Segurança e Monitoramento

A demanda por segurança e controle de acesso em empresas, casas, vias públicas, etc., está em crescimento. , atualmente, uma conscientização da importância do monitoramento e do controle de ambientes por parte da população e das corporações. O mercado de produtos para segurança movimentou R$ 400 milhões em 2011, segundo informações do IT Data. Esse valor é referente apenas a produtos comomeras, gravadores, alarmes, entre outros produtos, ou seja, se for contabilizado o mercado de serviços, uma movimentação ainda maior

O Brasil possui, atualmente, o maior crescimento para os equipamentos de controle de acesso na América Latina, segundo o IMS Research. Um estudo do instituto revelou que o mercado latino-americano para controle de acesso foi estimado em mais de US$ 116 milhões em 2011 e identificou que o Brasil tem o maior número de fornecedores locais em comparação a outros países da América Latina. Um dos fatores que tem impulsionado esse investimento é a proximidade da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 que ocorrerão no país. O IMS Research identificou que os projetos locais normalmente incorporam equipamentos como catraca com segurança da entrada como a prioridade. Ainda assim, as fabricantes oferecem mais serviços voltados a controle de acesso, como leitores, painéis de controle, cartões e softwares. O autor do relatório e analista sênior, Blake Kozak, comenta que são realizados grandes projetos de infraestrutura, como em aeroportos. “Além disso, muito do crescimento que ocorrerá na região será através de setores como hotéis, fábricas e área comercial”, explica o analista. 

Outra tendência, destacada pelas empresas consultadas, é a migração de câmeras e produtos analógicos para aparelhos IP com alta definição. “As câmeras analógicas estão sendo substituídas por câmeras IP, que trazem uma qualidade de imagem maior, em HD, além de tecnologias embarcadas. Essas câmeras são cada vez mais inteligentes; praticamente pequenos computadores”, relata Ricardo Zovaro, diretor executivo da divisão VAD da Network1.

Para a Axyon, o desempenho da empresa em 2011 nesse segmento foi muito bom, com o mercado bem aquecido e as perspectivas são boas para 2012, principalmente com o lançamento de novas câmeras. “A cada ano, as novidades são em cima das câmeras IP. Elaboramos workshops técnicos e comerciais todos os meses, convidamos os integradores e demonstramos os produtos”, declara Rodrigo Martini, diretor Comercial da empresa.

José Bittencourt, representante no Brasil da AirLive, destaca que as empresas que quiserem aproveitar as oportunidades de negócios de vídeo-vigilância IP, precisam se capacitar nas soluções e serviços agregados, que abrem ainda mais o leque de oportunidades para o canal, já que a segurança e o monitoramento vão além da simples aquisição de câmeras. “Para trabalhar com a implantação de redes com vídeo-vigilância IP profissional, o canal precisa ter em seu portfólio roteadores, pontos de acesso indoor e outdoor, antenas, switches PoE, gravadores de rede (NVR), uma grande variedade de câmeras IP de até 5Mp, softwares de gravação com recursos avançados, etc.”, detalha o executivo. 

Trabalhar com projetos de redes IP gera rentabilidade aos canais, que podem compor as soluções e agregar os serviços de instalação, configuração, manutenção, backup dos equipamentos, etc. “Isso torna este tipo de venda lucrativa e mantém os clientes sempre muito próximos dos revendedores, abrindo novas oportunidades”, comenta Julio Esteves, gerente de Marketing da ControleNet. 

A Axis considera que, mais importante do que adotar produtos de segurança eletrônica, é adotar produtos com qualidade de imagem suficiente para permitir um monitoramento eficaz. “Por isso, realizamos treinamentos mensais no Brasil desde 2009. Nesses cursos, apresentamos os fundamentos das câmeras IP e abordamos, entre outros temas, a importância da qualidade de imagem também”, diz Marcelo Ponte, gerente de Marketing da Axis Communications para a América do Sul.

De fato, o mercado de segurança e monitoramento traz muitas oportunidades e exige conhecimento desde a implantação de uma rede de vigilância até os serviços de monitoramento, que estão sendo aprimorados tecnologicamente para evitar falhas e alarmes falsos. “É importante as empresas e instituições saberem que as novas tecnologias de ponta ajudam a melhorar a qualidade da segurança e, em situações de crise, é mais fácil tomar decisões eficientes e mais ágeis”, explica Luiz Camargo, country manager da Nice Brasil, que desenvolveu a aplicação Nice Situator para salas de comando e controle, permitindo que, em uma situação de diversos ambientes sendo monitorados, apenas o que é relevante é mostrado ao operador.

Desde a aquisição de um produto até a implantação de um serviço, as empresas oferecem suporte e atendimento aos parceiros para melhor resultado de acordo com a demanda de cada cliente. “Procuramos atuar junto ao nosso canal em novos projetos de segurança, não apenas na implantação de uma câmera, mas buscando entender a real necessidade de cada cliente. Desta forma, buscamos oferecer além de um produto de qualidade, uma solução completa e customizada para necessidades especificas”, destaca Flávio Nepomuceno, IP Surveillance Business Development manager da D-Link Brasil. 

Com tantas tendências e possibilidades de negócios, o canal pode aproveitar as oportunidades oferecidas pelas empresas e entender que o mercado de segurança é muito mais abrangente e gera grandes margens de lucros se houver a combinação da especialização com um portfólio completo. A chegada dos eventos no país também movimenta o mercado, que prepara projetos visando atender à demanda que vem surgindo e que pode arrecadar benefícios a médio e longo prazo. 

 

Eventos esportivos no país mobilizam o mercado

Com a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Brasil, as empresas investem em produtos e serviços que compõem os projetos de infraestrutura de segurança e monitoramento nas cidades. 

A Trendnet trabalha continuamente em sintonia com o canal e vem negociando com suas distribuidoras a adequação dos estoques locais, para que a empresa se adapte às demandas que tendem a aumentar conforme a proximidade dos eventos. “Queremos evitar a interrupção de fornecimento tanto das câmeras IP quanto dos injetores, splitters e switches PoE, elementos básicos e fundamentais para a montagem de um sistema de segurança IP eficaz e confiável”, explica Denis Pimenta, diretor Comercial da empresa. 

Flavio Nepomuceno, da D-Link, também adota a estratégia de manter um grande volume de produtos no estoque nacional como forma de suprir uma demanda com prazos cada dia mais apertados. “Hoje contamos com um novo portfólio de câmeras corporativas, com especificações para os mais exigentes projetos”, destaca.

Porém, as empresas já iniciaram seus trabalhos referentes a esses projetos e agora estão planejando aprimorar suas tecnologias e treinar suas equipes para que estejam preparadas para novas necessidades. “Os projetos dessas obras, em sua maioria, já estão em andamento. Nós nos preparamos antes, estudamos o mercado, a empresa fez algumas reestruturações internas, mas acreditamos que o nosso grande diferencial é o conhecimento do nosso grupo de engenheiros, aptos a prestar a consultoria necessária tanto para os projetos de segurança, como também para toda a infraestrutura que está por trás do sistema”, declara Rafaela Macedo Silva, Product manager da Anixter.

Prevendo grandes investimentos com segurança, proporcionados pelos eventos esportivos que acontecerão no Brasil, a Vault direcionou esforços para o desenvolvimento de soluções voltadas às necessidades dos eventos. “Desenvolvemos tecnologias de CFTV para os diversos Centros de Treinamento da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, bem como para as áreas de revista nas entradas das arenas esportivas e utilizaremos essas tecnologias para os jogos no Brasil também”, discorre Gustavo Rizzo, diretor da Vault.

Os eventos levam ao canal a possibilidade de se aprimorar nas tecnologias, trabalhar com as novidades que o mercado está oferecendo e ainda adotar em seu portfólio novas soluções, se aprimorando nos serviços de implementação que os grandes projetos exigem. A realização dos jogos no país é apenas mais uma oportunidade de negócios para os parceiros que querem revender os produtos de segurança e monitoramento

 

Oportunidade

As oportunidades não giram em torno apenas dos eventos. Já é uma realidade a preocupação cada vez maior com segurança e vigilância no país. As ruas, empresas, casas e estabelecimentos em geral tendem a ser monitoradas sempre com mais tecnologia e infraestrutura. “A situação econômica do Brasil, os grandes eventos programados para os próximos anos, a iniciativa de governos de ampliarem seus sistemas de prevenção, controle e identificação de distúrbios sociais, a necessidade de empresários acompanharem de perto processos e pessoas, a visão de empreendedores da área de turismo, além do desejo humano de proteger seus entes e seu patrimônio são alguns dos diversos fatores que conscientizam a sociedade sobre a importância de adoção de produtos de segurança na atualidade”, discorre Denis Pimenta, da Trendnet.

Por isso, é importante que o canal se especialize, aproveite essas oportunidades e não economize em conhecimento. “Quanto mais high-end o mercado de atuação, maior será o nível de qualificação da empresa envolvida. Não é possível atuar neste mercado sem o domínio das tecnologias de TI e Telecom, principalmente rede”, enfatiza Antônio José Cláudio Filho, diretor Comercial da Bycon. Além disso, as tecnologias de CFTV, câmeras e softwares tornam-se cada vez mais inteligentes e complexas requerendo muito domínio de diversas áreas para se concluir com sucesso um bom projeto. “Certamente criam-se novas oportunidades para agregar valor e ampliam-se as margens de lucro”, complementa o executivo.

E as oportunidades giram em torno de todos os segmentos, o que abre ainda mais o leque de possibilidades para o canal, que pode vender, implantar e dar suporte para diferentes tipos de demandas. A Cisco, por exemplo, acredita que desde o mercado doméstico até o Governo são segmentos potenciais que adotam essas tecnologias. “O mercado doméstico possui potencial de tamanho, mas os setores Financeiro e Industrial são mais atraentes para a companhia, em termo de volume e valor de projetos. O Governo também demanda e investe na cobertura de cidade ou regiões mais críticas”, como discorre Ghassan Dreibi Junior, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Borderless Networks da Cisco do Brasil.

Para o segmento de segurança, a automação doméstica é um tema popular. A sua implementação e integração com outras tecnologias de segurança requer o know-how de um instalador profissional e manutenção. Por isso, a KGuard Security oferece serviços de pré e pós-venda, além de suporte para os parceiros. “Nós fornecemos vídeos online que ensinam os usuários e parceiros de canal como configurar a nossa solução passo-a-passo”, diz Tracy Ting, assistente de Marketing e Vendas da empresa.

De um modo geral, o Brasil está atento a esse tipo de tecnologia. Edgar Amorim, diretor de Tecnologia da WDC, destaca que os grandes centros urbanos são os que mais demandam projetos, mas paulatinamente regiões menos populosas também começam a desenvolver projetos nessa área. “Particularmente o Nordeste está passando por um grande crescimento econômico e demandando produtos de acesso a Internet e agora de vídeo-vigilância. Entendemos que as cidades sede da Copa do Mundo serão as que terão mais oportunidades”, salienta o executivo.

Seja qual for o segmento, o projeto ou o propósito da adoção dessas tecnologias o canal deve se preparar. Trabalhar com o mercado doméstico, é, talvez, a parte mais simples do processo, pois não exige grandes conhecimentos de instalação. Para incrementar suas vendas, a revenda deve estar preparada para todas as vertentes e não se focar apenas em uma. Por isso, é fundamental manter a equipe treinada e o portfólio atualizado com os mais diversos produtos e últimas tecnologias que as empresas oferecem. Assim, o caminho para os bons negócios está traçado.