Especial
Entrevista exclusiva com Humberto Menezes, diretor geral da Synnex Westcon Comstor Brasil
Publicado em 05/06/2020 às 17:09Capacidade financeira, reputação e inovação: A receita para atravessar uma fase difícil
A
Westcon-Comstor agora é SYNNEX Westcon-Comstor. E tem um novo logo, refletindo
o poder da marca que adquiriu a Westcon-Comstor Américas. No dia a dia do
relacionamento com fabricantes e revendas continua tudo exatamente como antes,
assegura o diretor geral no Brasil, Humberto Menezes. Neste momento, as
diferenças estão no modo de interagir, seja com fabricantes e revendas, seja
entre os próprios funcionários da empresa. Cuidadosamente, a SYNNEX
Westcon-Comstor vem fazendo os ajustes necessários para atravessar a fase de
pandemia da Covid-19 garantindo a saúde da empresa e de seus colaboradores,
além de ajudar as revendas para que possam passar por esse período da melhor
maneira possível. Nesse sentido, o momento é, sim, de mudanças. O que está
porvir, não se sabe. Mas certamente o mundo terá que se adaptar a uma
transformação digital ainda mais acelerada, trazendo consigo profundas
alterações no modelo econômico das empresas e de toda a sociedade. A seguir o
nosso bate-papo com o diretor geral da companhia:
Partner Sales: A
Westcon-Comstor mudou junto com sua nova marca, com seu novo logo?
Humberto
Menezes: O que mudou foi apenas a apresentação da empresa, que agora é SYNNEX
Westcon-Comstor. A aquisição pela SYNNEX das operações da Westcon-Comstor nas
Américas foi concluída em 2017, e agora a marca muda efetivamente. E nada mais
justo do que a marca SYNNEX ser o destaque principal em nosso logo. Normalmente
quem adquire assume a marca principal. Isso já aconteceu inúmeras vezes com
outras empresas de tecnologia adquiridas. Com a nova marca estamos destacando uma
empresa, a SYNNEX, que fatura 20 bilhões de dólares por ano, que está entre as
200 maiores da Fortune e que está há 120 trimestres dando lucro com saúde
financeira – o que é fundamental para quem movimenta altos volumes de caixa.
PS:
Podemos dizer que a nova marca, ao manter o nome da Westcon e o da Comstor,
também reflete a reputação construída por essas marcas?
HM: Aí estamos falando do
outro lado da balança. O que para nós representa a união dos dois melhores
mundos: o lado financeiro somado à capacidade de distribuição. Seja a capacidade
da SYNNEX, com sua experiência de 30 anos como distribuidor no mercado americano,
que é um mercado extremamente competitivo, seja da Westcon-Comstor, que tem um
nome muito forte como distribuidor de valor, e uma presença importante nas
regiões onde já atuamos antes da aquisição: a América Latina, do México para
baixo, Brasil, e também nos Estados Unidos. Estamos, então, unindo reputações
muito fortes, de marcas com tradição no mercado de distribuição, pelo
portfólio, que reúne as mais importantes marcas globais do segmento de TI e pela
capacidade logística, atendendo a milhares de revendas com centenas de linhas de
produtos.
PS: O volume de negócios no Brasil decaiu com a pandemia?
HM: Estamos
conseguindo adequar nossos resultados às demandas que estão surgindo. Estamos
sendo bem-sucedidos, por exemplo, na área de segurança de informação, que tem
crescido muito. E também na de colaboração, com a telepresença
e videoconferência. Os data centers também têm crescido. As empresas têm feito
alguns investimentos obrigatórios: imagine milhões de brasileiros trabalhando
remotamente como isolamento social... Com isso, o dinheiro mudou de lugar, e
alguns segmentos estão sofrendo muito. No nosso caso, estamos superando as
dificuldades deste momento graças à nossa musculatura financeira.
PS: Há outros
fatores a destacar como importantes para o sucesso da empresa nesta fase?
HM: Eu
destacaria a capacidade de inovação que nossa estratégia de hybrid multicloud
(HMC) possibilita. Estamos trabalhando com fabricantes que atuam em vários
níveis da nuvem híbrida, combinando nuvens privadas com diferentes nuvens
públicas. Para esses ambientes, é preciso ter novas soluções em segurança e
sistemas de alta disponibilidade, por exemplo. E não somente no nível de IaaS ou
PaaS. É necessário desenvolver as aplicações especificas para a nuvem híbrida,
e estamos trabalhando com ISVs nesse sentido, também com muito sucesso. O
momento que estamos passando exige muita adaptação, porque está acelerando a
transformação digital das empresas por uma simples questão de sobrevivência.
PS:
A nuvem híbrida e múltipla seria o grande projeto da empresa no Brasil?
HM: Sem
dúvida o nosso grande projeto hoje é prosperar na arquitetura de hybrid
multicloud e sermos reconhecidos como o distribuidor de excelência nesta
tecnologia. É um projeto que já vinha se delineando, que definimos com mais
precisão no final do ano passado e aprovamos em janeiro. Agora, com o problema
da pandemia, esse projeto se acelera, porque as empresas passam a depender mais
da nuvem.
PS: Qual o seu foco de atenção, hoje, como diretor geral da empresa
no Brasil?
HM: O ponto principal hoje é conseguirmos atravessar – nós e
nossos parceiros – este momento. Estamos vivendo uma crise sem precedentes no
Brasil. Uma crise sanitária somada a uma crise econômica. Isso é complicado, e
o mais importante é sobreviver bem nesse período, até que tudo fique mais
tranquilo. Hoje não há condição de prever como vai ser o mundo daqui a dois,
três meses. Hoje é impossível ver o fim da curva, prever quantas empresas vão
sobreviver. Mesmo as empresas que hoje vivem um momento de grande demanda, numa
inércia de necessidade, pode ser que sofram um pouco mais à frente.
PS: Qual
seria então o seu horizonte?
HM: É muito temerário fazer qualquer previsão. O que
a gente quer é manter a empresa funcionando bem, saudável e com estratégia de
negócio. Uma grande preocupação são os nossos colaboradores. Nós não demitimos
ninguém. Muito pelo contrário,estamos contratando, especialmente nas áreas de vendas,
pré-vendas e suporte técnico. Temos alguns novos funcionários que foram ao
escritório só para pegar o laptop e equipamentos para poder trabalhar
remotamente.
PS: A demanda por financiamento de projetos aumentou?
HM: Aumentou.
Falta Capex. O modelo tradicional ficou para trás. Agora a tendência é pagar
por recorrência e/ou consumo. Vários fabricantes estão oferecendo essa
modalidade, e nós estamos repassando isso para os clientes. O modelo econômico
está mudando muito rapidamente, em consequência da aceleração no movimento de
transformação digital.
PS: Essas mudanças todas de que estamos falando, na sua
opinião, elas vieram para ficar?
HM: Acredito que sim, em muitos aspectos. A área
imobiliária, por exemplo, vai sofrer um golpe muito forte, porque as empresas perceberam
que elas podem trabalhar remotamente. No dia seguinte ao que fechamos o
escritório, estava todo mundo trabalhando remotamente, com eficiência, sem
disrupção para nossos negócios. Nossos dois warehouses continuam operando
do modo tradicional, mas com todos os cuidados. Veja que a tendência ao trabalho
remoto traz impacto a uma série de setores. Por exemplo, como ficam os
restaurantes todos que existem nas regiões onde se concentram as empresas em São
Paulo? E a frequência aos shoppings que existem nessas regiões? E o
transporte público? E por aí vai. Não sabemos ainda exatamente como será o modelo
futuro. Alguns ficam em casa o tempo todo? Outros ficam no escritório parte
do tempo? Creio que haverá um período de adaptação, e a demanda por melhor banda
de internet em casa, VPNs, enfim, por tudo o que permita o trabalho remoto com
mais eficiência e segurança.
PS: E o que está acontecendo no dia a dia de
relacionamento com as revendas nessa nova realidade?
HM: O relacionamento com as
revendas continua como sempre foi. Mas de modo remoto. Temos feito reuniões
virtuais todos os dias. Temos feito webinars e reuniões individualmente com as
revendas para saber das necessidades delas e como podemos ajudá-las a
ultrapassar esse momento. E tem demonstrações de produto, sim, mesmo
virtualmente na maioria dos casos. O mundo não parou completamente, não.
Inclusive estamos trabalhando mais, mais concentradamente. Antes, o tempo de
você se deslocar do ponto A para o ponto B era o momento de ouvir uma música, um
noticiário no rádio, de conversar com a pessoa a seu lado. E mesmo durante
a reunião havia momentos de descontração de trabalho. Hoje você faz mais
reuniões, várias por dia. E ao final do dia está mais cansado, mentalmente,
porque você não parou.
PS: E os funcionários da empresa, como estão vivendo a
adaptação a esse novo modelo?
HM: Nossa área de recursos humanos está orientando
os nossos colaboradores a terem disciplina. A manter o horário de trabalho com
intervalos, a desligar no fim do dia de trabalho. E temos um programa para periodicamente
falar com os funcionários, dar um update de como os negócios estão indo, para
deixá-los tranquilos. Acho importante manter a tranquilidade. Quando você tem um
medo constante, você entra em estresse, que vira doença, muitas vezes mais
danosa do que a própria Covid, porque são doenças crônicas, sem chance de
recuperação. Estamos em um momento muito peculiar da nossa história enquanto
seres humanos.

