Estratégia
Em busca da produtividade
PartnerSales
Publicado em 03/11/2008 às 18:52Resultados nas margens garantidos pelos processos de automação colaboraram para os negócios em 2008
O mercado de automação viveu em 2008 um período de plena expansão, com crescimento estimado em cerca de 20% e negócios em torno de 1 bilhão de reais. Os negócios foram beneficiados pelo ritmo da economia e pelo dólar favorável até outubro, bem como pela atualização dos parques instalados e pela conscientização, por parte dos clientes, dos resultados para a rentabilidade garantidos pela automação de processos e produção.
Um dos maiores destaques foi a expansão da automação comercial, com espaço em empresas cada vez menores, já que a obrigatoriedade fiscal pode servir de degustação para o empreendedor vislumbrar as possibilidades para seu negócio. “O mercado de São Paulo cresceu bastante com a nota fiscal paulista”, lembra Wellington Rodrigues de Sousa, gerente de marketing da Urmet Daruma. O incremento de setores como o varejo, que deve ficar na casa dos 10%, e alimentação fora de casa, com cerca de 25%, também colaborou com os negócios. Marcelo Coppla, da Bematech, aponta os cerca de 100 projetos de shopping centers em todo o país e o desempenho do segmento de lojas de materiais de construção, apoiado pelo crescimento da construção civil. “O setor pega carona no crescimento do varejo”, diz.
A Bematech, que registra expansão de 25% sobre 2007, criou o programa Bematech One Stop Shop para canais que vendem a linha completa da marca e espera terminar o ano com 80 participantes entre seus cerca de 2 mil canais. Completou seu portfólio de hardware, serviços, software e capacitação com aquisição de sete empresas nos últimos dois anos, como Snack Control, com foco em franquias, Mister Chef, para pequenos restaurantes, e Smart Practico, que oferece por 500 reais um módulo de gestão comercial que inclui venda, cadastro de produto e fechamento de caixa, com manutenção de 80 reais mensais. Além disso, lançou a MP4000, a impressora “mais rápida do mundo”, segundo Marcelo, projeto 100% nacional.
Velocidade é tudo neste negócio. E a nacionalização pode se tornar um diferencial com a valorização do dólar. A Urmet Daruma vai lançar nova impressora com maior índice de nacionalização, incluindo ferramentas e peças que hoje importa. Em outubro, apresentou o primeiro modelo da linha 700, que tem “a melhor perfomance do mercado” em velocidade, segundo Wellington. A vitalidade da automação atraiu players tradicionais de impressão como a Epson, que ingressou na parte fiscal há dois anos e oferece dois modelos de um estágio e um de dois estágios, com preenchimento de cheques. A gerente de vendas Olga Rebelo estima que os 11 fabricantes do segmento vendam cerca de 10 mil máquinas por mês. A Epson, com apoio de seus distribuidores, quer ficar com uma fatia de 40% deste mercado.
Espaço para crescer
Embora impactado pelo movimento do dólar, o setor de automação tem muito espaço para crescer. “O investimento per capita do Brasil ainda é muito baixo, à exceção de setores como varejo e bancos”, diz Cássio Pedrão, gerente geral da Metrologic e vice-presidente de AIDC (identificação e coleta de dados) da Afrac, Associação dos Fabricantes e Revendedores de Automação Comercial. Ele observa que a desvinculação da obrigatoriedade e o crescimento do uso de coletores de dados pelo pequeno varejo são sintomas da popularização do conceito, podendo aprofundar iniciativas de melhorias contínuas. O potencial na indústria também é grande. “A grande massa das empresas fabrica, mas não controla a produção. Mas a melhoria na produtividade, com controle e disponibilidade dos dados, sustenta sua margem”, diz. O raciocínio abre espaço para a atuação de canais. “Os integradores estão concentrados nas grandes capitais e no atendimento às empresas de maior porte”, observa.
O processo de automação no varejo, por sua vez, empurra a automação ao longo da cadeia de suprimento. “Os benefícios em cada ponto da cadeia reduzem custos, melhoram processos, diminuem o preço na gôndola e satisfazem o consumidor”, diz Vanderlei Ferreira, diretor da área de mobilidade corporativa da Motorola, que registra o movimento de atualização dos equipamentos de conferência, em busca de maior velocidade para o atendimento e minimização da ruptura, e o crescimento, este ano, de 30% nas vendas de scanners leitores de código de barras. Como a mobilidade apóia a agilidade, os lançamentos recentes da marca incluem o MC75, misto de assistente digital empresarial (EDA) e celular com GPS, Bluetooth e capacidade de processamento, o CA50, que soma ramal telefônico VoIP a leitor de código de barras, e o MC17, leitor de código de barras sem fio.
A Seal também investiu em lançamentos e começou a implantar processos com tecnologias como voice picking (coleta de dados por voz). “O ambiente estável permitiu às empresas testarem novidades”, diz o vice-presidente Fernando Claro. Outras delas são o sistema de localização de objetos ou pessoas críticas por meio de etiquetas e os tags RFDs semi ativos, com baterias e alcance de leitura de até 4 metros. O executivo observa, porém, que ambientes inseguros provocam comportamentos conservadores e que só a estabilização da moeda norte-americana permitirá a retomada do ritmo dos negócios, mesmo com ajustes nos preços, lembrando que opções como leasing ajudam no alongamento do fluxo financeiro.
A visão dos distribuidores
O segmento de distribuição confirma os bons resultados do ano com automação – mesmo com a oscilação cambial. “O setor comercial segurou um pouco, mas o industrial manteve o ritmo. São ciclos de venda mais longos”, diz Roberto Gero, diretor do Centro de Soluções da Ingram Micro, que entrou no mercado em 2007 e atualmente contabiliza cerca de 100 canais com compras mensais de automação entre suas cerca de 10 mil revendas ativas. A distribuidora registrou crescimento geral de 58% no primeiro semestre deste ano e de quase 300% no segmento de automação, com apoio de parceiros regionais e das vendas cruzadas, com novos revendedores recrutados no mercado de TI e tradicionais do setor atraídos pelo portfólio de automação e TI.
A ampliação do portfólio motivou a Interway, antes especializada em AIDC, a adquirir a DNAC no início do ano para adquirir potência em automação comercial, dobrando sua carteira de clientes e assumindo o papel de fornecedor de solução completa. Mais recentemente, a distribuidora comprou também a área de distribuição da gaúcha Trends, detentora de 10% do mercado nacional com uma base de 1,8 mil revendas cadastradas.
Destaques: mercados e tecnologias
Segundo Gero, os destaques ao longo do ano foram os setores supermercadista, no varejo, química, farmacêutica e têxtil, na manufatura, e companhias aéreas e aeroportos, em serviços. “Existem oportunidades em segmentos como governo e saúde, incluindo clínicas, laboratórios, hospitais e farmácias”, observa. Isac Berman, diretor da Interway, aponta mercados como siderurgia e indústria automotiva, com reflexos em suas cadeias produtivas. “O movimento do consumo provoca melhorias no processo de gestão do varejo, como maior controle em ponto de venda, inventário e reposição de estoque, com reflexos na indústria”, avalia. Luiz Alberto Brenner, diretor comercial da DN Automação, lembra que outros movimentos que incentivaram os negócios foram a renovação do parque, principalmente de impressoras fiscais, com o esgotamento das memórias, e a expansão das redes varejistas, com abertura de novas filiais. “O maior consumo da classe média estimula a automação e a queda de preços incentivou a adoção por empresas de menor porte”, observa.
Entre os produtos, Roberto Gero ressalta aqueles com poder de dar mais velocidade na frente do caixa, como impressoras fiscais mais rápidas, com maior capacidade de memória RFD, e os leitores omni direcionais, com leitura em qualquer direção. E vê como tendências a expansão de terminais de auto-atendimento e de soluções móveis para redução de filas, incluindo impressoras wireless portáteis, a convergência digital em soluções de mobilidade multi-tecnologia, o touch screen, em quiosques e PDVs, os leitores inteligentes multi-função e os coletores para RFID.
A BP Solution também dá destaque a novas tecnologias, segundo seu diretor comercial Julio Vidotti. Mantém acordo com a Tyco e sugere monitores touch screen para áreas que vão do varejo e alimentação a automação industrial, atendimento de funcionários pelo departamento de recursos humanos e aeroportos, com utilização por usuários ou operadores. Seu cardápio inclui uma solução integrada com TV interativa LCD de 42 polegadas. Outro segmento em foco é a automação de tesouraria, com processos e tecnologia para colher, manipular, contar e ensacar dinheiro, agilizando processos de relatórios e contabilidade. Já Marcelo Duarte, diretor comercial da CDC, aponta a mobilidade corporativa como uma das tendências de maior crescimento.
Os executivos defendem a automação como ponto de apoio em momentos de crise. “O objetivo é melhorar a gestão do negócio e o atendimento aos clientes finais. Em épocas de crise estas necessidades ficam mais evidentes”, analisa Vidotti. Duarte acrescenta que, ao contrário do mercado de TI, a automação porta um componente de obrigatoriedade, e o incremento de eficiência com a conseqüente redução de custos é um bom atrativo para investimentos. “O mercado continua aquecido. Estamos entregando a todo vapor”, diz. Segundo ele, apesar do ambiente de espera, os projetos não estão sendo abortados e vai ficar bem posicionado quem conseguir ter menor repasse, o que em princípio tenderia a beneficiar as empresas nacionais frente às internacionais.

