Ultrabooks e ultrafinos

Um novo conceito  em mobilidade

Um computador portátil mais fino, leve, com longa duração de bateria, agilidade e alta performance. Esse é o sonho de muitos consumidores que dependem de suas máquinas para trabalhar, que estão sempre em movimento, viajam e carregam embaixo do braço um computador para onde for. De acordo com o Gartner, os consumidores brasileiros preferem computadores móveis a desktops, assim como nos países da Europa Ocidental e América do Norte. Com isso, essas funcionalidades práticas são muito bem vindas e a tendência é que Ultrabooks e notebooks ultrafinos sejam uma melhoria em relação aos mais espessos e pesados PCs móveis. “Pesquisas realizadas com varejistas e distribuidoras de PC no Brasil confirmam que os novos compradores de classe média preferem adquirir aparelhos móveis e dar prioridade à compra de tablets, PCs móveis e smartphones. Assim, os consumidores brasileiros que têm rendimentos mais baixos da classe média tendem a considerar Ultrabooks e PCs ultrafinos, quando o preço estiver compatível com sua realidade econômica”, explica Angela McIntyre, analista do Gartner.

Antes de falar sobre a comercialização dos produtos, é preciso entender o que são os Ultrabooks e ultrafinos. Ultrabook é marca registrada pela Intel, que se encaixa na idealização dessa nova categoria de notebooks mais finos e com design mais elegante aliado à alta performance. Para fabricar um Ultrabook, as fabricantes devem seguir uma série de atributos estabelecidos pela Intel, como ter menos de 21mm de espessura, iniciar em até sete segundos, acesso rápido a aplicações e dados, duração de bateria de pelo menos 5 horas em uso ativo, recursos de segurança e processadores Intel que consomem 17 watts ou menos. “O Ultrabook vem para criar uma nova categoria dentro do mercado. Ele é voltado ao jovem entusiasta, que gosta de tecnologia e design”, comenta Mauricio Ruiz, diretor de Vendas da Intel Brasil.

Dentro desse conceito, a tendência é que as fabricantes busquem a produção de computadores dentro dos moldes destacados pela Intel, ou seja, Ultrabooks, mas há também a produção de ultrafinos, computadores que não possuem exigências pré-estabelecidas, mas que ainda assim prezam pelo design e fina espessura. “O mercado de ultrafinos é uma tendência, ano que vem todo mundo vai querer comprar e nós lançamos a segunda geração de processadores acelerados (APUs) com o objetivo de oferecer uma plataforma competitiva para essa geração que está por vir”, comenta Ronaldo Miranda, gerente geral da AMD Brasil e vice-presidente da empresa para América Latina.

Tendo em vista o conceito desses novos produtos e suas características, analisamos o mercado brasileiro de acordo com as fabricantes que já trabalham com essa categoria. Por ser algo recente, o mercado ainda não possui números concretos nem um grande volume de vendas, principalmente no Brasil. Mas já podemos destacar quais as expectativas e o retorno registrado até então pelas empresas consultadas. 

 

Mercado

De acordo com o Gartner, as vendas mundiais de PCs ultrafinos deverão ser de 11,5 milhões de unidades em 2012. No início do ano, o Ultrabook foi apresentado mundialmente pela Intel como a nova aposta dentro do mercado de notebooks. No Brasil, esse conceito está sendo introduzido aos poucos, com a comercialização realizada ainda por poucas fabricantes, que buscam a fabricação local devido às vantagens de custo de produção, principalmente. “A produção local começa entre junho e julho no mercado brasileiro e até agora a demanda tem sido boa e o interesse dos usuários também”, explica Mauricio Ruiz. O plano mundial da Intel é que 40% do volume de notebooks passe para Ultrabooks ainda este ano.

A AMD acredita que o mercado de ultrafinos terá uma consolidação maior em 2014, projetando que 31% do mercado de mobilidade será desses produtos. “No Brasil, novos produtos chegarão ao segundo semestre deste ano e em 2013 acredito que tenhamos muito volume”, complementa Ronaldo Miranda.

Como é um mercado novo, com uma nova abordagem, as fabricantes que trabalham com os novos notebooks ainda não conseguem mensurar o seu tamanho, principalmente no Brasil, mas as expectativas são grandes na medida em que os consumidores vão conhecendo os produtos e a busca por eles também cresce. “É certo que, à medida que a experiência computacional aumenta, a demanda por mobilidade também a segue. Quem usa um ultraportátil, dificilmente volta para um notebook convencional”, diz Jaison Patrocínio, diretor de Produtos da linha Think da Lenovo. 

Há um otimismo que ronda o mercado, por ser algo novo que atrai os consumidores, principalmente os que estão sempre antenados quanto às mudanças tecnológicas. Porém, ainda é difícil criar expectativas quanto à venda de produtos que incialmente apresentam características tão específicas que acabam atraindo apenas o consumidor da classe média-alta que já possui, pelo menos, um computador. “O mercado de Ultrabooks no Brasil teve seu início no segundo trimestre e irá crescer aos poucos durante esse ano de 2012. O portfólio atenderá, inicialmente, as classes A e B, mas a partir do final de 2012 e começo de 2013 serão lançados novos produtos, que atenderão o restante do mercado”, discorre Dolf Wiemer, gerente de Produto de Notebooks na LG Electronics do Brasil.

A Samsung acredita que esse ano a nova categoria fará um “boom”, mas não há perspectivas de números para o final do ano. A Dell destaca que os Ultrabooks e ultrafinos se apresentam como uma tendência, pois aliam alta mobilidade e performance em um único equipamento, o que não se via em notebooks comuns até pouco tempo atrás. Ou seja, as expectativas, mesmo que sejam projetadas a médio e longo prazo, são boas quanto à penetração e consolidação dessa categoria no mercado. Porém, é importante saber quais são os desafios desses produtos e conhecer o público-alvo para poder posicioná-lo de forma correta em seu ponto de venda. 

 

Desafios e estratégias

O principal desafio a ser superado, de acordo com a maioria das empresas consultadas, é o preço de entrada dos produtos. Como a fabricação local ainda é um desafio para muitas fabricantes, o valor dos Ultrabooks e ultrafinos ainda é elevado, o que faz com que os produtos se direcionem a consumidores mais experientes e com um poder aquisitivo maior. “Os Ultrabooks e ultrafinos devem reduzir o preço o suficiente para conquistar os consumidores de classe média no Brasil. Um desafio para as fabricantes e revendas é o de convencer os consumidores que vale a pena o preço a pagar pelas características de estilo e mobilidade desses produtos”, destaca Angela McIntyre, analista do Gartner.

Jaison Patrocínio, da Lenovo, acredita que com um posicionamento de preço um pouco acima dos produtos convencionais, outro desafio desses produtos será vencer a barreira imposta pelo volume relativamente reduzido (se comparado ao mercado internacional) versus a economia de escala, mas que no médio prazo deve esquentar a competitividade e consequentemente a busca por preços mais agressivos. “A carga tributária que incide sobre os produtos importados também é um fator limitante”, complementa Patrocínio.

Para ser mais fino, leve e ter melhor desempenho, a Dell entende que os Ultrabooks utilizam componentes mais caros, como unidades de armazenamento de estado sólido (SSD). Essa é uma tecnologia que ainda é cara quando comparada aos discos rígidos (HDD). Mas, apesar disso, a produção local ainda é um ponto importante para o sucesso do produto. “A chegada dos primeiros produtos fabricados no Brasil aumentará o leque de opções do produto, reduzirá preços e alavancará a presença da categoria no varejo”, ressalta Carlos Augusto Buarque de Almeida, gerente de Produtos da Dell América Latina.

A disponibilidade local dos SSDs (Solid State Drives) e a consequente regulamentação do Processo Produtivo Básico (PPB) do governo, além da crescente alta do dólar, são os principais desafios para esse mercado segundo Dolf Wiemer, da LG. “A estratégia da empresa para a introdução do Ultrabook é de começar com modelos high-end e durante o ano de 2012 trabalharmos com modelos mais baratos”, destaca.

A Samsung também aposta na produção local como primeiro grande pilar estratégico de vendas, mas a empresa é consciente que, por se tratar de um produto com um preço premium, já que uma máquina com as mesmas configurações em um corpo normal é 30% mais barata, a divulgação é outro ponto muito importante. “Temos uma comunicação com o canal e o consumidor final e uma estrutura que atende as revendas. Quanto mais divulgarmos a categoria, melhor o faturamento da cadeia”, aposta Ricardo Dominguez.

A maneira mais fácil de posicionar o produto para o consumidor é compreendendo seu nível de conhecimento tecnológico. Um dos pontos que a revenda pode trabalhar é a educação do consumidor sobre a tecnologia que ele terá acesso. “São pessoas que já têm um computador e querem comprar o segundo, terceiro, etc., já entendem o que é uma plataforma móvel e sabem os diferenciais dessa máquina especificamente. São consumidores que querem status, uma máquina elegante, sem abrir mão da performance, o que torna a venda mais complexa, já que se está trabalhando com modelos mais completos. É preciso ter um conhecimento”, ressalta Güido Alves, gerente de Marketing da Asus.

Erick Cano, gerente de News Business para a área de Commercial e Fernando Soares, gerente de Produtos e Novos Negócios da área de Computação Pessoal da HP Brasil, acreditam que a vantagem para o canal em trabalhar com essa categoria é poder sempre oferecer ao seu público o que existe de melhor no mercado. “Para aumentar a margem de venda, é importante estar bem treinado e ter conhecimento das características do produto. O segmento nasceu para atender o consumidor que quer desempenho, leveza, velocidade e muitas horas longe da tomada elétrica e foi projetado para oferecer a ponte entre a vida profissional e pessoal dos consumidores”, complementam.

Portanto, não se trata apenas da venda de mais um notebook do mercado. O revendedor deve estar preparado para destacar os Ultrabooks e ultrafinos de forma correta, direcionando ao consumidor certo, já que o obstáculo financeiro ainda permanece,  destacando as vantagens para que o cliente não caia na questão do preço. Essa especialização é essencial e deve já tomar início, considerando que as empresas já planejam a evolução da categoria, que tende a se tornar mais competitiva daqui para frente.

 

Evolução

Com a consolidação futura desse produto, as fabricantes trabalharão cada vez mais esse conceito a fim de atrair diferentes consumidores, modificando o produto aos poucos e atingindo todas as classes sociais. Não é segredo que o Ultrabook e os ultrafinos terão evoluções. O preço ficará mais competitivo, bem como os atributos que compõe essa máquina. “Ano que vem o Ultrabook ficará mais fino ainda, mostrando que é uma categoria diferente”, diz Mauricio Ruiz, da Intel.

A portabilidade, design atraente, menor consumo de bateria, novos softwares e capacidade gráfica da plataforma são atrativos específicos para o usuário que certamente já tem um conhecimento sobre o produto e não está indo comprar a primeira máquina, mas é preciso atrair outros consumidores para garantir uma lucratividade ainda maior. “Criar uma nova categoria é um desafio grande e ano que vem será maior, pois teremos produtos intermediários, ainda fininhos, mas com diferentes tamanhos e formatos para competir dentro do segmento de ultrafinos”, comenta Ronaldo Miranda. Por isso, podemos esperar produtos diferentes, cada vez mais inovadores que atingirão diferentes públicos e terão daqui para frente preços mais competitivos.