Novas Tecnologias 2

Conheça cinco tecnologias que revolucionarão o mundo da TI nos próximos anos e duas tendências para o futuro

 

Mudanças no universo da TI ocorrem todos os dias de modo acelerado com o lançamento de novos produtos e serviços que, salve exceções, serão considerados obsoletos em poucos anos. Para quem trabalha com TI, seguir essas mudanças no mercado não é uma tarefa fácil. Por isso, a PartnerSales selecionou cinco novas tecnologias e duas tendências para mostrar ao canal quais são as novidades deste mercado e como trabalhar com essas tecnologias para aumentar suas margens de lucro

TelePresença

De acordo com os resultados do 8º Relatório Anual de Produtividade Proudfoot, empresa de consultoria especializada na implementação de melhorias operacionais, as empresas brasileiras poderiam obter maiores ganhos em produtividade, mas enfrentam vários entraves, como problemas de comunicação interna.

Para solucionar este problema, nasceu a TelePresença, tecnologia que junta áudio e imagem em uma mesma plataforma e a impressão de que a pessoa que você está conversando via banda larga está literalmente na sua frente. “A mensagem antigamente era transmitida por telefone, pela voz e entonação. Contudo com uma solução de TelePresença, além de ouvir a pessoa que está do outro lado da linha eu consigo perceber a comunicação corporal dela. É por entender a linguagem corporal que falamos que uma reunião presencial sempre rende mais do que um telefonema”, explica Ricardo Ogata, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Colaboração da Cisco.

A tecnologia não pode ser chamada de nova. Segundo a Cisco, as primeiras soluções de TelePresença datam de cinco anos, mas é somente agora que a tecnologia se popularizou entre as empresas. “Se antigamente os endpoints eram salas grandes hoje eles são diversos dispositivos que permitem qualquer pessoa participar de uma reunião em alta qualidade por meio de um tablet, por exemplo”, comenta Ogata.

Sobre como as revendas podem agregar valor e aumentar suas margens de lucro com a tecnologia, Ogata cita o aumento do número de revendas que se especializam em solução de vídeo como sinal de lucro. “Trabalhar com TelePresença não significa instalar a solução. Às vezes, é preciso adequar a sala para que o usuário tenha a experiência correta e é cada vez mais importante que a revenda saiba como instalar o endpoint em si, mas é fundamental saber integrar esta solução com as outras ferramentas que existam, como, por exemplo, o Outlook”, complementa.

Roteador com tecnologia Smartbeam

Considerada o próximo passo da evolução dos roteadores, a tecnologia Smartbeam se diferencia da atual versão encontrada nos roteadores comuns em dois pilares: oferece seis antenas internas, ao invés de duas ou quatro, como nos modelos atuais e o sinal não é enviado de modo passivo. Além disso, estes novos roteadores têm capacidade de alcance, em média, quatro vezes maior do que os modelos tradicionais.

“Na verdade, a tecnologia padrão tem uma antena passiva que radia o sinal em 360° de forma igual. No caso da Smartbeam as seis antenas são internas, mas cada uma vai jogar o sinal para uma angulação específica. Outro diferencial é que a antena é ativa, o que quer dizer que a medida que equipamentos forem se conectando a uma antena o sinal ficará mais forte nela e mais fraca em uma antena que não conta com nenhum aparelho conectado, otimizando assim o sinal”, explica Taciano Pugliesi, gerente de Produtos da D-Link.

O gerente expõe que essa tecnologia nasceu da necessidade do consumidor final sempre ter um sinal forte e estável em diversos pontos, algo que a tecnologia anterior não conseguia fazer. A tecnologia está disponível para as revendas e até o final do ano ao menos três modelos de roteadores da companhia estarão disponíveis aos consumidores finais.

Todavia, Puglesi não acredita que a tecnologia Smartbeam irá substituir o modelo atual em breve. “A ideia é termos produtos com as duas tecnologias vivendo lado a lado. Como a Smartbeam é uma tecnologia com o custo de desenvolvimento caro, iremos ter produtos de entrada com tecnologia padrão e, a partir dos equipamentos médios para high-end, começaremos a utilizar a nova tecnologia”, comenta

Galaxy Camera

Imagine juntar uma câmera fotográfica de última geração com o seu equivalente no universo smartphone. Essa é a premissa da Galaxy Camera. “Esse lançamento da Samsung pode ser considerada a primeira tentativa desse casamento, onde o usuário pode realizar todas as tarefas que realiza em um smartphone, tirando falar, em uma câmera fotográfica”, conforme explica Thiago Onorato, gerente sênior de Digital Imaging da Samsung.

Para o gerente, a criação da Galaxy Camera foi algo natural, apesar de não ver motivos para juntar as duas categorias em um único equipamento no futuro próximo. “Os celulares estão cada vez com mais capacidade de reter boas imagens e fazer bons filmes, mas eles ainda têm grandes dificuldades no quesito de qualidade óptica. Como hardware os celulares atuais ainda não estão próximos da qualidade de uma câmera simples e vemos o brasileiro mais exigente nesse quesito”, explica.

Para Onorato, a principal facilidade dessa nova tendência é a integração da câmera com as redes sociais que o usuário frequenta. “Hoje você traduz por meio de imagens e filmes tudo o que você na sua vida. Estamos nos acostumando a compartilhar nossa vida nas redes sociais e ter uma câmera integrada a essas redes sociais é uma ferramenta perfeita para se criar imagens e ser bastante autoral. É uma forma totalmente diferente de trabalhar com imagens e filmes que estamos disponibilizando aos usuários finais”, analisa.

Sobre como a Galaxy Camera entra no disputado mercado de aparelhos fotográficos, Onorato diz que o equipamento cria um novo mercado, logo não disputa com os equipamentos tradicionais. “Esse lançamento cria novas oportunidades para os players criarem negócios. Por exemplo, estamos em busca de parceiros nas áreas de impressão para permitir ao usuário imprimir suas fotos a longa distância”, finaliza

Big Data, dados que podem significar chances de negócio

“Considerado uma das grandes revoluções do mundo da TI nos últimos meses, o Big Data afetará a vida de todas as pessoas nos próximos anos”. A afirmação é de Pedro Desouza, gerente de Consultoria e Inteligência de Negócios da EMC.

“O Big Data é uma era nova que estamos passando, principalmente relacionado a informática, mas que está afetando todas as pessoas e isso está relacionado a grande quantidade de dados que estão disponíveis”, comenta.

Desouza diz que, graças aos avanços tecnológicos, as empresas têm acesso agora a milhões de usuários dando feedback sobre os mais diversos assuntos por meio de centrais telefônicas, redes sociais etc. “Existe uma quantidade enorme de dados sendo gerados não por voz, mas com imagem e texto. Isso é uma fonte para entendermos o mundo. Por exemplo, as companhias de energia e gás, num futuro próximo, não irão medir o consumo mensalmente, mas em um intervalo de minutos, permitindo assim que qualquer variação nos dados que indique a possibilidade de um problema seja percebido o mais rápido possível”, analisa.

De acordo com o gerente, existem empresas que embarcaram na tecnologia do Big Data. “Para elas essa revolução é realidade. Existem outras que ouviram falar do Big Data, mas não entendem muito bem os benefícios que ele pode trazer e existem empresas que ainda não ouviram falar”, analisa. Para ele, irá demorar cerca de oito anos para 90% das empresas estarem utilizando analíticas de previsão integrada aos seus sistemas.

No caso das revendas, o Big Data pode servir para conhecer melhor os clientes. “Se você consegue segmentar o seu mercado você pode oferecer o que melhor atenda as necessidades do cliente. Se uma revenda quiser ela pode usar o Big Data para conhecer melhor seus clientes de uma determinada área e vai oferecer uma solução ideal para ele“, finaliza Desouza

4G

Opróximo passo da transmissão de dados na telefonia móvel, o 4G é a quarta geração desse tipo de serviço. O grande diferencial da tecnologia apontado pelas empresas é que ela será capaz de oferecer uma conexão com a Internet até oito vezes mais rápida do que o sistema atual, o 3G.

Segundo o cronograma da Anatel, as empresas de Telecomunicações têm até abril de 2013 para oferecer o 4G às cidades-sede dos jogos da Copa das Confederações. O escalonamento vai até 2019, quando todos os municípios brasileiros devem receber o serviço.

Contudo, apesar de faltarem alguns meses para o serviço estar disponível, algumas fabricantes oferecem modelos adaptados ao 4G brasileiro. O motivo dessa adaptação é que o 4G nos Estados Unidos, o principal mercado e fabricante, utiliza a frequência entre 700MHz a 2100MHz para a sua rede. No Brasil, no entanto, essas frequências são ocupadas atualmente pela TV analógica e pelas redes 3G. Por ora, o 4G ocupará a faixa de frequências de 2500MHz a 2690MHz, anteriormente destinada ao MMDS.

“A banda 4G adquirida pela Claro permitirá aos nossos clientes assistir streaming filmes, séries, desenhos e documentários sem a necessidade de fazer download para o celular ou tablet e com a mesma qualidade de uma TV. Também será possível fazer videochat com a interação de várias pessoas ao mesmo tempo”, comenta Marcio Ramos, diretor regional da Claro em São Paulo, ao ser questionado dos benefícios que o 4G trará aos usuários finais.

Para o gerente de Articulação Tecnológica do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), Marco Antonio Ongarelli, o 4G será uma grande revolução no Brasil. “Hoje, o 3G não chega a 1Mb e o 4G vai alcançar dez vezes a velocidade que temos hoje”, analisa

Como será o amanhã?

 

Tentar adivinhar como será o futuro sempre foi um dos maiores desejos da humanidade. Todavia, ter certezas de fatos e tendências antes deles se tornarem reais ainda se restringe a literatura fantástica ou a ficção científica. Contudo, é possível ter algumas ideias de como será o futuro. Durante a elaboração dessa reportagem, a PartnerSales entrou em contato com o CPqD, um dos mais conceituados centros de estudo de Telecomunicação no Brasil e conversou com alguns pesquisadores sobre a evolução da banda larga e das Tecomunicações.

Ocorrida na cidade alemã de Hanover, em março, o CeBIT 2012 é considerado uma das principais feiras de tendências no ramo das Telecomunicações e o CPqD apresentou os sistemas ópticos avançados, entre eles um módulo baseado na tecnologia DWDM (multiplexação por divisão de comprimento de onda, em tradução livre) que pode transmitir dados a 100Gbps.

Para Alberto Paradisi, diretor de Gestão da Inovação do CPqD, o cenário que se desenha para o futuro é de uma comunicação cada vez mais abrangente em termos de números e de atores. “As pessoas vão se comunicar por meio de centenas de objetos como tablets para facilitar suas vidas. O cenário é extraordinário e muitas coisas podem acontecer no fundo da base da comunicação que está se consolidando com tecnologias baseadas em fibra óptica e cloud”, analisa.

Na área de fibra óptica, o pesquisador diz que os sistemas baseados nessa tecnologia começaram a se consolidar nos anos 80, mas a evolução das últimas duas décadas permitiu a tecnologia aumentar a capacidade da transmissão de poucos bytes para terabytes por segundo.

“A fibra óptica irá até um determinado ponto. Após isso, a informação será codificada e chegará ao usuário final por meio da nuvem. Por isso, cloud e fibra optíca são as duas tecnologias que vão dominar”, comenta Paradise, acrescentando que a vantagem da fibra sobre a nuvem é a sua velocidade de até mil vezes maior, mas, por outro lado, a tecnologia cloud se sobressai quando o assunto é mobilidade.