Estratégia
Lucro certo para a revenda especializada
Por Virgínia Santos
Publicado em 27/06/2022 às 08:50Segundo o Gartner, a taxa de crescimento de gastos do usuário final com servidor na América Latina deve atingir 9,4% em 2023
Após mais de dois anos de trabalho remoto, as empresas brasileiras enfrentam um grande dilema na volta aos escritórios, após a intensificação da vacinação e flexibilização das medidas sanitárias em todo país, qual é a medida ideal para convencer os colaboradores que se acostumaram ao home office a sair de casa e retornar ao local de trabalho. É claro que o retorno já era previsto, entretanto é preciso que as companhias criem um ambiente corporativo seguro que promova a satisfação das equipes e traga ao mesmo tempo bem-estar e maior produtividade mesmo quando a opção é o modelo híbrido onde os colaboradores vão em média 3 vezes por semana ao escritório. Um ponto crucial é investir em ferramentas e máquinas adequadas que façam a diferença para a operação.
Observamos que os projetos de modernização de infraestrutura de TI que estavam engavetados têm ganhado mais força e relevância, nos últimos meses, ao facilitarem o dia a dia das empresas na jornada digital. Entre os setores que se apresentam mais promissores com a nova normalidade destacamos o de servidores e workstations (estações de trabalho).
Servidores e Workstations atingem índices significativos de vendas na América Latina e no Brasil Os dois setores estão em alta é o que mostra as análises dos principais institutos de pesquisa como o Gartner, que identificou que os impulsionadores do mercado de servidores são a retomada da demanda empresarial e a expansão contínua dos fornecedores de serviços. “Neste ano, os gastos com servidores na América Latina devem atingir US$2,44 bilhão, no mundo o montante é de US$111,552 bi. Vale pontuar que dentro dos fornecedores de serviços, os provedores de grande escala (os chamados data centers de hiperescala, por exemplo, com Amazon, Alibaba, Meta e assim por diante) têm impulsionado o mercado para atender suas infraestruturas de datacenter (suportadas pela demanda de conteúdo digital dos consumidores, bem como pela transformação das empresas)”, avalia Kiyomi Yamada, analista sênior do Gartner.
Para Matheus Costa, analista de Pesquisa e Consultoria de Infraestrutura de TIC da IDC, as companhias têm investido em servidores mais parrudos e modernos no novo normal. “O mercado de servidores está em constante evolução, novos equipamentos trazem consigo cada vez mais funcionalidades, maior poder de processamento, sistemas de segurança mais robustos, criptografia de dados e acabam gerando uma maior demanda. Segundo o nosso estudo: IDC Latin America Quartely Tracker Servers, o setor apresenta um potencial de US$ 464 milhões com 61 mil unidades vendidas no ano de 2022 e pode chegar ao patamar de US$ 541 milhões de dólares com 65,7 mil unidades vendidas no próximo ano”, compartilha o executivo.
Em relação ao segmento de Workstations, não é diferente, a área está em crescimento, e as vendas das máquinas devem ser intensificadas nos próximos meses. “Observamos que no médio e longo prazo, o 5G vai aumentar o número de aparelhos conectados e consequentemente vai fomentar o mercado de workstations por conta dos aplicativos de maior performance, o mesmo se aplica ao Metaverso com realidade virtual e aumentada e também as criptomoedas e blockchain (tecnologia que registra as transações dos usuários), a projeção da IDC é que em 2022 sejam vendidas 28 mil unidades no Brasil, um crescimento na casa de 8,5%, algumas workstations tem preço médio de R$30 mil ou até mais dependendo das aplicações específicas que são embarcadas”, agrega Daniel Voltarelli, analista do Mercado Corporativo da IDC.
Tendências tecnológicas que ajudam na hora de vender servidores e as estações de trabalho
O potencial de negócios está a todo vapor com a retomada das atividades presenciais, estamos em uma onda de lançamentos de produtos e soluções inovadoras que facilitam a estratégia operacional das companhias. “Vivemos um período extremamente fértil para o surgimento e o amadurecimento de novas tecnologias. A jornada de transformação digital das empresas segue se intensificando, com novas disrupções e inovações acontecendo a todo o momento. As grandes tendências vão para a direção de um ambiente multicloud, suportando novas formas de lidar com o armazenamento e gestão dos dados, especialmente na ponta. Nesse sentido, o Edge Computing e as soluções ‘as-a-Service’ ganham novos significados. As organizações que operam de maneira ágil são mais resilientes e bem-sucedidas, enquanto as empresas sobrecarregadas por sistemas e processos legados precisarão recuperar o atraso rapidamente. Essa é a conversa que temos com os clientes todos os dias, por isso inovamos constantemente”, destaca Raymundo Peixoto, vice-presidente sênior da Dell Technologies para a América Latina.
A visão das inúmeras possibilidades da nuvem também é compartilhada por Luis Albejante, diretor de Produtos na HPE ao apontar insights que fazem parte do segmento de servidores e workstations. “A estratégia de Multicloud, com ambientes híbridos, está se tornando o padrão. Empresas de diferentes tamanhos e setores estão se movendo rapidamente para adotar essa tendência como parte da sua estratégia de TI Corporativa. Neste contexto, algumas tendências tecnológicas em Servidores estão se consolidando, tais como de automação inteligente das tarefas de gerenciamento, segurança embarcada e a capacidade de composição e recomposição de recursos que otimizam o desempenho para diferentes carga de trabalho”, avalia o executivo.
Guilherme Nogueira, gerente da Divisão de Valor da Agis, reforça as posições dos executivos da Dell e HPE em sua análise sobre a estratégia multicloud. “O principal movimento no setor deve ser a computação em borda (edge computing) em conjunto com aplicações multicloud. O usuário tem buscado uma melhor experiência em aplicações de machine learning, inteligência artificial, IoT entre outras com precisão e baixa latência. O modelo híbrido de tecnologias de processamento de dados levam a melhor arquitetura e experiência para o usuário. O portfólio da Agis tem o que há de mais inovador no mercado de computing e consegue oferecer ao mercado os modelos OPaaS (On Premisses as a Service), modelo de consumo (cloud) ou aquisição tradicional. Atendemos todas demandas, desde um servidor edge de pequeno porte, até soluções HPC”, agrega o executivo.
Quando falamos de tendências, a adoção de tecnologias como IA, machine learning, IoT e 5G são importantíssimas para a AMD. “Tais avanços tecnológicos estão inerentemente relacionados a máquinas poderosas e boas, computação de alta performance e parques tecnológicos constantemente atualizados. Além disso, é preciso observar fatores básicos, como a segurança e eficiência energética, essenciais nos dias de hoje. Precisamos proteger o grande volume de dados processados diariamente por meio dos servidores e estações de trabalho, assim como a saúde do planeta, com equipamentos que economizem energia e estejam preparados para os desafios desses dois avanços tecnológicos”, pontua Alexandre Amaral, diretor de Vendas de Cloud e Data Center na AMD.
Claudio Stopatto, country manager de Lenovo ISG, ressalta que a pandemia trouxe novos desafios às corporações. “Muitas companhias têm se preocupado em preparar a infraestrutura para os novos desafios da atualidade. Nesse contexto, a Lenovo visa investir no crescimento dos negócios, principalmente em computação edge (borda), soluções de nuvem como elemento-chave na infraestrutura de TI, além da convergência das redes 5G com a nuvem. Vale destacar que a Lenovo é líder mundial em resiliência dos servidores. A alta disponibilidade de nossos sistemas, quando comparados com outras plataformas, gera mais economia para os clientes e elimina problemas que as paradas não-planejadas podem causar”, compartilha o executivo.
Para a TD SYNNEX, as principais tendências que devem ser analisadas são Cloud, Hybrid Multicloud, Aplicações em SaaS e Hiperconvergência. “Temos o avanço das tecnologias Edge Computing, IoT e IA. Distribuímos as principais fabricantes de servidores do mundo: IBM, Dell, HP, Lenovo e Cisco. Nosso principal diferencial é o apoio para a revenda na definição do que melhor atende a necessidade do cliente. Temos treinamentos certificados pelas fabricantes e ferramentas de ensino a distância na nossa plataforma de EAD – K-NOW!, entre outros recursos para auxiliar os canais em suas transações comerciais”, diz Sergio Basilio, diretor de Soluções e Inovação da TD SYNNEX.
Por sua vez, Severino Sanches, CEO da AGORA, avalia que tecnologias inovadoras como o Wi-fi 6 e o 5G, possibilitarão que as workstations tenham um funcionamento contínuo e eficiente. “Vemos o Edge Computing como uma das principais tendências no mercado brasileiro. Por essa razão, estamos fazendo grandes esforços comerciais e em capacitação para que os nossos parceiros de negócios flexibilizem seu portfólio e acompanhem essas novas tendências de mercado, atendendo as novas demandas. Além disso, a AGORA ampliou recentemente sua atuação no mercado de TI através do acordo com a Huawei para distribuição de toda linha Enterprise e Commercial (servidores, switches, storage, roteadores, Wi-Fi 6, redes ópticas e etc.), além disto temos a nova unidade de Huawei Cloud que irá impulsionar as vendas e ampliar o nosso escopo de atuação com novos parceiros de negócios. A área de conectividade é uma das nossas grandes apostas para este ano com soluções de transporte de dados e infraestrutura mais modernas destinadas aos provedores de acesso à internet (ISPs), como F5G, XG- Pon, XGS-Pon, DWDM, eLTE, etc.”, conta o executivo
Para a NVIDIA, os setores de servidores e workstations possibilitam maior conexão entre as equipes de colaboradores, oferecendo um compartilhamento mais inteligente dos recursos de TI das empresas, disponibilizando assim mais ferramentas. “Tecnologias ligadas à nuvem são uma grande direção para os novos negócios, já que elas permitem trabalhos remotos, híbridos e proximidade de dados de fontes variadas dentro de uma mesma organização que está espalhada pelo globo. Além disso, a necessidade de alto poder computacional demandará cada vez mais por servidores, pois não há mais como lidar com quantidades pequenas de dados, a tendência é só aumentar”, avalia Marcelo Pontieri, gerente de marketing da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina.
Já Bruno Shigemura, gerente de Marketing da Intel, acredita que com a explosão dos dados há uma demanda maior por soluções inteligentes e performance computacional. “Acreditamos que 4 tendências principais já estão impactando a forma que vivemos, trabalhamos e interagimos e acelerando a transformação digital em praticamente todos os aspectos das nossas vidas, mas sua adoção no Brasil irá se tornar cada vez mais massiva nos próximos anos e, praticamente, todos os segmentos serão impactados por elas. São elas: infraestrutura da borda a nuvem, conectividade onipresente, inteligência artificial e computação ubíqua: um conceito em engenharia de software e ciência da computação”, conta o executivo.
Conheça as soluções mais avançadas para os segmentos de servidores e workstations
Com o mercado aquecido, os grandes players de TI disponibilizam o que há de mais moderno quando se trata de servidores e workstations para atender as demandas das companhias de pequeno, médio e grande porte.
Recentemente, a Dell Technologies apresentou avanços significativos para as linhas de armazenamento PowerStore, PowerMax e PowerFlex. “Queremos levar aos nossos clientes as melhores ferramentas para fornecer insights mais rápidos, gerando melhor controle de dados em várias nuvens e aumentando a resiliência cibernética. Além disso, apresentamos um novo portfólio de workstations, como a nova Precision 5470, que é nossa workstation móvel de 14” compacta e poderosa. Inclui processadores Intel Core i9 de até 12ª geração, 64Gb de memória DDR5, 4Tb de armazenamento e opções com placa gráfica NVIDIA RTX A1000 Graphics com GDDR6 de 4 Gb”, conta Peixoto, da Dell.
No final de maio, a Lenovo lançou a workstation – ThinkStation P348 no Brasil. O foco da fabricante é atender ao mercado corporativo. O dispositivo conta com o processador Intel Core de 11ª geração i5, i7 e i9 com as placas gráficas da NVIDIA T400, T1000 entre outras, ou GeForce RTX 3060. A novidade possui a certificação Independent Software Vendors (ISV), que garante que os aplicativos mais críticos sejam executados de forma confiável. “Com o retorno dos colaboradores aos escritórios, houve a necessidade de atualizar os parques já instalados, por isso estamos expandindo a nossa linha de workstations. A Lenovo preza por trazer soluções adaptadas às necessidades dos clientes e temos um portfólio completo do bolso à nuvem, no caso da ThinkStation P348 atendemos 4 pilares chaves como: performance, expansibilidade, confiabilidade e customização”, diz Leandro Lofrano, diretor de Produtos da Lenovo para o mercado corporativo.
Para Silvio Ferraz de Campos, CEO da Positivo Servers & Solutions, alguns segmentos, como o de soluções de appliance para multicloud e servidores para edge computing, têm perspectivas muito positivas e devem crescer, inclusive, na casa dos dois dígitos. “O segmento de workstations com maior poder gráfico conta com o avanço e a necessidade de desenvolvimento de aplicações no metaverso/ominiverso, a nossa expectativa é que a procura também aumente bastante. Como concessionária exclusiva da marca Supermicro no Brasil, a Positivo Servers & Solutions tem o maior e mais completo portfólio da indústria computacional, com servidores para as necessidades de Cloud Servers, Inteligência Artificial, Supercomputadores, Edge Computing e Storage”, conta o executivo.
Com o objetivo de atender as demandas digitais dos clientes, da borda à nuvem, a HPE disponibiliza todo seu portfólio de Servidores com tecnologias de última geração, incluindo HPE Silicon Root of Trust para segurança em nível de firmware, HPE InfoSight que oferece operações autônomas e contínuas alimentadas por inteligência artificial (IA) e machine learning (ML) que vêm com opções dos novos processadores escaláveis Intel Xeon da 3ª geração e AMD EPYC. “Todas as tecnologias da HPE estão também disponíveis, através do HPE GreenLake, uma plataforma elástica as-a-service que pode ser executada no local, na borda ou em uma instalação de colocation, com pagamento baseado em consumo real”, diz Albejante, da HPE.
Recentemente, a AMD apresentou uma série de novos ganhos dos processadores EPYC de última geração, inovando em design, liderança, tecnologia de embalagem 3D e fabricação de alta performance de 5 nm para estender ainda mais nossa liderança para clientes de Cloud, empresas e HPC. “O crescimento da AMD em servidores segue acelerando, sendo que essa família de processadores tem obtido bons resultados por oferecer máximo desempenho com uma arquitetura de ponta. A empresa também adquiriu a Pensando, em busca da liderança em computação distribuída de última geração e na expansão do portfólio de produtos. Hoje, atuamos em várias frentes com canais e clientes, distribuidoras e integradoras, para atender o mercado brasileiro com a solução certa para cada necessidade”, compartilha Amaral, da AMD.
Como aumentar a lucratividade com o avanço das megatendências
Para aumentar o lucro, é necessário que o canal conheça profundamente o comportamento do mercado que mudou radicalmente com a aceleração da transformação digital e se torne especialista nos segmentos de servidores e workstations. “Hoje em dia, é extremamente importante oferecer um serviço personalizado, de alta qualidade e especializado que possa dar suporte às demandas dos clientes. Existem algumas formas dos canais faturarem com soluções de IoT, como: venda da solução (Hardware e/ou Software) para o cliente final ou integradora fazer a implementação; venda e execução da solução completa (modelo turnkey); serviço e manutenção recorrente pós-venda; inscrição por assinatura de serviços de infraestrutura do chip até cloud, locação da solução (Solução completa como Serviço – Solution as a Service), entre outras”, compartilha Shigemura, da Intel.
Sanches, da AGORA, pontua que é muito importante que o ecossistema de canais se capacite constantemente para oferecer as soluções do portfólio da companhia e serviços recorrentes a partir das tecnologias de IoT, 5G e Edge Computing. “A pandemia antecipou as tecnologias que já estavam em andamento e a Transformação Digital impõe atualização e expertise. Nesse sentido, estamos ampliando nosso portfólio com diferentes e complementares tecnologias inovadoras. Isso, para que nossos parceiros tenham mais opção e oportunidade de entregar projetos completos e intensificar o cross selling. Estamos, juntamente com as fabricantes, crescendo nossa grade de treinamento, capacitação e oportunidade de POCs, a fim de apoiar os canais de negócios no conhecimento teórico e prático sobre essas novas tecnologias”, agrega o executivo.
Esta também é a opinião de Nogueira, da Agis, a capacitação é essencial para a atuação da revenda. “O canal precisa se especializar em aplicações que otimizem os processos dos clientes e faça com que os dados gerados tragam mais receitas para as empresas. A automação de processos e machine learning podem cooperar de forma eficaz na tratativa dos dados desde que o canal tenha capacidade de integrar as melhores ferramentas com habilidade computacional adequada”, observa o executivo, completando que a empresa realiza constantemente treinamentos para o time de vendas e os canais.
Stopatto, da Lenovo ISG, destaca que os clientes querem parceiros que entendam do seu negócio e que sejam capazes de oferecer soluções para os desafios cotidianos. “É necessário que o parceiro se especialize para conhecer as necessidades do cliente e oferecer soluções que agreguem valor ao seu negócio. O canal deve sempre estar atento e informado sobre as tendências e inovações para apresentar as melhores soluções aos clientes. É importante mencionar que a Lenovo possui um portfólio completo de soluções inteligentes, para suprir todas as necessidades dos clientes, de PMEs a grandes empresas, e ainda no modelo as-a-service por meio do Lenovo TruScale”, diz o executivo.
Silvio, da Positivo, ressalta que os setores de servidores e workstations são muitos específicos e necessitam de especialização. “Trabalhamos no desenvolvimento e na parceria com os canais, sempre com o objetivo de unirmos a nossa oferta completa de servidores para os mais diversos segmentos e necessidades e complementamos com a expertise das integradoras e canais especializados. O parceiro precisa se especializar na entrega dos serviços e ter proximidade com o desenvolvedor do software de cada segmento, por exemplo. Dessa forma, vai aumentar sua lucratividade e entregar com sucesso a solução final”, afirma o executivo.
Por fim, à medida que as empresas avançam em suas jornadas necessitam de soluções específicas para a operação. É nesse contexto, que você, canal, entra, ao se tornar um trust advisor dos seus clientes apresentando tudo o que há de mais moderno e disruptivo nos segmentos de servidores e workstations, afinal tais ofertas são a base para a verdadeira transformação digital das companhias.

