Storage 2015

Todos os dias, bilhões de novas informações surgem nas mais variadas formas, tamanhos e objetivos. E qual o destino desses dados? Inevitavelmente, eles correrão para o mundo digital. E é que surgem algumas questões: como suportar tanta coisa? E como encontrar e usar tudo isso depois? Para responder essas e outras perguntas, o mercado de Storage vem se reinventado, com foco em oferecer mais espaço, velocidade, mobilidade e segurança para empresas e clientes.

 

Em um mundo cada vez mais digital, a indústria de Armazenamento está bem no centro das atenções (mesmo que às vezes você não perceba). E olhando o cenário ao redor do planeta, não é difícil entender o porquê: segundo relatório divulgado pela IBM, por exemplo, mais de 2.5 quintilhões de bytes são criados diariamente. Se esse valor parece grande, o mais impressionante é que ele não é exatamente novo e que está crescendo constantemente. O último levantamento da empresa, sobre o assunto, é de meados de 2012 e, portanto, ainda não mensura o impacto que conceitos como Nuvem, Big Data e Internet das Coisas (Internet of Things, IoT) causarão a essa conta.

Mas é possível imaginar o que está por vir. De acordo com pesquisas do Gartner, por exemplo, até 2020, aproximadamente 26 bilhões de equipamentos estarão conectados às redes inteligentes, ampliando ainda mais a base de informações com que teremos de nos relacionar. Porém, a verdade é que nem é preciso ir tão adiante para perceber o tamanho desse setor: se a IoT ainda parece longe, é possível encontrar questões, como a Mobilidade e o Analytics, muito mais próximas e que estão presentes dentro das corporações e do consumo doméstico, trazendo novas perspectivas para o segmento.

E o que tudo isso representa para o mercado de Storage? Basicamente, oportunidades. Afinal de contas, para suportar todas essas tendências, as empresas têm investido em novas infraestruturas e tecnologias, muitas delas diretamente ligadas ao Armazenamento. Não por acaso, estudos do IDC apontam que, até 2016, cerca de 69% dos investimentos em tecnologia serão alocados em ferramentas e sistemas propostos à Terceira Onda de TI (movimento destacado pelos especialistas, que tem nas megatendências de comunicação e conectividade seu maior expoente).

Em termos de mercado, o valor também é expressivo. Somente no primeiro trimestre desse ano, o segmento faturou US$8,8 bilhões no cenário global, segundo dados da instituição. No Brasil, a projeção indica que, em 2015, aproximadamente 3% de todo o volume investido na indústria de TI seja destinado para produtos da área e servidores. “Este é um cenário que anda alinhado com as perspectivas econômicas e, por isso, não passa incólume às oscilações gerais. No entanto, as novas tecnologias e serviços ajudam a manter a relevância da área”, explica Luís Altamirano, analista de Storage da consultoria.

REDEFININDO O ARMAZENAMENTO

Se por um lado as tendências da TI têm apresentado elementos pensados para transformar os negócios de diversos setores, por outro elas também implicam em várias alterações na forma de se produzir e vender tecnologia – e as fabricantes do setor de storage estão atentas a essas transformações.

A principal delas é a mudança no próprio papel dos produtos de armazenamento. A ideia de ter um dado “guardado” não é suficiente: hoje a realidade impõe outras necessidades, como o relacionamento de um conteúdo variado. “Falamos de dois tipos distintos de informações: os itens transacionais, como os vistos no mercado financeiro, e os não-estruturados, que pedem a análise conjunta de dados que antes não se correlacionavam”, explica Edson Siqueira, vice-presidente de Vendas da Fujitsu.

O executivo acrescenta que essas realidades não são excludentes, mas que exigem formas específicas de posicionamento. “As necessidades tradicionais seguirão relevantes, da mesma forma como as aplicações de Big Data e Internet das Coisas também se posicionarão como chaves para o andamento dos negócios”, explica. A empresa aposta na criação de metodologias diferentes, como a postura ideal para satisfazer o mercado.

Outro ponto que tem impactado esse cenário é justamente o crescimento no volume de dados. “Hoje há uma grande demanda por soluções que ajudem as empresas a tornar os data centers mais ágeis e eficientes”, conta Rodrigo Cabral, gerente de Storage da Dell Brasil, que reforça a importância da área para a estratégia da fabricante de se posicionar como uma fornecedora de soluções de TI ponta-a-ponta.

Impulsionado pelo desenvolvimento de aplicações como Big Data e Cloud, o crescimento massivo de dados (e a consequente diversidade de fontes e formatos) passaram a demandar um maior controle sobre como gerir, catalogar e manter esses dados, desde a sua forma crua (banco de dados, imagens, texto etc.) até a sua transformação em informações de negócio. “Estes novos conceitos mudam a forma como tradicionalmente se armazena os dados, refletindo uma quebra de paradigma do armazenamento centralizado e monolítico”, afirma Sho Funatsu, consultor de Engenharia da Cisco para a América Latina.

Além disso, há de se compor uma oferta alinhada à realidade dos orçamentos dos departamentos de TI. “O setor de Storage, como qualquer mercado, está sujeito ao cenário econômico. Por isso, ainda mais agora, as empresas têm buscado opções que apresentam o melhor custo X benefício”, aponta Daniel Goldener, gerente de Produtos, linhas de Soluções Modulares, Redes, Storages e Softwares de Infraestrutura da Lenovo, destacando que os clientes enterprise, por exemplo, estão mais criteriosos em seus projetos de infraestrutura.

A meta é, portanto, oferecer soluções que promovam maior agilidade e facilidade de gestão, com um investimento adequado à capacidade das empresas. “A quantidade de dados está explodindo e o perfil do que é armazenado está mudando, impondo novas formas de se trabalhar com essas variáveis”, sentencia Miguel Carminate, gerente geral da unidade de negócios de Contas Estratégicas da Hitachi Data Solutions. Por isso, ele enfatiza que disponibilizar mecanismos que suportem o acumulo das informações e também sejam capazes de atender as exigências de consumo é fundamental.

Ou seja: o armazenamento físico passou a ser apenas uma das partes da equação desse mercado. Essa, por exemplo, é a análise feita por Guilherme Soares, executivo da Unidade de Negócios de Storage da IBM Brasil. “A missão da área deixou de ser o armazenamento básico, para se posicionar como um fator importante para a estratégia de negócios das companhias dos mais variados portes e segmentos”, explica.

 AS TENDÊNCIAS

A necessidade de se oferecer mais eficiência e velocidade, independentemente do tipo de aplicação, tem trazido à tona novas tecnologias e tendências. A principal delas, na visão de Altamirano, do IDC, é a Flash. “Hoje em dia, já se fala muito dos All Flash Arrays (AFA), que são unidades com discos de estado sólido que entregam cada vez mais desempenho com consumo energético e espaço menor. É possível dizer que essa é uma tendência que deverá crescer muito nos próximos anos”, avalia o especialista. 

Essa é a aposta da Pure Storage, empresa criada em 2009 e que opera no Brasil desde novembro do último ano. A companhia, cuja oferta é baseada exclusivamente nos produtos Flash, acredita que este é um modelo que se expandirá, graças à maior eficiência de consumo e desempenho. “A tendência é que a presença dos AFA cresça no cenário de data centers, pois ocupa menos espaço e oferece maior dinâmica aos processos. Isso significa redução de custos, a longo prazo, e melhor performance para as empresas consumidoras”, declara Wagner Tadeu, country manager da fabricante.

Outra companhia que vê as soluções Flash como tendência é a HP. Para a desenvolvedora, o mercado de armazenamento vive uma verdadeira revolução. “Esse é um setor que investe em estabilidade, facilidade de utilização e tecnologias que otimizem performance e custo. É importante perceber que temos o desafio constante de adequar crescimento de performance e confiabilidade, ao mesmo tempo que educamos os clientes e parceiros”, explica Rodrigo Guercio, diretor de Vendas de Storage da empresa no Brasil.

Apesar de ser a principal aposta para os próximos anos, as soluções Flash não estão sozinhas nesse contexto. A oferta híbrida, que combina discos tradicionais, flash e software, por exemplo, é uma demanda recorrente. “Estamos investindo em AFA, mas trabalhamos em um amplo portfólio, com opções tradicionais e de flash, além de produtos híbridos e convergentes. Esperamos que o mercado cresça de forma substancial, impulsionado, principalmente, por projetos híbridos, que combinam a plataforma flash (SSDs), para aplicações que exigem alto desempenho, e discos giratórios (HDDs), para dados mais frios”, diz Cabral, da Dell.

Tema importante também é a hiperconvergência das infraestruturas, que basicamente consolidam sistemas de computação, armazenamento e, eventualmente, de rede, no hardware de servidores. Funatsu, da Cisco, diz que essas infraestruturas permitem que aplicações baseadas em servidores virtuais sejam executadas em cima de uma plataforma comum, resiliente e escalável. “Um dos principais elementos que viabiliza a convergência é a camada de armazenamento definido por software (ou Software-Defined Storage, SDS, em inglês), que virtualiza os recursos de cada servidor, agregando-os em um pool comum apresentado como um recurso centralizado”, explica o consultor.

A hiperconvergência tem como meta fornecer um novo elemento para atender a necessidade de formar sistemas escaláveis e ajustados às atividades dos clientes. Além disso, é importante pensar em formas que facilitem o gerenciamento dos produtos. “Mais do que mirar o hardware, estamos investindo muito em soluções de SDS, que permitem maior controle, gestão e performance à utilização, com menor risco aos dados”, revela Soares, da IBM.

O mesmo vale para a Lenovo. “Oferecemos um completo leque de servidores com grande capacidade de armazenamento, ideais para sistemas definidos por software. Estas soluções permitem uma grande consolidação de espaço físico e consumo de energia, e melhor gerenciamento e utilização dos equipamentos, além de mais flexibilidade e menos pontos de falhas”, observa Goldener.

Em contrapartida, essa estrutura remodelada também apresenta desafios em relação ao armazenamento de dados: como realizar o backup em ambiente híbrido, incluindo estruturas físicas, virtualizadas e alocadas, por exemplo, na Nuvem? “Com as novas tendências de mercado, o setor vem sofrendo grandes dificuldades para gerenciar e armazenar os dados que são gerados em diferentes ambientes”, diz Paulo Tirone, diretor da Stock Distribuidora, empresa que, para suprir essa demanda, trouxe para o Brasil a solução Acronis, que atende diversas necessidades de Backup, Gerenciamento e Mobilidade, envolvendo Big Data.

O mercado de backup no Brasil, aliás, ainda tem muito a ser explorado. Luís Rogério Moraes, CEO da EsyWorld, avalia que a migração de dados para servidores Cloud e a necessidade de gestão desses dados trará novas possibilidades para toda a cadeia de serviços. “As empresas geram e buscam milhões de dados por segundo e, consequentemente, precisam armazená-los e trata-los na mesma velocidade. Ou seja, é um mercado em pleno crescimento e que dará bons frutos ainda”, salienta.

 

O CONSUMO DOMÉSTICO E DAS PMES

Engana-se, porém, quem pensa que essa realidade atinge somente as grandes empresas. Por isso, oferecer produtos e serviços que reforcem a integração dos dados com outras plataformas também está no radar da indústria, no que tange o consumo doméstico e de pequenas operações. “A demanda por armazenamento digital também está crescendo para as PMEs e consumidores finais. Isto representa uma oportunidade de venda para os canais, que devem prospectar e despertar o interesse de seus clientes, usando argumentos como o da segurança e proteção da informação”, observa Anna Cristina Muratori, head de Marketing da D-Link.

Samanta Sofier, gerente de Vendas sênior da Seagate para a América Latina, reitera que esta oferta ampliada com outros recursos (a Nuvem, por exemplo) deixou de ser facultativa para se tornar uma estratégia vital para o andamento da indústria. “Investimos pesado no desenvolvimento de aplicativos que permitam aos usuários (sejam eles consumidores finais ou empresas) acessar, compartilhar e proteger seus dados de maneira fácil e efetiva”, destaca a executiva.

Para a Toshiba, o Brasil acompanha o cenário mundial, onde a busca por soluções de armazenamento mais rápidas e confiáveis estão aquecidas. Alexandre Cidade, gerente de Vendas para OEM e Canais da empresa para a América Latina, analisa que além dos produtos de Cloud Storage, há grandes possibilidades de negócios para o armazenamento pessoal, incluindo Memória Flash, MicroSD Card e HDs externos. “Existem boas oportunidades de avanço para o mercado de Memória Flash, com os SSDs e MicroSDs, e discos rígidos para Notebook de 7mm. Esse é o momento deles”, conta o executivo.

 Já a ADATA aposta em questões como qualidade e diversificação de portfólio para conquistar os clientes. A companhia trabalha com linhas de HDs externos, discos flash desenvolvidos para o mercado gamer e corporativo, e Pendrives que suportam diferentes capacidades e devices. “Estamos trilhando um caminho que mira oferecer diferenciais competitivos ao público. Hoje, essa é uma indústria sensível ao preço das soluções, mas queremos mostrar os benefícios de uma oferta segura para Backup, enfatizando a praticidade de acesso e o amplo espaço disponível”, ressalta Carlos Guimarães, gerente de Vendas para Canais da empresa no Brasil.

Entre as vertentes que merecem atenção, o mercado doméstico tem ressaltado os gamers, as soluções para equipamentos móveis e de vídeovigilância. “Com o aumento de uso dos dispositivos móveis, o portfólio de opções de armazenamento está em constante crescimento e com produtos diferenciados para as mais variadas possibilidades. Outro campo interessante é a área de vigilância, onde há uma forte busca por segurança residencial e empresarial através do monitoramento”, indica Marcos Coimbra, presidente da All Nations.

Essas áreas estão em destaque também para a WD. “O mercado de vigilância em particular é um espaço de rápida expansão que requer um grande aumento no armazenamento. Existe um crescimento de dois dígitos esperado para este ponto, para os próximos três anos, em nossas projeções”, reforça Maria Calabrese, Communications Manager Latin America da companhia.

Mixar a oferta para atender demandas individuais e de enterprise é o objetivo da PNY. Carla Blat, gerente de Vendas da fabricante no país, reforça que, para atrair esses públicos, dois pontos são fundamentais: ter uma oferta segura e confiável, além de oferecer alta capacidade. “Há pelo menos um ano, estamos investindo no mercado de SSDs, trabalhando exigências de desempenho e requisitos de confiabilidade. Agora, estamos melhorando consideravelmente a velocidade de leitura e escrita”, declara a executiva. A fabricante diz que, nesse contexto, o cenário gamer tem mostrado boas oportunidades, com clientes que começam a enxergar que a instalação de discos flash, na máquinas, também auxiliam no desempenho dos jogos.

Na mesma linha, a Corsair quer mostrar que as estruturas de armazenamento podem ajudar clientes e empresas a aumentarem a produtividade de seus equipamentos. “Muitas vezes, uma configuração defasada pode, com um SSD, melhorar muito seu desempenho e, assim, ajudar o consumidor a economizar dinheiro, antes de substituir uma máquina por completo”, avalia Raphael Peterson, account manager da fabricante, que atualmente conta com discos sólidos e pendrives, que incluem recursos de criptografia e maior durabilidade, como soluções para satisfazer os clientes do setor.

 

COMO APROVEITAR AS CHANCES

 Imprescindível para as empresas de todos os portes e cada vez mais próximo da rotina doméstica, o mercado de Armazenamento tem vários caminhos para ganhar público. Mas para transformar essas possibilidades em negócios, algumas dicas são essenciais. Começando por uma bem simples: faça questão de conhecer para quem você está vendendo. “É preciso entender as reais necessidades de cada tipo de cliente, e é importante ainda conhecer a solução oferecida para, desta forma, casar perfeitamente o atendimento com a solução oferecida”, lembra Moraes, da Esyworld.

Já a Lenovo diz que é fundamental que os parceiros ofereçam sempre a solução mais aderente aos problemas de seus clientes. “Queremos criar relações de parceria com o mercado, para gerar novas oportunidades. Para isso, é preciso estabelecer uma relação de confiança e agregar valor ao desenho de soluções. Estes são dois pontos fundamentais para se buscar maior rentabilidade em vendas futuras”, completa Goldener, gerente da companhia.

Assim como é tendência em outras áreas, o mercado de storage pede que, cada vez mais, os canais adotem uma postura consultiva, mostrando ao público que, mais do que uma revenda, eles estão sempre dispostos a ajudá-los a resolver ou evitar um problema. “Promovemos treinamentos e capacitações constantes, pois sabemos que o canal que é capaz de apresentar os benefícios de uma solução tem muito mais chances de efetivar as vendas”, completa Guimarães, da ADATA, reforçando o compromisso da desenvolvedora no processo de apoio às revendas.

Outra empresa que aposta nos canais como elemento central de sua atuação é a Hitachi. “Nossos parceiros nos ajudaram a chegar até aqui e vão nos ajudar a seguir adiante. E nós também queremos apoiá-los a conquistarem novas oportunidades”, acrescenta Carminate. Para atender esse cenário, a desenvolvedora trabalha em torno de Armazenamento em Blocos (dados transacionais), Storages voltados a firewalls e content, unidades de Proteção de Dados, sistemas de Processamento Convergente (soluções UCP) e ferramentas para Big Data (não estruturados), com estratégias de benefícios e vantagens para os canais de cada área.

A lista de dicas inclui, ainda, pontos como conhecimento sobre o mercado (saber quais são as tecnologias inovadoras) e se manter próximo dos produtos oferecidos pelas fabricantes. E uma meta deve ser levada em consideração: a geração de valor. “É fundamental observar a solução completa do negócio, do mix de produto que pode ser ofertado somado ao serviço especializado. O que agrega valor à venda nesse tipo de negócio é a excelência na prestação de serviço”, diz Coimbra, da All Nations.

Saber propor a solução correta para cada cliente e, mais do que isso, observar o setor como um importante aliado para a elaboração de projetos recorrentes pode ajudar as revendas a capitalizarem a área de Armazenamento. O segredo é combinar a oferta de serviços com soluções de alto impacto à rotina dos clientes, seja ele uma grande corporação ou usuário final.