas de funcionamento ininterrupto.