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Estratégia

INTERNET BRASIL: COMO ESTÁ NOSSA CONEXÃO?

Por André Geniselli

Publicado em 01/09/2014 às 09:50


Imagine a vida sem água ou sem energia elétrica. Agora, pense em como seria não ter internet. Embora isto ainda pareça exagero, não é nenhum absurdo observar a importância deste “item de sobrevivência” no mundo atual. Afinal de contas, basta olhar em volta para observar que mobilidade, convergência e inclusão, hoje, precisam vir acompanhadas de outro conceito: a conectividade.



 



 



 



Cada vez mais inserida no cotidiano das pessoas e arma fundamental para o funcionamento do mundo corporativo, a internet se transformou em serviço crítico no presente e elemento-chave para o futuro. Não à toa, a importância por novidades, em busca de mais segurança e desempenho, vem crescendo. Mas qual o atual estágio das conexões no Brasil? A resposta é que estamos avançando, mas lentamente.



A internet brasileira tem seus resultados expressivos e isso não é de hoje. Estima-se que mais 85 milhões de brasileiros tenham acesso à internet e esse número não para de crescer, assim como a utilização de recursos virtuais nas empresas também se torna mais comum e importante a cada dia. Porém, do outro lado, a lista de desafios segue grande e merece atenção.



 



Desafios e Necessidades



Segundo Ivair Rodrigues, diretor de Pesquisas do Instituto IT Data, a expansão da internet no país é uma realidade, mas ainda conta com diversos pontos a serem explorados e melhor trabalhados. “Este é um caminho sem volta e que exige uma melhora contínua”, resume o especialista, completando que o maior volume de usuários implica em mudanças nos serviços de conexão.



E essa mudança será bem-vinda. De acordo com pesquisa realizada pela consultoria Akamai, o Brasil registrou 2,6 Mbps de velocidade média de conexão, no primeiro trimestre de 2014. O número colocou o país na 87ª posição no ranking global (atrás de vizinhos como o Uruguai e a Argentina). Em contrapartida, o levantamento também indicou que o número de conexões de alta velocidade, acima de 10 Mbps, cresceu mais de 15% na comparação entre o Q1 deste ano e o Q4 do ano passado, fato que pode representar os primeiros passos de uma evolução.



Apesar disso, no entanto, há ainda muito a ser feito para acelerar, de fato, esse processo evolutivo da conectividade brasileira. Na opinião de Rodrigues, para ampliar os resultados da qualidade nos serviços será necessário ampliar os investimentos estruturais. “É preciso também expandir a infraestrutura. Mas a grande questão, para isso, é ver como esse investimento pode ser pago na questão de custo X benefício para clientes, empresas e operadoras, além do governo”, aponta o especialista, ressaltando o alto valor necessário para se implementar novas tecnologias e serviços.



Fato é que, se a infraestrutura não cresce com tanta rapidez, a demanda de consumo tem aumentado recorrentemente, com a ampliação contínua no número de pessoas conectadas. Muitos destes usuários, no entanto, contam com conexões lentas, o que ajuda a explicar a baixa velocidade média do índice nacional. Outro ponto que corrobora para esta condição é que mais da metade dos internautas brasileiros utilizam a web em dispositivos móveis, como os smartphones, que contam com velocidades médias ainda menores (1.2 Mbps, segundo a análise divulgada pela Akamai).



 



Tendências e Caminhos



O Brasil vem seguindo a tendência mundial de aumento no número de conexões móveis. O cenário é principalmente reforçado pelo boom de popularidade em torno de equipamentos como notebooks, tablets e smartphones. “O crescimento desses dispositivos tem alterado, inclusive, o nosso padrão cultural e as exigências de uso. Hoje, é preciso ter acesso às informações, às redes, em qualquer hora e lugar”, explica Rodrigues.



As perspectivas mostram que este panorama em busca por maior mobilidade será ainda mais evidente com a adoção de vários dispositivos conectados para um mesmo usuário, em busca de convergência total. E o que isso significa? Com este novo contexto, as demandas por qualidade, segurança e serviços oferecidos serão ainda mais cruciais para o desempenho das redes. E é nesse ponto que a internet móvel vem apresentando alguns dos caminhos importantes para os links brasileiros.



Entre as novidades, destaque para a tecnologia 4G. Apresentados com maior ênfase por conta da Copa do Mundo realizada no país, os serviços de internet de quarta geração devem ganhar espaço no futuro. A expectativa, segundo levantamento promovido pela Ericsson no ano passado, é que este tipo de conexão cresça no Brasil, mas principalmente a partir de 2018, pois ainda há questões de adaptação das estruturas para a real expansão dos serviços (o que a torna mais cara).



Enquanto isso, outra tecnologia deverá ampliar sua presença e atingir uma fatia maior dos consumidores: as conexões 3G, já conhecidas do público, devem se posicionar com mais força no mercado, com planos e serviços que acentuem sua adoção, uma vez que já contam com maior estrutura e, por isso, poderá ser uma opção mais barata de consumo. “Ainda há um custo alto para as operadoras investirem mais pesado em novas tecnologias e o 3G se apresenta como uma alternativa mais viável”, conta o especialista.



Segundo pesquisa realizada pela Mobile Marketing Association e a Nielsen Ibope, a tecnologia 3G tem, atualmente, aproximadamente 51,2% dos clientes do país. Este número deve aumentar, porém com a tendência de barateamento dos serviços (ainda mais em comparação com o 4G) e a ampliação da cobertura nacional, que apesar dos esforços, ainda não abrange todo o território. Para permitir essa expansão, contudo, as operadoras vêm focando, paralelamente, outros pontos, de olho na satisfação dos consumidores.



 



Objetivo: Qualidade e Segurança



O desafio para o futuro não é, portanto, apenas levar as conexões mais longe. Além da expansão geográfica, que se torna um componente ainda mais difícil pela ampla área nacional, outros quesitos vêm entrando em pauta. Entre elas, destaque para questões relativas ao barateamento dos produtos e a melhora da qualidade no sinal, que aparecem como fatores fundamentais para ampliar os resultados do setor no país.



Esses desafios não são apenas voltados às conexões móveis. A internet fixa do Brasil, por exemplo, também procura novidades para se tornar mais representativa para clientes e empresas. Na linha de destaque, espaço aberto para a introdução real da tecnologia por fibra ótica, que aumentará a velocidade de acesso e, além disso, pode significar a redução de custos com manutenção. “A fibra ótica, com o tempo, tende a assumir esse posto. Com ela, ganhamos conexões mais rápidas e diminuímos os gastos com serviços de reparos em longo prazo”, resume Rodrigues.



No mesmo sentido, a popularização da tecnologia (que hoje ainda é mais cara do que as conexões via cabo) permitirá ampliar os resultados à disposição dos clientes e, conjuntamente, tornará mais barato o acesso à internet. Atualmente, vale lembrar, os serviços de dados no Brasil (tanto em links fixos quanto redes sem fio) estão entre os mais caros do mundo.



 



A realidade no mundo corporativo e as oportunidades de negócio



Para o mercado corporativo, a conectividade trouxe novas possibilidades de negócios. Mas, ao contrário da maior faixa dos consumidores, as empresas tendem a requerer maiores e melhores condições. Principalmente em duas áreas: disponibilidade e segurança.



Ao analisar o crescimento das políticas de BYOD (Traga seu próprio dispositivo) nas empresas é possível ver essa preocupação. Afinal de contas, se a facilidade para fechar negócios ou avaliar processos de forma mais ágil ficou em evidência, por outro lado questões como o controle de acesso aos dados e a segurança das informações confidenciais também incluíram diversas desconfianças à prática.



Por isso, a aposta vem se concentrando em novos serviços e ferramentas que ampliem a segurança e a eficiência das redes. Com amplos investimentos, a perspectiva é que as operadoras e companhias do ramo de telecomunicação consigam, em médio e longo prazo, aumentar a competitividade brasileira diante de concorrentes internacionais, com destaque para sistemas de criptografia de dados e a criação de padrões de segurança especiais.



Assim, conscientizar as empresas sobre as funcionalidades abertas para proteção e maximização dos resultados e serviços online pode ser a chave para grandes oportunidades abertas com a conectividade. Entre as portas abertas, por exemplo, estão as possibilidades com a Cloud Computing e a gestão de Big Data.



“Há todo um conjunto de fatores e de possibilidades que a internet nos trouxe. E essa evolução abrirá, certamente, outras oportunidades”, destaca Rodrigues. Seja de olho nos consumidores ou corporações, o cenário é promissor, principalmente com o aquecimento na oferta de soluções de gerenciamento de arquivos e na multiplicação de serviços. Para tanto, duas apostas são fundamentais: estar atento e se preparar, pois a conectividade não vai parar.