Distribuição
Estudo da ABRADISTI aponta que a pandemia impulsionou melhores práticas de RH na distribuição de TI
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Publicado em 01/02/2021 às 12:00Pesquisa Salarial da entidade mostra que empresas do setor investiram mais em qualificação e remuneração de especialistas e lideranças. Demanda por tecnologia neste período serviu como catalisador para o aprimoramento no setor
Profissionalização: esse é o caminho que as empresas brasileiras do setor de distribuição de tecnologia seguem cada vez mais, investindo em gestão e melhores práticas de Recursos Humanos, além do aprimoramento dos profissionais, inclusive das lideranças. É o que revela a edição 2020 da Pesquisa Salarial da Associação Brasileira da Distribuição de Tecnologia da Informação(ABRADISTI).
Esta é a quarta edição do estudo, conduzido pela consultoria Remunerar, em parceira com o Grupo de Trabalho de Recursos Humanos da entidade, com a participação de 21 distribuidores associados. Além de questões sobre 60 cargos diferentes, o estudo incluiu nove perguntas diretamente relacionadas à pandemia de Covid-19, além de ações de suporte e adequação propostas pelos respondentes.
“Com a demanda por tecnologia aquecida, o mercado pediu uma qualificação maior dos profissionais da área”, conta Marcelo Samogin, consultor da Abradisti responsável pelos dados do estudo e diretor da Remunerar, completando que o estudo traz um conjunto de informações seguras sobre as práticas de RH do segmento, o que não significa apenas salários, mas também benefícios diretos e indiretos, além de outros itens.
Já Mariano Gordinho, presidente-executivo da ABRADISTI, reforça os benefícios da pesquisa. “Os indicadores permitem às empresas do setor ser mais estratégicas na gestão de recursos humanos, e tomar decisões que seriam mais difíceis sem estudos de mercado confiáveis em mãos. O objetivo do estudo da ABRADISTI é trazer essas informações de forma mais acessível para os seus associados”,diz. O relatório com os resultados da pesquisa na íntegra é exclusivo para as empresas que responderam ao questionário. São levantamentos muitas vezes acessíveis apenas para empresas capazes de contratar grandes consultorias
Segundo Samogin, a pesquisa é mais um elemento de leitura do mercado para identificar tendências que possam fazer sentido para o negócio. “O home office veio para ficar e é preciso avaliar a composição dos benefícios. [O estudo] ajuda a fazer esse balanço”, exemplifica.
Impactos da pandemia
O bom momento da indústria de tecnologia, impulsionada pela transformação digital das empresas e aceleração do movimento por conta da pandemia, pode ser observado na manutenção dos empregos no setor. Somente 14% das empresas entrevistadas reduziram pessoal entre março e agosto de 2020.
Segundo o estudo, em agosto o percentual de empresas do setor de distribuição de TI que adotaram e mantinham o home office era de 57%, que detinham mais de 75% do total de funcionários nesse regime de trabalho. Além disso, 19% não tinham perspectiva de retorno ao trabalho presencial, o que deve continuar impulsionando a demanda por tecnologia.
No quesito benefícios, 57% das empresas do setor concedem algum tipo de ajuda de custo aos funcionários em teletrabalho – enquanto a média de mercado não passa de 20%, segundo o diretor da Remunerar. “O que percebemos sobre benefícios é que elas cortaram o vale transporte e transferiram [os valores] para o vale alimentação ou refeição, o que é pouco perto das mudanças que teremos daqui pra frente”, diz.
Definir as melhores políticas de RH
Para Samogin, dados como os obtidos pelo estudo têm auxiliado os gestores das empresas de distribuição a cuidar com mais atenção de suas políticas de recursos humanos. “É razoável pensar que a pesquisa, ao longo dos anos, levou os RHs a gerenciar tudo isso melhor. O mercado com viés de aquecimento foi motor disso tudo”, ressaltou.
Segundo o estudo, o número de distribuidores que não tinham um programa estruturado de participação de resultados caiu de 80% em 2019 para 52% em 2020. Outro dado que demonstra o maior cuidado das empresas em oferecer benefícios aos funcionários é a avaliação formal de desempenho, que não existia em 60% das empresas em 2019, número que caiu para 43% em 2020.
O desenvolvimento de lideranças, que era ausente em 75% das empresas, em 2020 não esteve presente em 62% delas – número ainda elevado, mas em tendência de queda.
Já Rejane Silva, coordenadora do Grupo de Trabalho de RH da Abradisti, destaca que dois fatores explicam o aumento dos investimentos em capacitação e remuneração. Primeiro, o aquecimento do setor de tecnologia registrado durante a pandemia e, depois, o fato de os funcionários das distribuidoras também terem sido, em boa parte, deslocados para o regime de teletrabalho, o que exigiu dos departamentos de Recursos Humanos ferramentas de controle e recompensa.
“A mão de obra especialista, que representa a maioria dos trabalhadores do setor, é movida por KPIs [indicadores-chave de desempenho]. São precisos programas de remuneração e incentivo que ajudem nesse exercício de auto-gestão”, resume a coordenadora, que ressalta que essas iniciativas não excluem a importância da capacitação e da liderança. “Não é porque implementamos novos programas que as pessoas ficam melhor preparadas.”
E o que as empresas aprenderam em 2020, por conta da pandemia? Qual a principal lição?
Para Rejane, foi passar a aplicar na operação diária as tecnologias que as próprias empresas de distribuição vendem. “Por incrível que pareça, muitas empresas de tecnologia não sabiam lidar com ela e tiveram que correr”, diz.
Mariano Gordinho agrega que a grande lição trazida pela pandemia ao setor, inclusive considerando políticas de Recursos Humanos, é que “a mudança não pede passagem”. “Adotar tecnologias e se basear em dados para tomar decisões são elementos fundamentais para empresas que queiram estar preparadas para tudo no futuro, inclusive na distribuição de TI”, finaliza o executivo.

