Lenovo quer dobrar sua rede de canais no Brasil
A Lenovo é mais uma das globais de tecnologia de olho no Brasil. Os executivos participantes do seu board (Lenovo Executive Council, ou LEC) estão esta semana no país para conhecer melhor o mercado, a cultura e o potencial do Brasil, por meio de contato com clientes e parceiros, incluindo distribuição e varejo.
 
Segundo o CEO Yuanqing Yang, a fabricante definiu no início do ano seu foco em mercados emergentes, SMB e consumidores finais. É a terceira viagem a países emergentes realizada pelo grupo, que já esteve também na Índia e na Turquia. “Estamos crescendo rapidamente em países emergentes”, diz Yang. A companhia anunciou lucro líquido de 53 milhões de dólares entre julho e setembro deste ano, mais que o dobro dos 23,4 milhões do mesmo período de 2008. A receita chegou a 4,1 bilhões no segundo trimestre, contra 4,3 bilhões do ano anterior. Na comparação anual, o volume de vendas de PCs cresceu 17% no segundo trimestre fiscal.
 
Segundo Yang, a estratégia contempla a proteção dos negócios em mercados tradicionais da companhia, com organizações de maior porte. E muita agressividade para buscar crescimento em SMB e consumidores, principalmente com notebooks. “As expectativas são altas para o Brasil e para este segmento. Vamos ampliar os investimentos em canais para que eles cresçam rapidamente, com atrativos como nosso portfólio de produtos e eficiência, traduzida em custos competitivos”, destaca.
 
Em relação aos produtos, o presidente e COO Rory Read ressalta que nos próximos meses serão anunciadas novidades relacionadas a mobilidade, com tecnologia 3G, e soluções e funções especiais para consumidores. A empresa recentemente lançou no Brasil sua linha Idea, voltada ao varejo, com conceitos como all-in-one. Já está presente em dez grandes redes, incluindo Casas Bahia e Fnac. “O trabalho com parceiros será fundamental para atacar consumidor e SMB e defender posição em grandes empresas e governo”, diz Read. No Brasil, a Lenovo tem atualmente 2 mil parceiros. “Queremos dobrar este número nos próximos meses”, adianta o COO.
 
A Lenovo atualmente tem 2 mil parceiros no Brasil. Segundo o presidente no país, Tomaz Oliveira, entre iniciativas direcionadas ao fortalecimento da rede no país estão a reformulação da política de canais, o crescimento da produção e do portfólio de produtos voltados a SMB e consumidores, e a criação de uma organização dedicada, que hoje conta com um grupo de suporte a distribuição e outro voltado ao 2nd tear (revendas), para colaborar no sell out dos produtos. “Além de melhor suporte ao primeiro e segundo tear, vamos colaborar para a geração de demanda e de leads, principalmente no SMB”, descreveu.
 
A empresa, que por enquanto não fala mais na aquisição da Positivo – segundo Yang, a fabricante está sempre aberta a analisar oportunidades, inclusive mundiais –, quer ampliar a capacidade de produção no país por meio de parceiros, para alcançar no mínimo 10% de market share em 2014. Hoje, a participação é de 3%. Para isso, vai investir em sua rede de parceiros de produção para dobrar a capacidade atual, de 500 mil máquinas anuais. A meta é ficar pelo menos entre as três maiores marcas do ranking. “Os investimentos vão priorizar recursos humanos, com a transferência para o país de talentos técnicos para absorção de melhores práticas; produtos, com ampliação de portfólio e inovação; supply chain, com ampliação da capacidade de produção; e parceiros”, resumiu Rory.
 
A produção atual da empresa no país está distribuída entre Flextronics, Quanta e Compal. Em curto prazo, a empresa não cogita trazer para o Brasil sua linha de celulares, vendida em 2008 por 100 milhões de dólares e recomprada recentemente por um valor em torno de 200 milhões. Segundo Yang, a operação vai ser maturada no mercado chinês para só depois alcançar outras geografias.