Estratégia
Experiência máxima
Martha Funke
Publicado em 05/02/2010 às 12:30O poder das placas gráficas promete amplificar o nível de experiência dos usuários diante das telas
As perspectivas deste ano para as vendas de placas gráficas no Brasil são no mínimo animadoras. Motivos para otimismo não faltam. O número de gamers no país é estimado em cerca de 15 milhões de usuários de PCs e tende a crescer, enquanto o usuário doméstico hoje vai bem além do uso da internet: assume comportamento multimídia e não se contenta mais com aquele computador de entrada adquirido recentemente, baratinho, mas sem capacidade para editar as fotos das férias.
Estes dois perfis de consumidores vão empurrar as vendas de equipamentos mais potentes, ou de VGAs que turbinem uma boa parte dos mais de 40 milhões de computadores vendidos nos últimos cinco anos no país. “São vendidas no Brasil cerca de 500 mil placas de vídeo por trimestre”, diz Richard Cameron, presidente da Nvidia no Brasil. Os gamers serão estimulados a atualizar seus equipamentos pelo desenvolvimento de novidades específicas para PC, já que consoles de jogos como Wii e Xbox já não se renovam faz um tempinho. E os negócios podem ser animados ainda pela exigência de poder de processamento gráfico de novas soluções, incluindo desde Windows 7, que colocou a linguagem visual presente no dia a dia de usuários domésticos e corporativos, até aplicativos como Photoshop, com funções específicas ativadas apenas com VGAs, e por novidades tecnológicas como as novas interfaces beneficiadas por tecnologia touch screen, vídeos em alta definição e 3D.
Benefícios, a resposta contra os custos
Mas ainda existem barreiras a superar. A principal delas é que o produto é bom e seus resultados podem ser até surpreendentes, mas encarece os equipamentos e boa parte do consumo nacional ainda é voltado a primeiro preço, e muitos usuários sequer compreendem direito o papel da placa gráfica. “A placa de vídeo é um meio para entregar um segundo processador no PC e tornar a máquina mais multifuncional, capaz de processar mais jogos e aplicações gráficas e visuais”, define Richard. A Nvidia criou a linguagem Cuda para desenvolvedores se apoiarem no poder de processamento das GPUs (unidades de processamento gráfico), que atingem poder de processamento superior ao dos processadores principais. “O resultado são soluções como o aplicativo para conversão de vídeos para iPhone, 20 vezes mais rápido do que soluções baseadas em CPU”, diz o executivo.
Já o custo é uma questão sem muitas soluções de curto prazo. Pelo contrário. Sofreu um forte solavanco no ano passado com a reclassificação tributária das placas de vídeo. Até então beneficiadas com a mesma tarifa pequenininha de importação e IPI das placas mãe, respectivamente 0 e 2%, passaram a alíquotas de 15% (importação) e 16% (IPI) e seu preço acabou ficando em média 50% maior para o cliente. A alegação para a medida é o estímulo à nacionalização do produto, o que reduziria os preços. Entretanto, seu ciclo de vida curtíssimo dificulta o retorno do investimento por parte dos fabricantes, embora alguns, como a Zotac, estejam analisando a possibilidade de produção local.
“Após o aumento dos impostos de importação e IPI na metade de 2009, o mercado perdeu poder de absorção no primeiro momento. Mas houve uma retomada. O produto está cada dia mais popular devido à sua crescente utilização em diversos aplicativos”, registra Flávio Fernandes, gerente de Produtos da All Nations. “A mudança na classificação fiscal abriu margem para canais paralelos, ou ilegais”, diz Thiago C. Ferreira, responsável por Importações da Infocwb / Infocomex. “Passado o vendaval, o mercado terá de aceitar o aumento. Considerando que o dólar está estável, o mercado lentamente vai prosperar”, acrescenta Carla Blat, gerente regional da Point of View, que chegou ao Brasil no ano passado com planos de fabricação local.
A ideia tem vantagens e desafios. “A maior vantagem é o incentivo fiscal para fabricantes de computadores e produtos relacionados. Integradores dão preferência para produtos com PPB e deixam de comprar importados”, lembra Valmir Albertino, gerente de Canais da ECS, que por enquanto não pretende ter produção local. O problema difícil de resolver é a atualização. “Todo dia tem uma versão nova do produto. Leva-se tempo para o produto CKD chegar no país, ser liberado na alfândega e produzido. Até lá, o produto high end já pode ter sido descontinuado no país de origem”, diz Valmir. Do lado dos benefícios, pesam ainda questões como melhor programação, agilidade na entrega e suporte. “Estamos estudando a fabricação local de placas de vídeo e placas mãe. Vamos fazer alguns testes piloto para avaliar questões como custos reais e tempo de produção, para depois tomarmos uma decisão de fabricação local em grande escala”, adianta Orlando Sodré, gerente geral da Zotac Brasil.
Novidades que movimentam os negócios
All Nations
Além de apontar a linha GTX200, da Nvidia, “que surpreendeu pelo seu desempenho”, Flávio Fernandes destaca a chegada de novas marcas, como Sparkle e EVGA, tornando o mercado mais saudável e com mais opções para os clientes. A distribuidora aposta na linha Calibre, marca da Sparkle para gamer. “Vale ressaltar a preocupação da marca com o pós-venda. O cliente se sente seguro no ato da compra”, diz o gerente.
ECS
De acordo com Valmir Albertino, a linha de VGA Black Series série 200 foi um sucesso. Ele lembra também que as N9600GT e N9800GTX sempre estiveram presentes nas melhores prateleiras do mercado brasileiro. “Para 2010 mantemos a aposta nos modelos da série 200 e viremos forte com o lançamento Nvidia das GPU da série 300”, adianta.
Infocwb / Infocomex
Segundo Thiago, este é um mercado que vive de novidades. “Os dois fabricantes de chipsets, ATI e Nvidia, estão investindo pesado nos lançamentos para ter maior capacidade de processamento gráfico aliado ao menor preço possível”, registra. “A ATI já lançou a linha de placas de vídeo 5000 fazendo muito barulho. Estamos aguardando as novidades da Nvidia.”
Nvidia
Para Richard Cameron, o quente é o 3D. A marca oferece a solução GForce 3D Vision, com óculos 3D. “É a grande tecnologia em diversas áreas, de salas de cinema a câmeras digitais. Estamos trabalhando com a Fuji para trazer a máquina digital 3D para o Brasil. No ano passado foram anunciadas especificações para Blu-Ray, os filmes estarão disponíveis este ano”, observa. Além disso, a nova onda, para ele, são os efeitos de física que usam o poder de processamento das GPUs e estão sendo popularizados com a tecnologia PhysX. “Dão maior realismo aos games. Já são quinze títulos disponíveis. O mais proeminente é o Batman, que aplica Cuda, efeitos físicos e 3D”, diz.
Point of View
Além de registrar a consolidação do nome e o fortalecimento da marca no Brasil, Carla Blat alinha entre as expectativas de 2010 investir não somente em VGA, mas em soluções integradas, como netbook com Ion e boards com soluções Nvidia, com aposta em soluções mini ITX, com Atom, e net PC, ou net tops – segundo ela, segmento que vai impactar o mercado este ano.
Zotac
Segundo Orlando Sodré, gerente geral da Zotac Brasil, em 2009 se destacaram a linha GTX200 e a programação Cuda, da Nvidia, bem como a popularização da tecnologia PhysX. Em 2010 será a vez da chegada de novidades como a série GTX300, da Nvidia, com maior desempenho, os monitores de tecnologia 120hz e o 3D, além da popularização da plataforma Ion, em dispositivos como o Mag PC da marca, um computador completo, econômico e potente que cabe na palma da mão. “Uma solução pronta para o usuário final, é só plugar e usar. Uma de suas vantagens para o canal será o RMA fácil e eficiente, sem necessidade de enviar peças separadas”, adianta Orlando.
Passo a passo para os melhores negócios
Os fornecedores do mercado dão as dicas para os revendedores aproveitarem ao máximo as oportunidades do segmento:
1. Estreitar parcerias com fornecedores que possuam linha completa de soluções.
2. Ficar atento ao mercado gamer PC, que tende a ter forte crescimento em 2010.
3. Identificar a necessidade do cliente para oferecer a melhor solução a preço acessível.
4. Solicitar na hora da compra a DI (documento de importação) do produto. “Para as DIs registradas a partir de agosto de 2009, só placas de vídeo com a classificação fiscal correta, NCM 84718000, garantem a tranquilidade do lojista junto à Receita Federal”, diz Thiago, da Infocwb / Infocomex.
5. Ficar de olho nas especificações técnicas do produto. A descrição comercial igual não garante que o produto seja o mesmo – atenção para preços “milagrosos”.
6. Atenção para novidades. O segmento se move à base delas.

