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Intel visa investir mais de US$ 20 bilhões na construção de duas novas unidades para fabricação de semicondutores de última geração em Ohio, nos EUA
Por Virgínia Santos
Publicado em 07/06/2022 às 10:00Entrevista com Gisselle Ruiz Lanza, nova diretora da Intel para América Latina
Recentemente, Gisselle Ruiz Lanza assumiu o comando das operações na América Latina da Intel. Na nova função, a executiva se reportará diretamente para Greg Ernst, vice-presidente corporativo de Vendas, Marketing e Comunicação da companhia e diretor geral para a América. Vale pontuar que a Gisselle ocupava o cargo de diretora geral do Brasil desde 2019, anteriormente foi a responsável por Varejo e Consumo na Intel. A seguir nosso bate papo com a nova diretora da Intel para AL:
PS: Qual o maior desafio de comandar a operação da gigante fabricante de microprocessadores – Intel – no Brasil em plena transformação digital?
GR: A Intel é uma empresa de tecnologia que tem no DNA a inovação e a transformação – somos a empresa que colocou o silício no Vale do Silício. Por isso, estamos sempre em constante evolução, tendo como propósito a criação de tecnologias capazes de transformar o mundo e enriquecer a vida de cada pessoa na Terra.
O Brasil é uma peça importante dessa evolução e transformação da empresa – o país é um dos 10 principais mercados para a Intel. Atuamos em mais de 60 países, sendo 10 deles, onde temos maior estrutura e desempenho, bem como um time dedicado localmente. Em abril, comemoramos 35 anos da Intel no país, atuando junto a todo o nosso ecossistema de parceiros locais para o desenvolvimento de novas soluções e tecnologias em áreas emergentes da economia.
A Intel Brasil acompanha a nossa estratégia global, que hoje segue muito ligada ao processo de aceleração da jornada de transformação da empresa. A chegada há 1 ano de nosso atual CEO, Pat Gelsinger, redefiniu a forma como olhamos para as nossas áreas de negócios, com foco em agilidade, inovação e novos mercados. Esse novo ritmo da companhia tem resultado em um impacto direto na geração de novos negócios, bem como no fortalecimento da nossa atuação regional
Vivemos mais do que nunca na era da digitalização do todo: tudo é digital e o mundo vai demandar cada vez mais semicondutores, elevando a um outro patamar o papel de empresas como a Intel. Ao mesmo tempo que temos um enorme desafio, também temos oportunidades em vários segmentos. No Brasil podemos destacar oportunidades em setores como o de cloud – o país está entre os 10 maiores mercados de cloud pública. Não podemos esquecer também de mencionar os impactos e avanços que a chegada do 5G irão proporcionar para a toda a indústria.
PS: Você é considerada uma das principais executivas no mundo dos negócios do setor de TI e está há mais de 20 anos na Intel, o que tem a nos dizer dos contratempos e aprendizados da sua trajetória na companhia?
GR: Acabei de assumir a direção da companhia para a América Latina, anteriormente estava na direção geral da Intel Brasil que ocupei alguns meses antes da pandemia em um dos momentos mais desafiadores de nossa história em todo o mundo. Diante desse cenário sem precedentes, empresas e lideranças tiveram que se adaptar rapidamente ao novo mundo para sobreviverem, definindo ações e estratégias de forma ágil e, em alguns casos, tomando medidas em questão de poucos dias. Já temos pesquisas e levantamentos que indicam que as empresas avançaram em apenas alguns meses o processo de transformação digital esperado para 10 anos.??
Meu estilo de liderança foi importante para poder navegar de uma forma não só efetiva para o negócio, mas principalmente cuidadosa com as pessoas num momento que claramente ninguém esperava. Vivemos um momento bem desafiador, tanto para os negócios quanto para as pessoas, as famílias e a sociedade. Neste contexto a empatia tornou-se ainda mais importante, buscando propósito no que fazem, através da tecnologia e ações de voluntariado.
Se a pandemia nos ensinou algo, foi que cuidar das pessoas é fundamental: é importante motivar, inspirar e promover um ambiente seguro, inclusivo. Em um lugar onde cada pessoa tenha o senso de pertencimento e possa dar o seu melhor, ser sua melhor versão e expandir seus limites. Como líder, demonstrar vulnerabilidade, com humildade, é essencial.
Por isso acredito que neste mundo pós-pandêmico uma liderança eficaz deve ser transparente, autêntica e competente. São valores que estão presentes na cultura da Intel e que nos ajudam a garantir a coerência necessária para o sucesso de nossos negócios, para nosso crescimento e, ao mesmo tempo, uma liderança cada vez mais diversa e qualificada
PS: A Intel é referência quando tratamos de tecnologias disruptivas, como manter uma empresa proativa diante de tantas mudanças no mercado de TI?
GR: Para sobreviver e prosperar hoje, e sempre, é importante que as empresas possuam a habilidade de se adaptar para atender um mercado cada vez mais exigente e que muda cada vez mais rápido. Inteligência Artificial (IA), 5G, Realidade Virtual, IoT (Internet das Coisas) são só alguns exemplos de tecnologias que, antes pareciam distantes, mas já são uma realidade.
Não existe um produto único que atenda todas as necessidades, dessa forma, os parceiros têm um papel fundamental no entendimento das necessidades dos clientes para proporem as soluções customizadas. Com este novo cenário, será ainda mais importante oferecerem um serviço de alta qualidade e especializado que possa dar suporte às demandas de seus clientes. Incorporar o lifetime value (valor do ciclo de vida do cliente) nas decisões é uma recomendação importante para as empresas.
PS: A Intel anunciou que irá construir uma nova fábrica para a produção em larga escala de chipsets em New Albany, no estado de Ohio, nos Estados Unidos. Considerado o maior projeto de construção de semicondutores do mundo terá um investimento inicial avaliado em mais de US$ 20 bilhões, qual a previsão para a fábrica começar a operar, além desse investimento bilionário, o que a companhia tem feito para mitigar o impacto da falta de insumos nas operações mundiais?
GR: A Intel acaba de anunciar planos de investir mais de US$ 20 bilhões na construção de duas novas unidades para a fabricação de semicondutores de última geração no estado de Ohio, no meio-oeste dos EUA. O investimento, que faz parte da estratégia IDM 2.0 da empresa para a fabricação integrada de dispositivos, irá atender às necessidades dos clientes de fundição, além de impulsionar a produção voltada à crescente demanda por semicondutores avançados e alimentar uma nova geração de produtos inovadores da Intel.
O megaprojeto, composto por oito fábricas de semicondutores, irá ocupar uma área de aproximadamente 4.000 metros quadrados no condado de Licking, próximo à cidade de Columbus. Além da fabricação, as novas fábricas irão oferecer suporte à operações e parceiros do ecossistema da Intel. Ao todo, o investimento na nova unidade pode chegar a 100 bilhões de dólares ao longo da próxima década, tornando a nova unidade um dos principais locais de fabricação de semicondutores do mundo.
A fase de planejamento das primeiras duas fábricas terá início imediato, enquanto o início da construção deve ocorrer até o final de 2022. A produção, por sua vez tem início estimado para 2025, quando a nova unidade passará a fabricar semicondutores usando as tecnologias de transistor mais avançadas do setor. Trata-se da primeira nova planta a ser construída pela Intel em 40 anos. Além disso, para ajudar a desenvolver e atrair um número significativo de profissionais de alto nível na região, a Intel também pretende investir aproximadamente US$ 100 milhões ao longo da próxima década em conjunto com universidades e faculdades comunitárias de Ohio, bem como com a Fundação Nacional da Ciência dos EUA. Essas parcerias irão abranger uma série de atividades, de projetos de pesquisa colaborativa à elaboração de currículos específicos de semicondutores para programas de graduação e pós-graduação. O objetivo é formar novos talentos e reforçar os programas de pesquisa na região.
PS: Quais são os planos e apostas da companhia para 2022?
GR: A Intel anunciou em outubro de 2021, durante o Intel Innovation, os primeiros produtos da família Intel Core de 12ª geração, incluindo o Intel Core i9-12900K, o melhor processador para jogos do mundo. O lançamento dos processadores Intel Core de 12ª geração para dispositivos móveis também traz atualizações para a plataforma Intel Evo para laptops e outros fatores de forma on-the-go, todos verificados para a especificação da terceira edição e indicadores de experiência chave do programa de inovação Projeto Athena da Intel.
Mais de 100 designs desenvolvidos em conjunto com parceiros usando os processadores Intel Core de 12ª Geração para dispositivos móveis - incluindo novos displays dobráveis e, pela primeira vez, a série H, além das séries U e P – devem começar a passar pela verificação Intel Evo e devem chegar ao mercado ainda no primeiro semestre de 2022. Temos inúmeras novidades ao longo do ano.
PS: O que a empresa tem realizado para preparar o canal na tarefa de atender as necessidades digitais dos clientes no mundo híbrido? Quais programas e plataformas da Intel contribuem para a formação da revenda?
GR: A Intel possui o programa Intel Partner Alliance (IPA). A iniciativa une programas para parceiros de longa data, como Intel Technology Provider, Intel IOT Solutions Alliance e Intel Cloud Insider em uma única oferta integrada voltada a um ecossistema de parceiros completo.
Entre os principais elementos do Intel Partner Alliance, estão:
• Intel Partner University: Melhorias no treinamento para parceiros da Intel?a fim de?que ampliem seus conhecimentos em uma série de tópicos, soluções e especialidades;?
• Experiências personalizadas: Aumento no conteúdo personalizado para clientes por meio de inteligência artificial, , seja na forma de recompensas, treinamentos ou produtos
• Intel Solutions Marketplace: Novas oportunidades para conexões entre parceiros, geração de negócios e gerenciamento de líderes e monitoramento de loja.?
PS: Qual a principal expectativa da companhia para 2022?
GR: A Intel vive hoje em todo o mundo um momento positivo e muito promissor, especialmente desde que Pat Gelsinger assumiu a posição de CEO da Intell. A sua chegada trouxe uma velocidade na jornada de transformação da companhia e na forma como olhamos para a área de negócios, focando em agilidade, inovação e novos mercados. Neste contexto, vivemos hoje uma estratégia focada na digitalização do todo (digitization of everything) onde o mundo e a indústria terão cada vez mais uma demanda por semicondutores. Também temos olhado para o que chamamos dos 4 superpoderes: nuvem, inteligência artificial (Al), borda inteligente e 5G.
PS: Para finalizar, qual a sua mensagem para o canal:
GR: A Intel tem atuado de forma sistemática para oferecer as melhores soluções e tecnologias para o ecossistema brasileiro. Estamos fazendo investimentos significativos e preparando nossos parceiros para que possam usufruir das melhores oportunidades de negócios em segmentos em expansão como: IA, nuvem e IoT.
Para isso, disponibilizamos o nosso Programa Intel Partner Alliance (IPA). Temos também as plataformas de treinamento e conteúdo qualificado Intel Partner University e Intel Solutions Marketplace.
Vale ressaltar também nosso anúncio recente, durante o Encontro de Investidores de 2022, onde apresentamos detalhes sobre os planos e marcos tecnológicos de produtos nas principais unidades de negócios. Na oportunidade, anunciamos os nossos roadmaps de produtos e marcos focados em: Datacenter e IA; Computação-Cliente; Sistemas e Gráficos de Computação Acelerada; Intel Foundry Services; Software e Tecnologia Avançada; Redes e Edge Computing e Desenvolvimento Tecnológico.

