Segurança 2

Com o surgimento de novas tecnologias no mercado de TI, os sistemas das empresas estão mais suscetíveis a ataques e invasões. Como prevenção, é feito um investimento maior em soluções e serviços de segurança e especialmente em especialização dos canais para que possam prover da melhor forma uma consultoria

O mercado de segurança é dinâmico, está sempre se atualizando e inovando para poder oferecer soluções de prevenção e defesa contra as constantes ameaças que surgem a todo momento. Softwares como antivírus, antispam e prevenção de dados estão consolidados e cada vez mais em alta no mercado brasileiro. O segmento registrou um crescimento de cerca de 31% em 2010 no país, segundo dados do IDC, e a perspectiva é que continue em alta, com um avanço nesse ano acima de 20% e previsão de crescimento de dois dígitos em 2012.

Mesmo com números positivos e boas perspectivas parasetor, ainda falta uma conscientização dos usuários e, principalmente, de funcionários de empresas para a utilização de soluções de segurança. “Esse mercado, em comparação com o de sistemas de ERP, BI, entre outros, ainda é pequeno no Brasil, porém, está se desenvolvendo. O problema não é a falta de soluções, mas sim a falta de consciência e maturidade tecnológica para entender a importância de segurança em um ambiente coorporativo, por exemplo”, explica Carlos Calegari, analista sênior do Mercado de Software do IDC.

 Os ataques e invasões ocorridos recentemente em diversos sites governamentais também servem de alerta para as companhias se preocuparem mais com a proteção de informações e dados importantes. Com isso, é essencial obter soluções de Data Loss Prevention (DLP) - sistemas que identificam, monitoram e protegem os dados em uso, em movimento e em repouso. “Há o interesse das empresas por esse tipo de solução, que não é simples, pois envolve uma reeducação do funcionário, que a segurança não é apenas implantada na rede, mas sim, muito próxima do usuário. O software evita que o funcionário, por exemplo, copie um dado sensível da empresa em um dispositivo móvel ou envie por e-mail. Isso exige um processo de catalogação de documentos, análise do perfil dos usuários, entre outras ações”, detalha o analista do IDC, complementando que percebe-se, hoje, uma mudança no foco das empresas, que não desejam apenas evitar ataques de hackers, mas sim minimizar esses efeitos. “Não mais uma única preocupação com ameaças. O investimento é voltado à identificação quanto antes o ataque e evitar a perda de dados sensíveis”, destaca Carlos.

O avanço da mobilidade exige ainda mais atenção dentro desse setor. Uma pesquisa realizada pela GData Security Labs indicou que a quantidade de malwares em dispositivos móveis cresceu 273% no primeiro semestre de 2011, em comparação com o mesmo período de 2010. Esses dados se agravam com a constatação de que esses dispositivos são cada vez mais usados para acesso a dados de empresas, o que reforça a ideia de que as companhias devam criar o hábito de alertar seus funcionários quanto à utilização correta dos aparelhos. “O acesso à infraestrutura das empresas tem crescido fora do horário comercial. Dados sensíveis são visualizados em diferentes lugares e a probabilidade de perda deve ser considerada”, acrescenta Calegari.

Sendo o crescimento de ameaças para dispositivos móveis uma das principais novidades no setor de segurança, Mariano Sumrell, diretor de Marketing da Winco, representante da AVG no Brasil, acredita que há um aumento da demanda por soluções para esses dispositivos. Além disso, a empresa aposta em softwares de antivírus, firewall e controle de acessos voltados ao mercado corporativo. “A principal novidade da Winco será o lançamento da versão Linux do Winconnection, o nosso gateway de segurança e controle de acesso à internet”, destaca.

 Para Hernán Armbruster, diretor de Novas Tecnologias da Trend Micro, as perspectivas de crescimento do setor para 2012 incluem o avanço contínuo de soluções de segurança para pequenas e médias empresas, assim como também uma demanda crescente de novos softwares para virtualização e mobilidade. “Buscaremos oferecer soluções otimizadas e integradas na infraestrutura de virtualização que melhoram a segurança e otimizam a utilização de recursos ao mesmo tempo”, explica Armbuster. Não basta apenas adquirir um software, é importante também administrar e garantir a segurança de dados em dispositivos móveis como smartphones e tablets. O executivo complementa que é essencial o investimento em novas técnicas e soluções.

 Fernando Santos, country manager da Check Point Brasil, acredita que os assuntos de maior importância entre as discussões sobre segurança estão relacionados ao cuidado com a informação, proteção dos dados, proteção contra vazamento ou roubo de informação (DLP) e a adoção maior dos dispositivos móveis, principalmente dentro das empresas. “Por isso, a empresa investe, entre outras soluções, em DLP interno para evitar o vazamento de informação confidencial para fora da empresa e a circulação da mesma dentro da empresa”, complementa.

 O mercado de segurança, de fato, foca no segmento de negócios, deixando de ter uma perspectiva somente de proteção de TI. As empresas buscam agilidade aliada à segurança de informações. Por conta disso, a CA Technologies registrou em sua unidade de Negócios um crescimento anual de mais de 50%. Segundo Ricardo Fernandes, vice-presidente de Segurança e Sandro Camargo, vice-presidente de Canais para América Latina, as perspectivas continuam apontando para um desenvolvimento acelerado e a ameaça interna dos dados das empresas é o fator que tem conquistado mais espaço sob a ótica de Gestão de Risco.

Outro segmento que é a aposta para os próximos anos é o de virtualização e cloud computing. Empresas estão adotando essas tecnologias para armazenar dados e informações, o que acarreta em uma maior preocupação com sistemas de segurança confiáveis e, consequentemente, em um maior investimento nesse mercado. “Os investimentos têm a ver com o quão valioso é o que está sendo protegido. Toda empresa tem informações vitais e não podem ser comprometidas e vazadas. Com a nova onda de tecnologias como virtualização e computação em nuvem, há um investimento ainda maior”, detalha Luiz Faro, especialista em Segurança da Informação da Symantec.

O mercado de pequenas e médias empresas também gera muitos negócios aos canais. O IDC indica que, enquanto as grandes empresas cresceram em torno de 16% em 2010 dentro do segmento de segurança, o SMB cresceu 20%, e a tendência é que continue assim. “Na medida em que as PMEs migram para uma solução na nuvem, acabam necessitando de uma segurança maior. O mercado de SMB tem crescido muito, o que gera uma oportunidade imensa para parceiros oferecerem serviços”, explica Carlos Calegari, do IDC.

 Segundo Daniel Rocha, coordenador de Sistemas, Marketing e Desenvolvimento da Protagon, a maior demanda do mercado de segurança é por parte das pequenas e médias empresas, uma vez que essas possuem um perfil bastante heterogêneo e suscetível às ameaças computacionais. “Pesa o fato de empresas de menor porte nem sempre possuírem um profissional que se preocupe com a segurança das suas informações”, complementa o executivo.

 O avanço de tecnologias de mobilidade e virtualização unidas ao avanço de ataques e ameaças que rodam em ambientes corporativos geram a necessidade de um maior investimento em segurança. Por isso, não faltam oportunidades para os canais explorarem essas tecnologias e analisarem caso a caso quais as necessidades do cliente, enfatizando a importância de obter soluções e serviços que asseguram a identidade e informação das empresas.

 

Oportunidade

Com tantos segmentos em alta, não faltam às revendas chances de se especializarem e conhecerem melhor as tecnologias de segurança para oferecer a seu cliente. O aquecimento do mercado e a demanda das empresas por soluções que sejam mais confiáveis para evitar vazamento de informações sensíveis abre grandes oportunidade aos canais que atuam nesse segmento. É fundamental buscar apoio de empresas parceiras para oferecer soluções aliadas a um serviço de consultoria e implementação e, assim, agregar valor ao seu negócio.

“Especialização é a chave quando falamos de segurança”, destaca Camillo Di Jorge, country manager da Eset, enfatizando que essa é uma das áreas de TI que apontam um expressivo crescimento para os próximos anos e, por isso, as revendas que desejam maximizar suas receitas devem entender a tecnologia. “Educação sobre o tema levará maior confiança ao cliente final. Se uma revenda alerta o consumidor sobre as boas práticas de segurança lógica e corporativa e não apenas sobre um produto, as chances de influenciá-lo e ajudá-lo a decidir são bem maiores do que as revendas que apenas discutem produtos e menores preços”, complementa.

No mercado de segurança, o cliente compra soluções de quem ele enxerga ser um provedor de serviços. Não basta apenas vender um produto, como um storage, mas também investir em produtividade técnica. “O canal se torna um provedor de segurança e, para conseguir agregar valor, precisa ter a composição de solução com serviços de implementação, análise do ambiente e gerenciamento de segurança”, destaca Marcos Tabajara, diretor de Canais e Alianças da Symantec.

 Com isso em mente, é importante especializar-se para vir a ser uma consultoria. O canal deve passar para seu cliente quais são os perigos que podem rodar os dados sensíveis de sua empresa e qual a importância de investir em um sistema de segurança. “É necessária uma consultoria de implantação e mudanças de processos internos e as nossas revendas se envolvem ativamente neste tipo de serviço”, destaca Francisco Camargo, presidente da CLM.

Conhecer a necessidade do cliente e orientá-lo sobre como melhor administrar o seu conteúdo de forma segura é um ponto que a revenda deve destacar na hora de vender uma solução. Não basta apenas prover um software, é preciso uma análise ampla quanto ao uso de dados e do sistema que a protege. “Nossos canais são treinados para serem Consultores de Segurança que entendem não só do tema, como do negócio do cliente, para poderem desenvolver o projeto de acordo com a necessidade”, diz Fellipe Canale, diretor de Canais para América Latina da McAfee.

 De acordo com Luis Rogerio Moraes, CEO da EsyWorld, oferecer serviços é a melhor opção para as revendas que desejam agregar valor em suas vendas. Por isso, a empresa oferece capacitação aos parceiros. “Formamos uma equipe técnica com conhecimentos profundos de cada solução que distribuímos e realizamos treinamentos comerciais e técnicos para as revendas. O conhecimento mais aprofundado de cada solução faz com que o parceiro tenha capacidade de identificar e oferecer um melhor serviço aos seus clientes”.

Com o crescimento da adoção de tecnologias de segurança por empresas, tanto grandes quanto pequenas e médias, o canal deve investir em especialização voltada à área de negócios, conquistando, assim, um vínculo com seu cliente. “Principalmente no mercado corporativo, os serviços de instalação, configuração, manutenção e gerenciamento são essenciais para o cliente e, portanto, se tornam importantes aliados do canal na hora de agregar valor”, salienta Eljo Aragão, gerente regional do Brasil da Kaspersky, que aconselha aos parceiros a fazerem treinamentos adequados e certificações técnicas para que possam prover esses serviços.

Ir além da venda de um produto e investir em infraestrutura devem ser as grandes apostas dos canais. Segurança é um tema importante e que deve ser melhor explorado, principalmente envolvendo educação e hábito de usuários. Com o avanço da tecnologia, dados importantes de empresas e usuários podem ficar expostos e precisam ser protegidos. Além disso, a mobilidade impulsiona o uso de aparelhos e faz com que o acesso seja feito de qualquer lugar. Por isso, para obter lucro dentro desse segmento, é necessário investir em infraestrutura, treinamentos e serviços. A especialização se torna essencial para o canal oferecer um software adequado a cada tipo de necessidade e agregar valor a sua venda com uma consultoria que fidelizará o cliente para a próxima compra.