Maiores, espertos e rentáveis
A busca por mais produtividade, economia, conforto e apelo estético terá impacto sobre as vendas de monitores ao longo deste ano. O movimento, que está sendo traduzido pelos fabricantes de equipamentos por inclinações como maior procura por telas maiores e preparadas para chats, conferências e TV, retorno ao papel de acessório e desaparecimento do CRT, pode colaborar com a maior rentabilidade das revendas nos negócios com o segmento. 

Se até 2006 o tamanho mais vendido no país era o de 15”, no ano passado a liderança foi assumida pelo monitor de 17” e, este ano, deve ficar por conta dos equipamentos de 19”. Além disso, espera-se uma forte arrancada do mercado de 22”, apoiada pela queda dos preços dos equipamentos. “As telas pequenas ainda são as mais vendidas, principalmente as de 17”, mas o aumento de participação das telas de 19” e 22” é bastante significativo”, registra Francisco Dardi, diretor de produtos da AOC. “Existe uma tendência para utilização de telas maiores, o que já ocorreu na Europa e nos Estados Unidos, onde os monitores de entrada são os de 19””.

De acordo com a gerente de produto da área de monitores da LG, Ada Noriega, em 2007 a participação dos monitores de 15” no mercado era de 40%. No ano passado, caiu pela metade. Comportamento similar pode ser observado nos equipamentos de 17”. Enquanto isso, aqueles com 19” – incluindo os formatos widescreen e standard –, que há dois anos ocupavam 9% do total, no ano passado chegaram a 26% e este ano deve passar de um terço do mercado total. O maior salto, segundo Ada, será percebido nos produtos de 22”. “No ano passado representaram perto de 5% do mercado. No ano que vem, podem chegar a 15%”, diz. “O ano será das telas entre 19” e 24””, acrescenta Ronaldo Miranda, diretor da divisão de Tecnologia da Samsung do Brasil.

O executivo lembra ainda que a queda de preços do LCD, além de beneficiar os formatos de maior porte, acabou por decretar a morte da venda de monitores novos CRT, que, ainda assim, no ano passado ficaram com uma fatia entre 5% e 7% do mercado. “A maior dificuldade era o custo do LCD, equacionada com os ganhos de escala na produção”, observa Miranda. Some-se a isto a procura pela redução de custos e eficiência energética que passou a ser uma das grandes prioridades do planeta em crise para ficar delineada uma das oportunidades para o segmento: a substituição do parque formado por mais de 20 milhões de equipamentos CRT no Brasil. “Já observamos o movimento de troca no ano passado, motivado pela necessidade de redução no consumo de energia e otimização de espaço nas empresas. A orientação, que começa no mercado corporativo para depois atingir o consumidor doméstico, deve se acelerar este ano”, avalia.

A mesma questão dos ganhos de escala impacta diretamente nos formatos das telas. “As telas 4:3 terão redução significativa na participação do mercado em 2009, provavelmente permanecendo somente as telas wide em 2010”, diz Francisco Dardi. O formato quadrado, segundo Miranda, se mantém com raras exceções para aplicações especiais. Mas a consolidação do widescreen é acompanhada da mudança do padrão 16:10 para 16:9, proporção adotada pela televisão e pelo cinema. “É uma questão de escala. O que beneficia ou não um determinado formato é o corte do LDC”, lembra Miranda.
 
Multifuncionalidade
Mas a adoção do formato 16:9 pela indústria leva o usuário a ganhar vantagens extras além do custo de aquisição do produto, como economizar um pouco mais na sua conta de energia, já que a relativa redução da área da tela reduz ainda mais o consumo. A aderência ao padrão televisivo é outro ponto de destaque da indústria, que amplia o movimento de convergência entre os monitores e a TV – outra das boas oportunidades de vendas este ano que deve sensibilizar o mercado doméstico, já que, digamos, um jovem que tenha um computador no quarto não precisa mais espaço extra para um aparelho de TV, com o monitor de seu PC preparado para assumir este papel com qualidade de imagem e funções cada vez mais sofisticadas que não deixam nada a dever aos televisores sob o ponto de visa dos amantes de filmes e games. Mesmo monitores de função única hoje podem assumir este papel com acessórios como o TV Box Real Angel HD 1680, da Zogis, sintonizador que transforma o monitor em aparelho de TV.

“As pessoas estão procurando mais conforto, trabalham com mais coisas ao mesmo tempo, jogam. Isso exige telas maiores e multi-tarefas. A convergência com TV continua sendo uma das tendências importantes no mercado”, diz Ada Noriega. Em março, por exemplo, já estão disponíveis os novos produtos da série 53 da LG, que oferece monitores de 18,5”, 20”, 21,5” e 23”. Os primeiros a serem lançados são os modelos de 18,5” e 23”. Um dos grandes apelos é o entretenimento. Os equipamentos chegam com diferenciais como contraste de 50.000:1 e o pacote de funções Smart, como brilho automático – com sensor de luz do ambiente que determina o brilho ideal –, controle do tempo para programar o desligamento do monitor e modo cinema, que “baixa” o brilho do resto da tela destacando os vídeos selecionados na internet, por exemplo. Todos os modelos da série chegam com conexão DVI, enquanto os dois maiores são também full HD e o de 23” oferece conexão HDMI. O tempo de resposta do 18,5” é de 5 ms (milissegundos) e dos demais, 2 ms.

A AOC e a Samsung investem nesta seara. Entre os lançamentos mais recentes da primeira, Francisco Dardi destaca o 2230Fm, widescreeen de 22” que permite ao usuário facilidades como visualizar fotos, assistir filmes e ouvir músicas sem sequer precisar ligar o PC – lê diretamente cartões de memória e dispositivos SD, XD, MMC, MS e USB, além de oferecer entrada HDMI, contraste dinâmico de 20.000:1 e tempo de resposta de 2 ms. Já o 931 Fwz, de 19”, possui conectores de vídeo analógico (RGB) e digital (DVI-D) e anel traseiro de acabamento para o VESA Mount 100mm (padrão de furação para fixação em parede ou painel). A Samsung, por sua vez, com a complementação da linha Touch of Color, nascida no ano passado, acaba de trazer ao mercado três novos modelos de monitor TV de alta definição com 20”, 22” e 24”. “Estamos apostando no monitor com TV, que na Europa perfazem 80% dos monitores de tela com 22” ou 24”. Juntando as funções, o usuário ganha espaço, consumo de energia e, com design mais atraente, um novo objeto de decoração”, diz Ronaldo Miranda.

Segundo ele, com características e funções mais ricas, os monitores podem voltar a ser considerados, como já foram no passado, um acessório de PCs e notebooks, não apenas um componente que faz parte de um conjunto. A Samsung, por exemplo, oferece um modelo com câmera de 3 megapixels e microfone bidirecional de alta fidelidade para atender o usuário que deseja se comunicar sem espalhar um leque de acessórios em volta do computador. A AOC também assina o V17, “o primeiro e mais fino monitor Ultra Slim de 17 polegadas do mercado”, como observa Francisco Dardi, que com câmera de 1.3 megapixels, tem microfone digital e alto-falantes integrados.